por: Sindicato dos Psicólogos de São Paulo
Postado em: 26 Fevereiro 20
O CFP, em seu papel de orientar, disciplinar e fiscalizar o
exercício da profissão de psicólogo (a), segundo a Lei 5.766/71, construiu a
Nota Técnica Construção, adaptação e validação de instrumentos para pessoas com
deficiência com o objetivo de orientar os (as) profissionais que realizam
avaliação psicológica para este público.
Leia a íntegra da Nota Técnica:
Construção, adaptação e validação de instrumentos para
pessoas com deficiência
Na construção e adaptação de testes psicológicos para
indivíduos com deficiência, faz-se imprescindível o atendimento aos
pressupostos teóricos e técnicos inerentes ao processo de construção e
adaptação de instrumentos sedimentados na literatura científica da área.
Contudo, alguns aspectos adicionais devem ser observados com vistas à
manutenção da qualidade psicométrica destes instrumentos:
1) Adaptar um teste para pessoas com deficiência não se
resume em alterar um aspecto indistintamente sem avaliar as consequências na
avaliação psicológica como um todo e nos resultados e procedimentos do próprio
teste;
2) O uso de certos tipos de adaptações pode modificar o
construto que está sendo medido. Cita-se como exemplo medidas de compreensão
escrita e oral;
3) É condição indispensável, considerando a heterogeneidade
da população com deficiência, o conhecimento profundo sobre o público ao qual o
teste é destinado, o tipo de deficiência, e, como o público irá manusear os
materiais do instrumento; e,
4) A equipe de desenvolvimento ou adaptação deve consultar
indivíduos com as deficiências alvo para avaliar o impacto das adaptações
realizadas em relação a aspectos de usabilidade, acessibilidade, clareza das
tarefas, entre outros aspectos. Quando possível, a consulta a especialistas na
área do construto ou a psicólogos que apresentam a deficiência para o qual o
teste está sendo adaptado é recomendável.
No tocante à adaptação, ressalta-se ainda que quaisquer
ajustes nos procedimentos padronizados dos testes e nos seus materiais assumem
o risco de causar mudanças nas características dos instrumentos invalidando os
resultados obtidos. Assim a eficiência de uma adaptação para indivíduos com deficiência
só poderá ser comprovada por meio de estudos pela busca de indicadores de
precisão e evidência de validade do teste adaptado. Dentre os métodos usados
para verificar o efeito das adaptações em pessoas com e sem deficiência, tem
grande relevância a investigação da ocorrência de função diferencial dos itens
(DIF) (Oliveira, Nuernberg & Nunes, 2013; Psychological Testing Centre
& The British Psychological Society, 2007; American Educational Research
Association, American Psychological Association & National Council on
Measurement in Education, 1999).
A construção e adaptação dos testes psicológicos para os
indivíduos com deficiência configuram-se como atividades complexas que
requerem, frequentemente, a utilização de várias modificações e alguns recursos
adicionais, tais como as tecnologias assistidas, na tentativa de proporcionar
acessibilidade aos materiais dos testes. Em auxílio aos desafios existentes
neste processo de atendimento à diversidade humana, um recurso interessante é a
aplicação do conceito de Desenho Universal.
Tal conceito busca proporcionar a máxima acessibilidade
reduzindo o viés, pois permite pensar-se, desde o início da construção ou mesmo
na pós-construção, em testes que possam ser flexíveis a acomodações atendendo a
uma população ampla, incluindo pessoas com e sem deficiência. As adaptações
realizadas fazem parte de estudos prévios e são utilizadas quando há
necessidade ou quando compõem o teste, independentemente do indivíduo que as
utilize. Muitas modificações utilizadas nos testes que aplicam o conceito de
desenho universal, como as que aumentam a legibilidade e o fazer intuitivo e
livre de complexidade desnecessária, produzem instrumentos de maior qualidade
tanto para os indivíduos com deficiência quanto sem deficiência. Contudo a
contribuição do desenho universal é mais evidente para os testes utilizados
pelas pessoas com deficiência, pois o desenho universal permite que eles possam
beneficiar-se dos instrumentos psicológicos de forma realmente inclusiva
(Oliveira, Nuernberg & Nunes, 2013; Johnstone, 2003; Thompson, Johnstone
& Thurlow, 2002).
Em síntese, não é recomendada qualquer adaptação sem prévio
estudo. Nos casos em que o uso dos testes é inapropriado para as
características individuais do avaliado, o psicólogo deverá proceder a
avaliação com outros recursos reconhecidos pela Psicologia.
Referências:
American
Educational Research Association, American Psychological Association, National
Council on Measurement in Education (1999). Standards for educational and
psychological testing. Washington, DC: Author.
Psychological
Testing Centre & The British Psychological Society (2007). Visual
impairment and psychometric testing: Practical advice for test users managing
the testing of people who have signt disabilities. Recuperado em março
de 2011, de www.psychtesting.org.uk.
Johnstone, C. J. (2003). Improving validity of large-scale tests: Universal design and student
performance (Technical Report 37). Minneapolis, MN: University of Minnesota,
National Center on Educational Outcomes. Retrieved. Recuperado em Agosto
de 2011, de http://education.umn.edu/NCEO/OnlinePubs/Technical37.htm.
Thompson,
S. J., Johnstone, C. J., & Thurlow, M. L. (2002). Universal design applied
to large scale assessments (Synthesis Report 44). Minneapolis, MN: University
of Minnesota, National Center on Educational Outcomes. Recuperado em
Agosto de 2011, de http://www.cehd.umn.edu/nceo/onlinepubs/Synthesis44.html.
Oliveira, C. M. ; Nuernberg, A. H. & Nunes, C. H. S. S.
(2013). A incorporação do Conceito de Desenho Universal na Avaliação
Psicológica como promotora dos Direitos Humanos. Avaliação Psicológica
(Impresso - Aceito para publicação).
Brasília, 31 de janeiro de 2013
Fonte:
http://noticias.psicologado.com/noticias-diversas/cfp-divulga-orientacoes-para-avaliacao-psicologica-de-pessoas-com-deficiencia#ixzz2MEp2ldIP
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