Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.

Carl Rogers

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

CFP Divulga Orientações para Avaliação Psicológica de Pessoas com Deficiência





por: Sindicato dos Psicólogos de São Paulo     
Postado em: 26 Fevereiro 20


O CFP, em seu papel de orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de psicólogo (a), segundo a Lei 5.766/71, construiu a Nota Técnica Construção, adaptação e validação de instrumentos para pessoas com deficiência com o objetivo de orientar os (as) profissionais que realizam avaliação psicológica para este público.
Leia a íntegra da Nota Técnica:
Construção, adaptação e validação de instrumentos para pessoas com deficiência
Na construção e adaptação de testes psicológicos para indivíduos com deficiência, faz-se imprescindível o atendimento aos pressupostos teóricos e técnicos inerentes ao processo de construção e adaptação de instrumentos sedimentados na literatura científica da área. Contudo, alguns aspectos adicionais devem ser observados com vistas à manutenção da qualidade psicométrica destes instrumentos:
1) Adaptar um teste para pessoas com deficiência não se resume em alterar um aspecto indistintamente sem avaliar as consequências na avaliação psicológica como um todo e nos resultados e procedimentos do próprio teste;

2) O uso de certos tipos de adaptações pode modificar o construto que está sendo medido. Cita-se como exemplo medidas de compreensão escrita e oral;

3) É condição indispensável, considerando a heterogeneidade da população com deficiência, o conhecimento profundo sobre o público ao qual o teste é destinado, o tipo de deficiência, e, como o público irá manusear os materiais do instrumento; e,

4) A equipe de desenvolvimento ou adaptação deve consultar indivíduos com as deficiências alvo para avaliar o impacto das adaptações realizadas em relação a aspectos de usabilidade, acessibilidade, clareza das tarefas, entre outros aspectos. Quando possível, a consulta a especialistas na área do construto ou a psicólogos que apresentam a deficiência para o qual o teste está sendo adaptado é recomendável.

No tocante à adaptação, ressalta-se ainda que quaisquer ajustes nos procedimentos padronizados dos testes e nos seus materiais assumem o risco de causar mudanças nas características dos instrumentos invalidando os resultados obtidos. Assim a eficiência de uma adaptação para indivíduos com deficiência só poderá ser comprovada por meio de estudos pela busca de indicadores de precisão e evidência de validade do teste adaptado. Dentre os métodos usados para verificar o efeito das adaptações em pessoas com e sem deficiência, tem grande relevância a investigação da ocorrência de função diferencial dos itens (DIF) (Oliveira, Nuernberg & Nunes, 2013; Psychological Testing Centre & The British Psychological Society, 2007; American Educational Research Association, American Psychological Association & National Council on Measurement in Education, 1999).

A construção e adaptação dos testes psicológicos para os indivíduos com deficiência configuram-se como atividades complexas que requerem, frequentemente, a utilização de várias modificações e alguns recursos adicionais, tais como as tecnologias assistidas, na tentativa de proporcionar acessibilidade aos materiais dos testes. Em auxílio aos desafios existentes neste processo de atendimento à diversidade humana, um recurso interessante é a aplicação do conceito de Desenho Universal.

Tal conceito busca proporcionar a máxima acessibilidade reduzindo o viés, pois permite pensar-se, desde o início da construção ou mesmo na pós-construção, em testes que possam ser flexíveis a acomodações atendendo a uma população ampla, incluindo pessoas com e sem deficiência. As adaptações realizadas fazem parte de estudos prévios e são utilizadas quando há necessidade ou quando compõem o teste, independentemente do indivíduo que as utilize. Muitas modificações utilizadas nos testes que aplicam o conceito de desenho universal, como as que aumentam a legibilidade e o fazer intuitivo e livre de complexidade desnecessária, produzem instrumentos de maior qualidade tanto para os indivíduos com deficiência quanto sem deficiência. Contudo a contribuição do desenho universal é mais evidente para os testes utilizados pelas pessoas com deficiência, pois o desenho universal permite que eles possam beneficiar-se dos instrumentos psicológicos de forma realmente inclusiva (Oliveira, Nuernberg & Nunes, 2013; Johnstone, 2003; Thompson, Johnstone & Thurlow, 2002).

Em síntese, não é recomendada qualquer adaptação sem prévio estudo. Nos casos em que o uso dos testes é inapropriado para as características individuais do avaliado, o psicólogo deverá proceder a avaliação com outros recursos reconhecidos pela Psicologia.

Referências:

American Educational Research Association, American Psychological Association, National Council on Measurement in Education (1999). Standards for educational and psychological testing. Washington, DC: Author.

Psychological Testing Centre & The British Psychological Society (2007). Visual impairment and psychometric testing: Practical advice for test users managing the testing of people who have signt disabilities. Recuperado em março de 2011, de www.psychtesting.org.uk.

Johnstone, C. J. (2003). Improving validity of large-scale tests: Universal design and student performance (Technical Report 37). Minneapolis, MN: University of Minnesota, National Center on Educational Outcomes. Retrieved. Recuperado em Agosto de 2011, de http://education.umn.edu/NCEO/OnlinePubs/Technical37.htm.

Thompson, S. J., Johnstone, C. J., & Thurlow, M. L. (2002). Universal design applied to large scale assessments (Synthesis Report 44). Minneapolis, MN: University of Minnesota, National Center on Educational Outcomes. Recuperado em Agosto de 2011, de http://www.cehd.umn.edu/nceo/onlinepubs/Synthesis44.html.

Oliveira, C. M. ; Nuernberg, A. H. & Nunes, C. H. S. S. (2013). A incorporação do Conceito de Desenho Universal na Avaliação Psicológica como promotora dos Direitos Humanos. Avaliação Psicológica (Impresso - Aceito para publicação).

Brasília, 31 de janeiro de 2013



Fonte: http://noticias.psicologado.com/noticias-diversas/cfp-divulga-orientacoes-para-avaliacao-psicologica-de-pessoas-com-deficiencia#ixzz2MEp2ldIP
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

PROJETO BRASILEIRO QUER CRIAR O GOOGLE MAPS PARA CADEIRANTES






Por Jaque Barbosa em   
   http://www.hypeness.com.br/2013/02/projeto-brasileiro-quer-criar-o-google-maps-dos-cadeirantes

Se locomover pela cidade de SP já não é uma das coisas mais fáceis, imagina se você é cadeirante. Por isso, achamos tão legal o projeto Accessibility View, criado pelo diretor de criação da AgênciaClick Isobar Eduardo Battiston, e que foi vencedor do Creative Sandbox: um evento do Google que reúne as tecnologias mais inovadoras e que trouxe um concurso que premiou as ideias que melhor usavam a criatividade e a tecnologia para melhorar a vida das pessoas.

O projeto usa Google Street View e Google Maps para ajudar a pessoas com deficiência a se locomoverem melhor pela cidade, traçando uma rota de acordo com as condições das calçadas. O objetivo é mapear São Paulo do ponto de vista da acessibilidade,  mostrando os pontos mais críticos, as rotas mais viáveis e tudo mais que possa facilitar a vida do portador de deficiência física. Para realizar esse mapeamento, Eduardo quer pegar um grupo de membros da Associação de Assistência à Criança Deficiente AACD, equipá-los com câmeras fotográficas e mandar essa turma pra rua, pra tirar fotos panorâmicas como as do próprio Street View.

Assista ao rápido vídeo abaixo para entender melhor como funciona:







http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=2fOuatM40aE
/http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=wKzq-GK-ixI



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Brasileiros desvendam elo entre Alzheimer e depressão

 
 

 

Estadão - 07/01/2013

Cientistas brasileiros descobriram o mecanismo responsável pela associação entre a doença de Alzheimer e a depressão. Na prática clínica, observa-se que uma das manifestações psiquiátricas mais comuns do paciente com Alzheimer são transtornos depressivos, que também atuam como fatores de risco importantes para a doença degenerativa. O que não se conhecia até agora era o mecanismo molecular exato por trás dessa relação.

 

O estudo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) concluiu que neurotoxinas chamadas oligômeros de abeta, presentes em maior quantidade no cérebro dos pacientes com Alzheimer, são capazes de levar a sintomas de depressão em camundongos. O tratamento desses roedores com antidepressivo reverteu o quadro depressivo e melhorou a memória.

 A descoberta, que abre a possibilidade de investigar mais a fundo a eficácia da indicação de antidepressivos em fases iniciais do Alzheimer, foi publicada na revista Molecular Psychiatry, do mesmo grupo que publica a Nature.

 Os oligômeros, estruturas que se agregam formando bolinhas, atacam as conexões entre os neurônios, impedindo o processamento de informações. Como são solúveis no líquido que banha o cérebro, eles se difundem, atacando o órgão em várias regiões. Pesquisas anteriores demonstraram que os oligômeros são os principais responsáveis pela perda de memória nas fases iniciais da doença.

 Para testar a hipótese de que eles também provocam depressão, os cientistas aplicaram a toxina nos cérebros de camundongos. Após 24 horas, os animais foram submetidos a testes que identificaram comportamentos depressivos. Mediante o tratamento com fluoxetina, o quadro foi revertido.

 "Uma boa surpresa do estudo foi que a fluoxetina também teve efeitos positivos na memória", diz um dos líderes do estudo, o pesquisador Sergio Ferreira, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ.

 Segundo o neurologista Ivan Okamoto, membro da Academia Brasileira de Neurologia, quem não tem histórico de depressão e desenvolve um quadro depressivo com idade mais avançada tem de três a quatro vezes mais risco de desenvolver Alzheimer.

 Agora, de acordo com Ferreira, o desafio é entender por que os oligômeros levam também à depressão. "Observamos que eles induzem uma reação inflamatória no cérebro dos animais. É possível que essa reação esteja levando à depressão, mas os dados ainda não permitem garantir isso."

 Para o neurologista Arthur Oscar Schelp, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), é difícil reproduzir o Alzheimer em modelos animais, por isso a transposição do que se descobre nos roedores para os seres humanos ainda é difícil. Ele observa que a depressão predispõe ao surgimento de muitas doenças.

 

Adalberto Tripicchio PhD

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Recursos Humanos

Quando uma área de Recursos Humanos passa a ser um ponto fundamental para o crescimento do meu negócio?

Há algum tempo atrás e nem tão atrás assim, a atual área de RH (Recursos Humanos) de uma empresa era mais conhecida pela sigla DP (Departamento Pessoal). E o próprio nome já diz bastante sobre a origem e a história que a área de recursos humanos carrega: um departamento que cuidava dos documentos pessoais dos funcionários, ou seja, algo bem burocrático e operacional. E quando pensamos nisso, logo vem a imagem amarelada daqueles arquivos cinza cheios de documentos confidenciais e aquela funcionária que ninguém sabia exatamente o que ela fazia, até surgir um problema com o plano de saúde ou ser mandado embora. Pois bem, nasce daí a dificuldade de algumas empresas ao enxergar valor na área de RH porque ainda a encaram com olhos de departamento pessoal, como área de suporte e não como uma área que constrói estratégias.


E se engana quem pensa que só as pequenas e médias empresas podem ter dificuldade em valorizar o potencial estratégico de uma área de recursos humanos; existem grandes empresas que mudaram a nomenclatura de seu antigo setor de DP, mas que na verdade, ainda não conseguiram transformá-la em uma divisão que inclui as pessoas como foco estratégico de suas ações e negócios. A área de recursos humanos passa a ser um ponto fundamental para o crescimento de uma empresa quando as pessoas contratadas para trabalhar diretamente com o negócio se vêem gastando mais horas fazendo ações de RH do que com as ações do negócio propriamente ditas. É nesse momento que fica claro que é preciso estruturar uma área de RH responsável pelo planejamento e execução das ações relacionadas aos colaboradores.
Atualmente, uma das contratações mais difíceisl de ser feita é a do profissional de recursos humanos, porque para atuar na área de recursos humanos de uma empresa não basta saber e querer se relacionar bem com as pessoas, é preciso também que esse colaborador tenha visão do negócio, conheça as melhores práticas de RH do mercado e saiba que seu papel é essencial na construção e implementação das estratégias da empresa que atua. Portanto, uma área de RH composta por bons profissionais passa a ser fundamental para o crescimento do negócio quando existe a necessidade de otimizar e multiplicar  o desempenho das pessoas, seja através de seleção, treinamento, planos de desenvolvimento e sucessão, estudo de cargos e salários, apoio às áreas de negócio na estruturação de equipes, entre tantos outros focos que  fazem da área de recursos humanos um importante negócio para o seu negócio. 


Sofia Esteves é psicóloga, presidente do Grupo DMRH e Cia de Talentos, professora de Captação de pessoas do MBA de RH da FIA e autora do livro Virando Gente Grande – Como orientar jovens em inicio de carreira.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

"PSICOPATAS CONSEGUEM CHEGAR AO TOPO POR CAUSA DE SUAS QUALIDADES E TALENTOS"

Por Roberto Goldkorn
 
 Vivemos numa sociedade que faz reverência aos fortes e abomina os fracos. Por isso, se busca de forma tão alucinada símbolos de poder, qualquer coisa que emane uma aura de vencedor, de estar por cima da carne seca.
   As empresas supervalorizam indivíduos pró-ativos, confiantes, que olham nos olhos e muitas vezes defendem suas ideias (mesmo as mais estúpidas) com valentia e até agressividade.
 Confiança, assertividade, foco, determinação, resiliência (cabacidade de autossuperação) são palavras cada vez mais sacrossantas em várias áreas de nossa sociedade.
 Conheci uma mulher que tornou-se minha cliente por algum tempo, até que se detectasse um desequilíbrio mental. Pude acompanhar suas crises de profunda depressão, onde precisava ser vigiada 24 horas pelo risco de cometer suicídio. Mas quando os polos se invertiam, ela aparecia eufórica, confiante, dona do mundo: a toda-poderosa.
 Uma vez fomos a uma reunião com outras pessoas influentes quando ela estava no modo eufórico. Vi as pessoas sendo seduzidas e dominadas pela sua “luz”, sua assertividade, sua confiança “absoluta” naquilo que estava falando e propondo. Convenceu a todos.
 Claro que a última atitude da família foi interditá-la e tirar-lhe os cartões de crédito e talões de cheque.
 Mas nem só de bipolares vivem os grandes confiantes. Psicopatas são pessoas fortes, assertivas, autoconfiantes, controladoras, do tipo que chega e diz: “Deixa comigo que eu cuido de tudo”. Ou pior “Confie em mim, eu resolvo.”
 Psicopatas são doentes "sem doença". Não existe exame clínico para detectar a psicopatia. Eles não são disfuncionais, estudam, trabalham, se casam e pelo seu caráter extremamente egocêntrico e sem freios morais ou emocionais costumam prosperar.
 Hoje ser assertivo, ou seja, ter coragem de dizer não na cara do outro, virou uma grande qualidade, essa os psicopatas tiram de letra. Não: é a palavra que sai de sua boca sem rédeas e com certo prazer sádico.
 Psicopatas que chegam ao topo (por causa desse mix de “qualidades e talentos”) são incontroláveis e costumam causar muitos estragos, porque veem que a estupidez da sociedade os colocou no trono, no topo da cadeia alimentar, embora saibam que no fundo são apenas boas falsificações.
 Na vida corporativa, como na política, pessoas afáveis, sensatas, ponderadas ou - defeito mortal - tímidas são subvalorizadas, são vistas como fracamente motivadas, não comprometidas com o time.
 Empresas costumam promover e aplaudir os “feitores”, aqueles que quando o chefe grita: “Mata!” Eles "apertam o gatilho" sem pensar duas vezes.
 Além disso existe outro fator comum nos psicopatas e bipolares em suas fase de euforia delirante: a facilidade para criar e vender falsificações da realidade ou em português mais reto: mentir.
 Um filósofo moderno John Gray em seu livro Cachorros de Palha, afirma que quem mente de forma eficaz e sem probelmas e consciência tem uma vantagem evolutiva sobre quem não mente e segue os pedregulhosos caminhos da verdade. Mentir sem remorso turbina currículo, derruba oponentes, ganha corridas e libera o indivíduo para fazer de tudo.
 Para o psicopata mentiroso, principalmente se estiver em alguma posição de poder, com o combustível extra da mentira, o céu é o limite. Aí alguém pode dizer: mas mentira tem perna curta e muitos são pegos e punidos. Eu digo: para cada mentiroso (incompetente) que é punido existe 10 que se dão bem. Recentemente, um chefe de polícia declarou que sua polícia era muito competente sim, porque no ano passado esclareceu 23% dos crimes. Ou seja, 77% de burladores da lei, psicopatas, sociopatas e cia, estão por aí felizes da vida continuando a mentir e a delinquir convencidos pela pura realidade de que o crime compensa! E não compensa?
 Líderes que foram endeusados por sua autoconfiança, trouxeram mais desgraça e sofrimento ao mundo humano do que possamos sequer imaginar.
 Precisamos rever nossos valores. Estamos criando e nutrindo uma supergeração de superpsicopatas, doentes emocionais sem precedentes.
 Para terminar, uma história real registrada nos anais da história oficial, que ilustra perfeitamente a minha tese neste artigo:
 “Em 1839 o vice-almirante George Tyron comandante da marinha britânica no Mediterrâneo, resolveu assumir sozinho o comando das manobras navais de verão. Ao ordenar a meia volta de duas colunas paralelas de navios, seus oficiais tentaram alertá-lo sobre a possibilidade de colisão. Um simples cálculo demonstraria que a combinação de dois círculos que os navios iriam fazer era maior que a distância entre eles. Enquanto seus oficiais observavam horrorizados seu navio, o Victoria foi abalroado pelo Camperdown. Tyron se recusou a acreditar que o dano causado fosse sério e ordenou que os navios próximos não enviassem botes salva-vidas. O Victoria afundou levando ele e mais 357 marinheiros.” Citado por Margaret Macmillan em seu excelente Usos e abusos da história (Ed. Record).
 Fonte: Vya Estelar
 Fonte: http://noticias.psicologado.com/psicopatologia/psicopatas-conseguem-chegar-ao-topo-por-causa-de-suas-qualidades-e-talentos-segundo-estudo#ixzz2LGFtEtiS
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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Escolha por escola especial não representa conformação

 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Exposição "Vidas em Cena" o cotidiano da Pessoa com Deficiência




A exposição mostra o cotidiano da pessoa com deficiência da infância até a terceira idade.

                                                             Carina em sua cadeira de rodas e seu marido no dia do casamento: uma das imagens da exposição.

Na sexta-feira, 08 de fevereiro,  aconteceu no Memorial da Inclusão, na sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a abertura da exposição Vidas em Cena.
A empresária Antônia Yamashita, juntamente com o marido, Fabio Yamashita, idealizou a “Mãe Especial”, instituição que trabalha em prol das pessoas com deficiência e que criou o projeto “Imagem e Inclusão”. “Vidas em Cena” é a primeira exposição do projeto.
A mostra itinerante reúne imagens dos fotógrafos Kica de Castro e Arthur Callasans, com pessoas com todos tipos de deficiência em diferentes situações, desde a infância até a terceira idade.
As fotos foram feitas em uma espécie de linha do tempo com pessoas com deficiência de diversas idades, em ações corriqueiras, como trabalhar, estudar, namorar, praticar esportes, etc.
A exposição conta com os recursos de acessibilidade como legenda das imagens em fonte aumentada e braile e audiodescrição. Esses recursos foram realizados com apoio da instituição Laratec, ligada a Laramara, associação que atende pessoas com deficiência visual.
A exposição fica no Memorial da Inclusão até 31 de março, e pode ser visitada no horário comercial, de segunda a sexta-feira, com entrada franca.

Sobre a Mãe Especial
Antonia Yamashita e seu marido Fábio Yamashita são inspirados diariamente por seu filho Lucas, garoto de 12 anos que tem paralisia cerebral, a trabalharem em prol da inclusão, compartilhando informações e experiências com educadores e outras famílias sobre a condição da criança com deficiência.
Antônia lançou também o livro “A Trajetória de uma Mãe Especial – O Milagre da Vida”, pela editora Nilobook, no qual conta a história dos primeiros anos de vida de Lucas. Por meio do projeto “Imagem e Inclusão”, foi publicado o gibi “Turma do Lukas”, que mostra o cotidiano das crianças com deficiência inseridas no universo infantil.

SERVIÇO
Exposição “Vidas em Cena” no Memorial da Inclusão
Local: Memorial da Inclusão – sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo
Endereço: Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 564 – Portão 10 – Barra Funda
(próximo da estação de trem e metrô Barra Funda)
Período da mostra: de 08 de fevereiro a 31 de março



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Acessibilidade para a segurança de todas as pessoas




Foto de uma armadilha de madeira armada em meio a um matagal.Izabel de Loureiro Maior*
A segurança das pessoas, que deveria ser a regra, somente é lembrada na comoção que segue uma tragédia, como a que tirou a vida de mais de duas centenas e deixou mais de cem frequentadores da boate “Kiss” com lesões severas (ainda com ameaça de morte), a maioria jovens universitários de Santa Maria, na madrugada do dia 27 de janeiro. Encontravam-se encurralados sem o saber – e foram submetidos ao fogo e à asfixia criminosa.
Com um soco no estômago e forte dor de consciência, o Brasil acordou para a precaríssima fiscalização a cargo do poder público, que se soma à negligência de empresários que exploram atividades em recintos fechados e recebem grande público. Esses locais também podem ser de propriedade ou operados pelo próprio governo e não nos causa surpresa serem lá encontradas as mesmas condições de desrespeito pela vida humana.
Em Santa Maria não houve fatalidade, e sim uma cadeia de irresponsabilidades da qual até agora não se conhecem nem o fim nem o começo, tampouco o grau de culpabilidade dos envolvidos. Quem não estava lá sabe que pode ter corrido risco igual – ou estar prestes a cair em semelhante arapuca.
“Reação” está sendo a palavra de ordem nos últimos dias. Ação preventiva entrou em cena, como nunca poderia ter deixado de acontecer. Estabelecimentos, agora vistoriados às pressas e lacrados por não apresentarem condições de funcionamento, eram indevidamente tolerados.
Os frequentadores como idosos, crianças e pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida não têm a mínima chance de sobrevivência nas “boates Kiss” que existem ao largo. E não é por falta de regras de acessibilidade. Tanto as normas técnicas de construção e de segurança como o Decreto nº 5.296/2004 determinam as condições obrigatórias a serem cumpridas. Este decreto contém parâmetros de acessibilidade, no conceito do desenho universal, que não são específicos para as pessoas com deficiência, já que teriam salvado a vida dos frequentadores da festa trágica. O decreto diz o seguinte:
Art. 23.  Os teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, casas de espetáculos, salas de conferências e similares reservarão, pelo menos, dois por cento da lotação do estabelecimento para pessoas em cadeira de rodas, distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas segregadas de público e a obstrução das saídas, em conformidade com as normas técnicas de acessibilidade da ABNT.
§ 4o Nos locais referidos no caput, haverá, obrigatoriamente, rotas de fuga e saídas de emergência acessíveis, conforme padrões das normas técnicas de acessibilidade da ABNT, a fim de permitir a saída segura de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, em caso de emergência.
O texto é de fácil entendimento pelo proprietário ou operador dos espaços, pelo profissional que os projeta e ainda mais corriqueiro para os agentes públicos que concedem a multiplicidade de documentos indispensáveis (será mesmo?) para que entrem em funcionamento. Entretanto, via de regra, nada é inspecionado como deveria e as mudanças necessárias também não ocorrem e são deixadas de lado.
As determinações citadas acima se aplicam conforme o artigo 13: “Orientam-se, no que couber, pelas regras previstas nas normas técnicas brasileiras de acessibilidade, na legislação específica, observado o disposto na Lei no 10.257, de 10 de julho de 2001, e neste Decreto:.. II - o Código de Obras, Código de Postura, a Lei de Uso e Ocupação do Solo e a Lei do Sistema Viário;…”

Ficar em casa, ou sair e encontrar a galera depende da vontade de cada pessoa. Para que a escolha de fato exista, o movimento social das pessoas com deficiência lutou por seus direitos de participação na vida comunitária ao longo dos últimos 30 anos e ainda se confronta com diversas formas de discriminação, algumas delas não reconhecidas com facilidade. É o caso da inexistência do direito básico à acessibilidade física, de comunicação, de informação, nos transportes e no uso de tecnologia assistiva que aumenta sua funcionalidade e bem-estar.
Acessibilidade e inclusão são inseparáveis, significam igualdade de oportunidades e ganharam mais força como direito da pessoa e obrigação da sociedade, quer seja no âmbito público como no privado, com a adoção da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada de maneira inédita com equivalência à emenda constitucional (Decreto Legislativo nº 186/2008 e Decreto nº 6.949/2009, do Executivo). A Convenção, homologada pela ONU em 2006, representa um novo marco regulatório de cidadania para as pessoas com deficiência no país e no mundo. Aqui são 45,6 milhões e no mundo correspondem a um bilhão de pessoas, segundo dados do Censo IBGE-2010 e da OMS em 2011, respectivamente.
A Convenção está acima das leis, dos decretos, dos códigos, das normas de segurança e supre as lacunas que ainda existam para garantir o direito humano de viver ativamente na comunidade. Tudo aquilo que a Convenção determina se impõe aos municípios, estados, à União, ao Poder Legislativo, ao Judiciário e à sociedade.
De acordo com o artigo 30 da Convenção ratificada, é obrigação do Brasil reconhecer o direito das pessoas com deficiência de participar na vida cultural, e para isso precisa tomar medidas apropriadas, entre elas “… ter acesso a locais que ofereçam serviços ou eventos culturais, tais como teatros, museus, cinemas, bibliotecas e serviços turísticos”.
Além dessas atividades, manda a Convenção assegurar que as pessoas com deficiência participem, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, de atividades recreativas, esportivas e de lazer, sendo obrigação do poder público tomar as medidas de acesso aos locais desses eventos e assegurar que as pessoas com deficiência usufruam dos serviços prestados por pessoas ou entidades envolvidas na organização de atividades recreativas, turísticas, esportivas e de lazer, resumindo o artigo.
Algumas vezes, mesmo correndo o risco de ser repetitivo, o texto da lei deve ser mostrado para divulgar o que as pessoas com deficiência têm direito, como todo mundo, e não deixar dúvida na cabeça de quem ainda não tenha despertado para o assunto.
Não é por acaso que conscientizar é um dos pontos fortes cobrados pela Convenção da ONU, e precisa ser feito com ações imediatas, efetivas e apropriadas para combater estereótipos, preconceitos e práticas nocivas em relação às pessoas com deficiência.
Campanhas bem elaboradas, variadas e veiculadas continuamente servem muito bem ao propósito de dizer ao público quem são as pessoas com deficiência, para combater a discriminação, “favorecer atitude receptiva em relação aos seus direitos e promover percepção positiva e maior consciência social em relação a elas”, extraído do artigo 8.
Voltando ao caso dos shows, bailes e baladas e o público que em maior número os frequenta, campanhas e redes sociais se complementam. É fácil, rápido e eficiente curtir, compartilhar e comentar as regras de segurança a serem observadas e fiscalizadas por todos, disseminar a informação que acessibilidade é primordial para todos (como direito de frequentar os locais para as pessoas com deficiência e como rota de fuga para qualquer um), denunciar ambientes fora das normas, denunciar casas violentas e discriminadoras, divulgar aquelas que são seguras senso amplo, tal como se faz ao dizer onde estão os ambientes mais agitados e interessantes.
Há muitos aspectos importantes frente à realidade que ainda se desenrola em Santa Maria, que vai deixar sequelas graves nas pessoas atingidas diretamente, sejam feridos, sobreviventes, famílias e amigos e repercutirá em todos os brasileiros e em suas cidades.
O primeiro ponto é desmascarar o “faz de conta” da fiscalização que, ao se dar de maneira fragmentada, acaba por não ser de responsabilidade de ninguém, quando a ideia é justamente a oposta. Espera-se que órgãos públicos e agentes idôneos atuem desde o projeto de construção ou de reforma incorporando o desenho universal (onde acessibilidade é carro-chefe), passando por todas as normas de adequação para aquilo a que o espaço fechado ou aberto se destina, com as garantias de segurança redobradas (não podem ser regras tão mínimas) para a vida humana. Não menos relevante é o controle sobre o funcionamento, quando superlotar a casa para o maior lucro está acima de qualquer coisa, mostrando a tolerância capitalista nefasta. Tudo cheira à fumaça da corrupção, como se sabe.
O segundo aspecto a ressaltar é a conscientização do público para a necessidade de cobrar segurança, denunciar o não-atendimento das normas e para isso tem de haver divulgação e preparo. Reconhecer entradas e saídas com acessibilidade, dimensões compatíveis com a capacidade de lotação (espaço bem grande e muitas portas largas abrindo para fora cm fácil acionamento), equipamentos de combate ao fogo como sprinklers (chuveiros automáticos para extinção de incêndios) e extintores de CO2, água ou pó químico, de acordo com o material que pode se incendiar, data de validade, sinalização que realmente aponte para as rotas de fuga.
Ainda nesse aspecto, os chamados “seguranças” não podem incitar e usar a prática da violência para prevenir abusos e manter o ambiente sadio, menos ainda participarem do crime organizado. Não se entende que haja regras para outros agentes particulares de segurança (de bancos, edificações, portarias) e nada seja requerido dos seguranças de boates e de quem os contrata.
Cabe lembrar o olhar míope para a venda de drogas e seu consumo, assunto de tamanha complexidade e tema de saúde pública, que porisso mesmo foge do alcance nesta abordagem sobre segurança. Mas que existe, não se tem dúvida, e que interfere com a segurança individual e social também não.
O terceiro ponto destaca os frequentadores e sua garantia de entretenimento, cultura, esporte, congraçamento, tudo com urbanidade e respeito às diferentes pessoas, chamando atenção para as pessoas com deficiência. Pessoas com deficiência intelectual, síndrome de Down, surdas, cegas, cadeirantes e muletantes gostam de frequentar boates e baladas, dançar, conversar, chegar junto e ficar, como é natural, sempre em condições de segurança para a sua integridade física e emocional, como qualquer outra pessoa.
São tantos os ângulos da segurança que um artigo não os esgota como a ação tempestiva e profissional de brigadas de incêndio e bombeiros, defesa civil, equipes de saúde, serviços de transporte de feridos, unidades de saúde, equipamentos de resgate e de atendimento, unidades de terapia intensiva, além de insumos para a saúde.
Não se pode passar ao largo, devido à sua importância, das atividades de apuração das causas dos incêndios e de outros sinistros, a perícia técnica e a medicina legal, as polícias investigativas, o ministério público e os tribunais. É imperioso conhecer como estão preparadas ou despreparadas e como cuidam do direito humano à segurança as instituições como prefeituras, governos estaduais e federal e legisladores, todos escolhidos pelo voto direto.
A proposta aqui trazida é não deixar cair no esquecimento os múltiplos e inaceitáveis erros que levaram à tragédia social em Santa Maria. Temos este ano a Jornada Mundial da Juventude e a Copa das Confederações, seguidas pela Copa da FIFA 2014 e Jogos Olímpicos e Paraolímpicos 2016. Então é indispensável ter consciência da ação preventiva que compete ao governo e à sociedade e as consequências punitivas correspondentes. Não aceitar a tolerância a riscos como incêndios e outras situações que estão à espreita em milhares de ambientes frequentados dia e noite. Enfatizar que a vistoria que está começando a ser feita cumpra a lei de forma verdadeira e coloque acessibilidade como requisito de segurança. Reafirmar o direito de todos de frequentar lugares desejados e, particularizando para as pessoas com deficiência, significa não haver mais estranhamento, discriminação e falta de condições acessíveis do meio. E finalizar chamando os protagonistas das redes sociais para serem fiscais das condições de inclusão e segurança da sociedade.
* Docente da Faculdade de Medicina da UFRJ, consultora em direitos humanos, acessibilidade e inclusão, atuou na consultoria de acessibilidade da Rio+20, é ex-secretária da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Participou na ONU da elaboração da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de sua ratificação no Brasil.

LONGA BRASILEIRO ABORDA RELAÇÃO DE PSIQUIATRA COM SEU PRÓPRIO SOFRIMENTO POR MEIO DO CONTATO COM AS PESSOAS QUE ATENDE



A realidade é dura. O filme Era uma vez eu, Verônica é o avesso de um conto de fadas. Nada é mágico, tampouco encantador. A realidade ali aparece nua e crua. A protagonista é uma jovem recém--formada em medicina que inicia residência em psiquiatria no Hospital Central de Recife. Pacientes de verdade participam da filmagem. A loucura aparece tal qual é de fato: confusa, bruta, deprimente e invasiva. A cidade é mostrada em sua feiura – cinza, suja, sem graça. Não é um filme de ação. O que sobra para o espectador? Uma grande atriz, Hermila Guedes, ajudando Verônica a se tornar paciente de si mesma. O filme ganhou sete prêmios no Festival de Cinema de Brasília, 2012.

Corajoso, o filme prescinde de grandes momentos dramáticos. Apenas acompanhamos Verônica em suas descobertas: profissão, amor, sexo. A personagem se relaciona, mas não ama. Onde há sexo, há Verônica. Mas onde há Verônica, não há amor. O que exatamente lhe falta para ser feliz? Tem amigos, um pai que a adora, uma profissão e um emprego, um namorado que a quer cada dia mais... Verônica não sabe. Olha muito para mulheres desconhecidas e também é olhada. Será que as deseja? Tem vontade de ser cantora, mas é médica. Namora firme, mas beija outros homens e mantém relações sexuais com vários deles em qualquer folia do carnaval.
No começo de seu traballho como psiquiatra, Verônica admite que o que aprendeu na teoria não lhe serve na prática. Não sabe escutar, não sabe perguntar. Não sabe o que fazer com os pacientes nem consigo própria. Mas conversa com seu gravador. Uma primeira fala nos revela que usou o aparelho para auxiliá-la nos estudos – e não pretende usá-lo mais. Mas sua angústia a leva novamente a falar e a escutar a própria fala. Primeiramente, diz que falará da paciente Verônica. Numa segunda vez, a paciente é “eu mesma”. Por último, Verônica se diz “paciente de mim mesma”. É nesse momento que parece alcançar certa liberdade.
Verônica é paciente porque sofre, mas passa boa parte de sua vida sem saber o motivo disso. A relação com os pacientes se dá de maneira igual. Num primeiro momento, seu “coração de pedra” – como ela mesma diz – não sabe o que fazer com o outro. O impacto diante de um paciente catatônico revela a paralisia de sua própria alma. Sua impaciência com a paciente depressiva revela aquilo que evita. Podemos fazer um paralelo com a psicanálise e pensar que somente quando nos tornamos pacientes de nós mesmos é que olhamos de forma diferenciada para o próprio sofrimento. É possível dizer que Verônica sofre porque está aprisionada num determinado padrão social que espera da mulher que se dirija de modo doce e romântico ao casamento. Sofre porque transgride as normas e se furta às cobranças. Mas isso seria reduzir demais o filme. Ou ainda, que sofre porque seu pai está idoso e não vai viver muito tempo. Mas esse é o destino de todos os filhos que se tornam adultos – os pais envelhecem. É justamente porque não sabe o motivo de seu sofrimento que Verônica pode caminhar de uma situação de alienação para um momento de perguntar-se “Quem sou eu?” ou “O que desejo?”.
Verônica sofre por não se perguntar (seja lá o que for). O filme, por sua vez, nos deixa uma questão: o pai de Verônica está sempre em casa, olhando fotos, escutando frevos e às vezes bebericando. O afeto de Verônica aparece de modo intenso e exclusivo dirigido ao pai. O filme não traz uma única referência sobre a mãe. Falar dela é tabu? Mas como contar nossa história – era uma vez... – se não falarmos sobre a nossa origem?
O filme inicia e termina com uma cena de sexo grupal na praia. Mar, sol, corpos e prazeres. Fantasia das origens? Origem das fantasias? Verônica alimenta a alma nessa cena paradisíaca. Ao perguntar a alguém quem ele definitivamente é, é importante não esperar uma resposta que, definitivamente, irá nos satisfazer. Toda história tem algo de conto de fadas. Toda narrativa de si tem um limite. O psicanalista francês Jean Laplanche sustenta que o limite para uma plena articulação de si são as esmagadoras e enigmáticas impressões vindas do mundo adulto em sua especificidade sobre a criança. Elas marcarão para sempre a sua formação como sujeito.
''Era uma vez eu, Verônica'' 90 minutos – Brasil, 2012. Direção: Marcelo Gomes. Elenco: Hermila Guedes, João Miguel, W. J. Solha, Renata Roberta, Inaê Veríssimo.
Fonte: Mente e Cérebro


Fonte: http://noticias.psicologado.com/noticias-diversas/longa-brasileiro-aborda-relacao-de-psiquiatra-com-seu-proprio-sofrimento-por-meio-do-contato-com-as-pessoas-que-atende#ixzz2KmaShVmZ
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA SE POSICIONA CONTRARIAMENTE ÀS DECLARAÇÕES DO PASTOR SILAS MALAFAIA







O Conselho Federal de Psicologia (CFP) manifesta publicamente seu repúdio às declarações do líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, feitas no último domingo (3/2), durante um programa de entrevistas exibido pelo SBT. Em sua participação, o pastor evangélico agrediu a perspectiva dos Direitos Humanos a uma cultura de paz e de uma sociedade que contemple a diversidade e o respeito à livre orientação – objetos da atuação da Psicologia, que se pauta na defesa da subjetividade das identidades.

As declarações de Malafaia, que é graduado em Psicologia, afrontam a construção das lutas da categoria ao longo dos anos pela defesa da diversidade. É lamentável que exista um profissional que defenda uma posição de retrocesso que chega a ser quase inquisitório, colocando como vertentes do seu pensamento a exclusão e o preconceito na leitura dos Direitos Humanos.
Ao alegar que a homossexualidade é uma questão de comportamento, o pastor se mostra contrário às bandeiras levantadas pela Psicologia, especialmente no que tange a Resolução CFP nº 001/99, estabelece normas de conduta profissional para o psicólogo na abordagem da orientação sexual, visando garantir um posicionamento de acordo com os preceitos éticos da profissão e a fiel observância à promoção dos direitos humanos. Considera que a homossexualidade não constitui doença, desvio ou perversão, posto que diferentes modos de exercício da sexualidade fazem parte das possibilidades de existência humana.
O dispositivo busca contribuir para o desaparecimento das discriminações em torno de práticas homoeróticas e proíbe as psicólogas (os) de proporem qualquer tratamento ou ação a favor de uma ‘cura’, ou seja, práticas de patologização da homossexualidade. Infelizmente, nada disso soa em consonância com o discurso de Silas Malafaia.
A Resolução declara, ainda, que é um princípio da (o) psicóloga (o) o respeito à livre orientação sexual dos indivíduos e o apoio à elaboração de formas de enfrentamento no lidar com as realidades sociais de maneira integrada. É dever do profissional de Psicologia fornecer subsídios que levem à felicidade e o bem-estar das pessoas considerando sua orientação sexual.
Esse tipo de manifestação da homofobia na sociedade brasileira contribui para a violação dos direitos humanos de parcela significativa da população. Vale lembrar que esses tipos de casos resultaram, no ano de 2011, em 278 assassinatos motivados por orientação sexual, de acordo com o Disque Direitos Humanos (Disque 100).
Dessa forma, podemos entender que a construção sócio-histórica da figura do homossexual como anormal que precisa ser corrigido e, por vezes, exterminado para a manutenção dos valores e do bem estar social, ainda se faz presente em nossa sociedade. Entretanto, a violência destinada a sujeitos que têm suas sexualidades consideradas como ‘desviantes’ não se resume a agressões e assassinatos. De fato, tais manifestações só se tornam possíveis a partir de uma rede de discursos que os colocam como inferiores, vítimas de sua própria existência. Esses discursos e práticas são, então, ações de extermínios de subjetividades indesejadas.
Com base nessa realidade, é também uma tarefa da Psicologia contribuir para o enfrentamento da homofobia e suas repercussões sociais. A importância dessa ação é tanta, que em novembro de 2012 o CFP assinou um termo de cooperação com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) para tratar do tema por meio de Comitês de Enfrentamento à Homofobia e da Campanha Faça do Brasil um Território Livre da Homofobia.
A atitude desrespeitosa de Malafaia com homossexuais ressalta um tipo de comportamento preconceituoso que não se insere, em hipótese alguma, no tipo de sociedade que a Psicologia vem trabalhando para construir com outros atores sociais igualmente sensíveis e defensores dos Direitos Humanos. O Brasil só será um país democrático, de fato, se incorporar valores e práticas para uma cidadania plena, sem nenhum tipo de discriminação. Exatamente o oposto do que prega o referido pastor.
Fonte: Sindicato dos Psicólogos de São Paulo


Fonte: http://noticias.psicologado.com/noticias-diversas/cfp-se-posiciona-contrariamente-as-declaracoes-do-pastor-silas-malafaia#ixzz2KJixMnbL
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Lei 12.764, de 27 de Dezembro de 2012 - Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista




Lei nº 12.764, de 27 de Dezembro de 2012

Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3º do art. 98 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Esta Lei institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e estabelece diretrizes para sua consecução.

§ 1º Para os efeitos desta Lei, é considerada pessoa com transtorno do espectro autista aquela portadora de síndrome clínica caracterizada na forma dos seguintes incisos I ou II:

I - deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento;

II - padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos.

§ 2º A pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais.

Art. 2º São diretrizes da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista:

I - a intersetorialidade no desenvolvimento das ações e das políticas e no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista;

II - a participação da comunidade na formulação de políticas públicas voltadas para as pessoas com transtorno do espectro autista e o controle social da sua implantação, acompanhamento e avaliação;

III - a atenção integral às necessidades de saúde da pessoa com transtorno do espectro autista, objetivando o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional e o acesso a medicamentos e nutrientes;

IV - (VETADO);

V - o estímulo à inserção da pessoa com transtorno do espectro autista no mercado de trabalho, observadas as peculiaridades da deficiência e as disposições da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente);

VI - a responsabilidade do poder público quanto à informação pública relativa ao transtorno e suas implicações;

VII - o incentivo à formação e à capacitação de profissionais especializados no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista, bem como a pais e responsáveis;

VIII - o estímulo à pesquisa científica, com prioridade para estudos epidemiológicos tendentes a dimensionar a magnitude e as características do problema relativo ao transtorno do espectro autista no País.

Parágrafo único. Para cumprimento das diretrizes de que trata este artigo, o poder público poderá firmar contrato de direito público ou convênio com pessoas jurídicas de direito privado.

Art. 3º São direitos da pessoa com transtorno do espectro autista:

I - a vida digna, a integridade física e moral, o livre desenvolvimento da personalidade, a segurança e o lazer;

II - a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração;

III - o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo:

a)o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo;
b)o atendimento multiprofissional;
c)a nutrição adequada e a terapia nutricional;
d)os medicamentos;
e)informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento;

IV - o acesso:

a)à educação e ao ensino profissionalizante;
b)à moradia, inclusive à residência protegida;
c)ao mercado de trabalho;
d)à previdência social e à assistência social.
Parágrafo único. Em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2º, terá direito a acompanhante especializado.

Art. 4º A pessoa com transtorno do espectro autista não será submetida a tratamento desumano ou degradante, não será privada de sua liberdade ou do convívio familiar nem sofrerá discriminação por motivo da deficiência.

Parágrafo único. Nos casos de necessidade de internação médica em unidades especializadas, observar-se-á o que dispõe o art. 4º da Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001.

Art. 5º A pessoa com transtorno do espectro autista não será impedida de participar de planos privados de assistência à saúde em razão de sua condição de pessoa com deficiência, conforme dispõe o art. 14 da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998.

Art. 6º ( VETADO).

Art. 7º O gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrícula de aluno com transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-mínimos.

§ 1º Em caso de reincidência, apurada por processo administrativo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, haverá a perda do cargo.

§ 2º ( VETADO).

Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 27 de dezembro de 2012; 191º da Independência e 124º da República.
DILMA ROUSSEFF
José Henrique Paim Fernandes
Miriam Belchior


Este texto não substitui o original publicado no Diário Oficial da União - Seção 1 de 28/12/2012



Publicação:
  • Diário Oficial da União - Seção 1 - 28/12/2012, Página 2 (Publicação Original)

VEM SEAN PENN!!!





VEM SEAN PENN

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

VOLTA ÀS AULAS APRENDIZAGEM UMA REFLEXÃO ROGERIANA



      VOLTA ÀS AULAS
                                                         APRENDIZAGEM  - UMA REFLEXÃO ROGERIANA


Nesta semana com o retorno às aulas, duas pessoas muito especiais para mim estão iniciando uma nova fase da vida, a do ensino formal.Serão alfabetizados a partir deste ano.
Diante da correria de tantas novidades, da escola, amigos e professores novos, me peguei pensando sobre o novo universo que será descortinado. Como daqui para frente seus conceitos e a forma de ver e viver o mundo será modificado.
E isso me fez refletir sobre o que a escola e a sociedade esperam destes pequenos estudantes, além das atividades, do rendimento e do incrível "jogo do silencio"experimentado por um deles e descrito a mim.
Diz-se da aprendizagem de uma maneira genérica que “há aprendizagem quando um organismo colocado várias vezes na mesma situação, modifica sua conduta de maneira sistemática e duradoura” (Reuchlin – in Gobbi 2005).
Claro que há várias outras formas de definir aprendizagem, umas abordam as teorias experimentais do comportamento e outras, variáveis tais como:  memória, motivação e cognição.
Para Rogers a visão de aprendizagem dever ser holística, ou seja, o indivíduo aprende como um todo, respondendo aos estímulos do ambiente, com a cognição e com o sentimento. A valorização do desejo de aprender, de compreender aquilo que é significativo para o “eu”, naquele momento, esse desejo deve ser estimulado e não moldado.
Para tanto a aprendizagem dever ser espontânea e ocorrer quando a pessoa sentir que aquilo que vai se aprendido está relacionado com suas necessidades e seu próprio desenvolver.
Rogers define dois tipos de aprendizagem: uma “não-significativa”, ou seja, composta de conteúdos destituídos de significado para o sujeito que aprende, que foca apenas os aspectos cognitivos; e a aprendizagem “significativa”, ou experiencial. Descrita como a aprendizagem que contem a qualidade de um envolvimento pessoal, neste caso toda a pessoa, em seus aspectos sensíveis e cognitivos, estão incluídos no fato da aprendizagem.
 É uma aprendizagem auto iniciada. “Mesmo quando o estímulo ou” o primeiro impulso vem de fora, o sentido da descoberta, do alcançar, do captar e do compreender vem de dentro, é penetrante, e por este efeito opera uma modificação no comportamento, nas atitudes e talvez em alguns casos na personalidade daquele que aprende.
Em uma visão rogeriana, o importante é facilitar a mudança e a aprendizagem, o único individuo que se educa é aquele que aprendeu a aprender. Portanto a facilitação da aprendizagem seria o fim da educação em si, ou próprio processo de “tornar-se pessoa” em educação. Para que este processo ocorra, as mesmas qualidades necessárias para o processo psicoterápico devem estar presentes: autenticidade, compreensão empática e aceitação, apreço ou confiança.
O que Rogers propõe seria um modelo de aprendizagem democrático participativo, envolvente, engajado, centrado nas necessidades do próprio sujeito. “ensino centrado no aluno”.
Rogers enfatiza ainda que há necessidade de uma pré-condição para os representantes de autoridade (educadores), estes devem ser suficientemente seguros interiormente e em seus relacionamentos pessoais de modo a confiarem na capacidade das outras pessoas de pensar, sentir e aprender por si mesmas. Quando existe esta pré-condição, é bem possível que a aprendizagem possa ser efetiva.
Na pedagogia rogeriana, o principio norteador é que não se pode diretamente ensinar a pessoa, mas sim facilitar-lhe a aprendizagem, e para isso alguns princípios devem ser enfatizados.
- Toda pessoa tem um potencial natural para aprender, todas são curiosas.
- A aprendizagem significativa ocorre quando envolve o individuo.
- Em um modelo de ensino centrado na pessoa, a partir de um clima facilitador, o próprio indivíduo se faz, se realiza, torna se ele mesmo.
- Os facilitadores da aprendizagem podem e devem compartilhar a responsabilidade da educação com o educando.
Partindo destes princípios, a tendência é que a aprendizagem vivida nesta atmosfera se desenvolva rápida, penetrante e profundamente, do que a vivida no modelo tradicional. Dado que a direção é “auto escolhida” e todos tendem a se comprometer no processo de maneira global.
Espero profundamente que meus pequenos, encontrem em sua vida, educadores que respeitem suas ideias, necessidades e cultura e que assim sejam felizes nesta nova etapa.
Boa sorte queridos!!!

Bibliografia – Gobbi – Noções Básica de ACP – 2005.