Imagine um livro escrito por
autoras da mesma família de diferentes faixas etárias. A filha, a mãe e a
avó. Reunidas, elas organizaram algumas de suas brincadeiras favoritas e
disponibilizam a todas as famílias e profissionais da educação gratuitamente.
Essa é a proposta do e-Book Play Manual de
Brincadeiras Criativas.
Lançado recentemente, a publicação oferece 50 atividades simples com foco em criatividade, divididas em cinco capítulos: jogos corporais, verbais, musicais, essenciais e relaxamento. A ideia é que essas atividades lúdicas possam colaborar com a criatividade e promover uma convivência de mais qualidade entre adultos e crianças. A iniciativa é voltada para crianças e adultos, famílias, educadores, tutores e cuidadores e pretende ser uma ferramenta de aproximação e integração entre os participantes. “O principal objetivo é oferecer diversidade nos jogos familiares e também escolares. "Nosso livro é uma forma prática de resgate ao contato físico, olho no olho, do encontro, do diálogo, de risos compartilhados, de estímulo à criatividade e à socialização por meio de passatempos lúdicos e divertidos”, diz Mayra Luna, autora do Manual de Brincadeiras Criativas. “Também é um meio de resgate da criança interior, às vezes esquecida no meio de tanta preocupação e responsabilidades da vida adulta”, continua. Muitas das brincadeiras foram criadas por Mayra e sua família, como: Inventando o Futuro – um jogo de imaginação em que os participantes devem falar de possíveis e impossíveis invenções do futuro; e Caixa da Alma, em que cada jogador deve criar uma caixa com recortes e colagem que represente quem ele acredita ser, sua personalidade, seus sonhos, em que, no fim, há uma troca de observações entre todos os participantes. Outras atividades mais conhecidas foram revisitadas e também compõem o e-Book Play. Entre elas, mímica, dublar a música e continuar a história. “Essa brincadeira, a Caixa da Alma, é um ótimo exercício para o jogador, seja ele adulto ou criança, aprender a se expressar, a aceitar elogios e críticas, e entender como é percebido pelos outros. É um jeito de mostrar que todos somos seres únicos que merecem ser respeitados e admirados em nossas diferenças”, explica Mayra. Cada brincadeira tem idade indicativa, número mínimo de participantes, regras, objetivos, dicas e algumas ainda possuem exemplos práticos que podem ser encontrados no canal no youtube da Pitaco e Cia:www.youtube.com/pitacoecia Quem fez Fundadora da Pitaco e Cia e criadora do e-Book, Mayra Luna é publicitária, consultora, escritora, atriz e artista multimídia. Já sua filha de oito anos, Bia, é a co-criadora, colaboradora e incentivadora da obra, já que ajudou a inventar e colocar regras na maior parte dos jogos, escolheu parte das fotos e foi responsável por algumas das ilustrações. Lila, a avó, mãe de cinco filhos e professora de mais de mil crianças, foi a inspiração. Participou do projeto indicando brincadeiras escolares, aquelas com grupos grandes, rodas e algumas das atividades que ela costumava usar bastante em aula.
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Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.
Carl Rogers
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Mãe, filha e avó levantaram 50 brincadeiras em um e-book para ajudar no desenvolvimento da criatividade a crianças, jovens e adultos
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Como ajudar pessoas com autismo na interação social
Um
artigo interessante publicado num blog do New York Times examina como ajudar
pessoas com autismo na interação social e dá uma resposta que nós já conhecemos
para essa pergunta: crianças, adolescentes e adultos com autismo podem aprender
a se relacionar e a desenvolver suas habilidades de interação social e
comunicação simplesmente brincando!
Kevin
Pelphrey, diretor do laboratório de neurociência da criança na Universidade de
Yale, defende a individualização e a personalização da terapia para cada
criança e, sendo assim, na opinião dele, se uma criança tem uma afinidade com
certos personagens animados, seria absolutamente válido propor uma terapia que
incorpore os personagens prediletos dela de forma significativa.
Kevin
Pelphrey, juntamente com outros pesquisadores, tais como John D. E. Gabrieli,
do MIT, Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, e Pamela Ventola, de
Yale, estão propondo um ensaio clínico para testar esta proposta. A ideia teria
surgido a partir do livro “Life, Animated” escrito por Ron Suskind, que é um
ex-repórter do Wall Street Journal. Nele, Ron fala sobre seu filho, Owen, que tem
autismo e que é apaixonado por filmes da Disney como “A Pequena Sereia” e “A
Bela e a Fera”.
Ron
Suskind conta de maneira emocionante como o pequeno Owen, que regrediu em suas
habilidades sociais e em sua comunicação em torno dos 3 anos de idade, usou a
repetição de cenas de um filme da Disney para comunicar aos seus pais a sua
dificuldade em falar. Owen teria escolhido o trecho “Just your voice” (“Apenas
a sua fala”, em Português) da bruxa
Úrsula, que no filme “A Pequena Sereia” havia roubado a voz da sereia Ariel,
para expressar o que ele próprio estava sentindo. Owen tinha perdido sua
habilidade de falar e estava não verbal naquele momento. Assim como a
personagem do filme, o pequeno Owen também não tinha “voz”. Esta experiência
fora crucial para a família, que, aos poucos, decidiu aproveitar o fato de Owen
ficar atento e focado ao assistir seus filmes favoritos para então usar os
elementos e personagens desses filmes como um canal de aprendizado social.
Sobre
o ensaio clínico que será conduzido pelos pesquisadores, originado a partir da
experiência de Ron e de seu filho Owen,
Sally J. Rogers, professora de psiquiatria no Instituto MIND, da
Universidade da Califórnia, e co-autora da abordagem americana Early Start
Denver Model, diz: “A hipótese que se colocou à frente é boa, e absolutamente
vale a pena estudá-la”. “Se você pensar sobre esses personagens animados, eles
são fortes estímulos visuais: as emoções dos personagens são exageradas,
aquelas sobrancelhas e os olhos grandes, a música que acompanha as expressões.
Observando esses personagens, vemos que é uma forma como muitos de nós
aprendemos os scripts que são apropriados nas situações sociais.”
Segundo
o jornal, o estudo que será realizado sobre o tema durará 16 semanas e incluirá
68 crianças com autismo, com idades entre 4 a 6 anos. Metade das crianças
receberá uma terapia utilizando os programas ou filmes que eles mais gostam
como uma estrutura para aumentar a interação e a construção de habilidades que
possibilitem o contato visual e jogo social. A outra metade das crianças será o
grupo controle, que receberá a mesma quantidade de interações com um terapeuta,
mas de forma livre, lideradas pelo interesse da criança.
Leia
o artigo (em inglês) publicado no New York Times para conhecer melhor o ensaio
científico que será realizado e também a opinião de outros pais e profissionais
sobre atividades lúdicas envolvendo personagens. Quer conhecer a história de
Owen e saber como ele se desenvolveu numa terapia que utilizou seus personagens
prediletos? Acesse aqui
http://www.nytimes.com/2014/03/09/magazine/reaching-my-autistic-son-through-disney.html?_r=2
domingo, 31 de agosto de 2014
Caneca diferente criada por menina de 11 anos para ajudar avô com Mal de Parkinson será vendida
No primeiro semestre deste ano, uma garota de 11 anos,
resolveu criar uma caneca que não apenas fosse inquebrável, mas que também não
permitisse facilmente ao usuário derramar o líquido nela colocado. A motivação
da menina-empreendedora era uma só: auxiliar o avô, que sofre do Mal de
Parkinson.
Um copo se quebra. Os pedaços de vidro se espalham. A
sujeira está formada. E o momento mais chato se aproxima: é hora de limpar tudo.
Quem nunca passou por isso? E ainda por cima, ficou com receio de ter deixado
alguns cacos de vidro perdidos pelo chão? Agora esse problema já pode ser
solucionado graças à Lily Born, criadora de uma caneca bem diferente, a
Kangaroo Cup.
O projeto ficou conhecido no mundo todo quando a família da
garota resolveu pedir dinheiro por meio do financiamento coletivo. As pessoas
contribuíram e a família, que pedia US$ 25 mil (R$ 56 mil), acabou recebendo
bem mais: US$ 62 mil (R$ 138 mil). Bem, com o dinheiro, a proposta da menina se
transformou em uma empresa, a Imagiroo, única fabricante da caneca Kangaroo.
Recentemente, a empresa colocou à disposição dos interessados um site em que é
possível encomendar o produto.
De acordo com o site, as entregas devem começar em novembro
deste ano. Uma caneca de cerâmica custará US$ 13 (R$ 29) e o consumidor poderá encomendar
um jogo com quatro unidades por US$ 48 (R$ 107).
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Psicopata é você!
POR DANIEL MARTINS DE BARROS
ESTADÃO - 19/08/14
Depois dos best sellers “Seu chefe é um psicopata”, “Seu
amigo é um psicopata” e do campeão de vendas “Seu ex-marido é um psicopata”,
chegou a hora de falar a verdade: psicopatas somos todos. Ou podemos nos
comportar como um.
Nos últimos dias temos vistos vários sinais de como as
pessoas comuns podem agir com desprezo pelos outros, ao menos no mundo virtual.
Lúcia Guimarães conta sobre a onda de insultos a Robin Willians, via twitter,
depois de sua morte. Por aqui mesmo testemunhamos o mau gosto que se seguiu ao
acidente com Eduardo Campos, desde os trocadilhos políticos até as selfies em
seu velório. Há pouco tempo Erasmo Carlos se surpreendeu com a agressividade
que as pessoas podiam demonstrar on-line, quando debochavam de sua idade. E o aplicativo
Secret, no qual as pessoas podem postar qualquer coisa de forma supostamente
anônima se tornou um palco de ofensas, boatos, calúnias e difamação. O que
acontece, que gente tranquila, que não faz mal a ninguém no mundo real, entra
nessas escaladas de agressividade nas redes socais, cometendo até mesmo crimes
que não faria em outras situações?
Você já deve ter visto alguém limpando o nariz dentro do
carro, tranquilamente tirando “caquinhas” até de repente dar de cara com outra
pessoa. Esse momento de constrangimento, que leva o sujeito a inutilmente
tentar disfarçar a nojeira, acontece porque o olhar do outro é um potente freio
para nossos comportamentos menos louváveis.
Eis o grande problema do mundo virtual: a falta do olhar
alheio. Nosso cérebro está adaptado para interagir face-a-face com os outros –
nesse tipo de conversa recebemos uma série de informações em tempo real, se
estamos agradando, se a pessoa está brava, triste, feliz, e assim ajustamos o
conteúdo e também a forma de nosso discurso de forma automática e inconsciente.
Isso não apenas porque queremos agradar, mas também porque ver o sofrimento do
outro nos incomoda, refreando certos impulsos. Quando não temos esses freios
sociais, funcionamos – em parte – como os verdadeiros psicopatas. Essas pessoas
têm dificuldade para reconhecer adequadamente as emoções negativas nas
expressões faciais; e são incapazes de sofrer quando vêem alguém sofrendo, por
carecerem de empatia. Ora, nas redes sociais somos todos assim: não vemos as
expressões de nossos interlocutores, tanto pela invisibilidade como pela
assincronia do diálogo. E sem esse feedback, não sofremos com a dor alheia, já
que não a testemunhamos diretamente.
Creio que essa é a grande razão para tantas pessoas
assumirem atitudes antissociais diante de uma tela e um teclado, até mais do
que o anonimato. Esse, juntamente com a suposta impossibilidade de ser pego,
pode até fazer com alguns ajam com maldade, mas sobretudo os predispostos a
isso. É como o escritor H. G. Wells ilustrou em O homem invisível. No livro um
cientista se torna criminoso após adquirir invisibilidade, mas sua
personalidade já era fria e algo desumana – ser invisível somente o liberou
para fazer o que gostaria. O anonimato permite que o sujeito que quer ser ruim,
seja. Mas não é ele que vira a cabeça dos bons cidadãos.
Claro que a maioria das pessoas não sofre uma transformação
no mundo virtual. Mas não se pode ignorar que essa nova forma de interação
humana, na qual o exercício da empatia fica prejudicado, está associada a mais
atitudes de desprezo pelos outros. Como acredito na capacidade de adaptação
humana, acho que a solução virá com o tempo. Só não sei quanto.
domingo, 17 de agosto de 2014
Software aumenta precisão na triagem de crianças com autismo
Fonte: BONDE
Profissionais da área da Psicologia poderão contar em alguns
anos com uma ferramenta de análise computacional para realizar a triagem de
crianças com transtorno do espectro autista (TEA) com maior precisão.
Um grupo de pesquisadores da University of Minnesota e da
Duke University, nos Estados Unidos, em colaboração com colegas do Instituto de
Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolveu um
software para análise automatizada de vídeos de testes de triagem de autismo.
Alguns dos resultados das análises dos testes feitas pelo
software foram descritos na edição de junho da revista Autism Research and
Treatment.
"A ideia é que o software possa contribuir para
aumentar a acurácia da triagem de crianças com autismo", disse Thiago Vallin
Spina, estudante de doutorado no Instituto de Computação da Unicamp e um dos
autores do projeto, à Agência FAPESP.
"Nossa meta é ter uma versão do software que possa ser
utilizada em escolas de educação infantil, por exemplo, para realizar a triagem
de crianças com suspeita de autismo com maior precisão e encaminhá-las para a
realização do diagnóstico por especialistas o mais cedo possível", afirmou
Spina, que faz doutorado com Bolsa da FAPESP e orientação do professor
Alexandre Xavier Falcão.
De acordo com Spina, estudos recentes apontam que muitas
crianças com TEA apresentam marcadores comportamentais indicativos de autismo
logo no primeiro ano de vida, tais como a dificuldade de desviar o olhar de um
determinado ponto para rastrear um estímulo visual.
A fim de tentar detectar mais precocemente esses distúrbios
no desenvolvimento infantil – e iniciar uma intervenção clínica intensiva – são
feitos comumente três tipos de testes comportamentais, baseados na Escala de
Observação de Autismo para Lactentes (AOSI, na sigla em inglês), para avaliar a
atenção visual da criança.
No primeiro teste, um brinquedo sonoro é chacoalhado ao lado
esquerdo da criança e, em seguida, outro brinquedo é balançado ao lado direito,
a fim de avaliar o tempo que ela leva para responder ao segundo estímulo por
meio do desvio do olhar.
Já no segundo teste, um brinquedo é movido horizontalmente
próximo ao rosto e no campo de visão da criança, para verificar se há algum
atraso em rastrear o movimento do objeto.
E no terceiro teste, uma bola é rolada em direção à criança
com intuito de verificar se a criança pega a bola e estabelece contato visual e
interação social com o especialista.
O problema é que esses testes ocorrem em tempo real e
durante sua realização o profissional precisa não apenas controlar o estímulo,
como também contar o tempo que a criança leva para reagir, o que torna o
diagnóstico impreciso, segundo Spina. "O tempo de atraso da criança para
reagir aos estímulos considerado nestas medidas de atenção visual é de um a
dois segundos", disse.
"Por isso, o diagnóstico de TEA por meio desses testes
depende em grande parte da experiência e acurácia do especialista em
identificar com precisão o tempo de atraso na resposta da criança ao
estímulo", disse Spina.
Medições automáticas
Para tentar aumentar a precisão dos resultados, os
pesquisadores desenvolveram algoritmos (sequências de comandos) de
processamento de imagens e de visão computacional, que fazem medições
automáticas da atenção visual de crianças durante os testes comportamentais de
triagem de TEA a partir da gravação de vídeos das sessões de avaliação.
Para isso, utilizaram gravações de vídeos de testes
comportamentais durante sessões de avaliação de TEA realizados por Amy Esler,
professora de Pediatria na University of Minnesota, com um grupo de 12
crianças, com idade entre 5 e 18 meses, indicadas para realização dos testes.
As gravações foram feitas durante o estágio de pesquisa de Spina na
universidade norte-americana, no grupo do professor Guillermo Sapiro.
"Colocamos duas câmeras convencionais de alta resolução
na sala onde foram realizadas as sessões de avaliação, sendo uma posicionada no
centro da mesa da professora Esler e com foco direcionado para a lateral das
crianças, e outra em um canto da sala, para obter uma visão geral do
comportamento das crianças durante as sessões", contou Spina.
O software foi capaz de rastrear a direção do rosto das
crianças participantes dos testes comportamentais de atenção visual. Para fazer
isso, o sistema computacional identificou, inicialmente, a direção dos olhos e
do nariz das crianças no primeiro quadro (frame) do vídeo dos testes em relação
ao objeto apresentado a elas.
Por meio de algoritmos de visão computacional, o software
avaliou se a direção dos olhos e do nariz das crianças se repetia ou mudava nos
quadros seguintes do vídeo.
Dessa forma, conseguiu estabelecer vetores de movimento dos
olhos e do nariz da criança de um quadro para outro e, por meio de medidas
geométricas, estimar em que direção ela estava olhando durante os testes em
relação aos objetos – se em direção a eles ou não.
"Como sabia em que direção a criança estava olhando no
primeiro quadro do vídeo e qual a posição do objeto, o software foi capaz de
rastrear os movimentos dos olhos da criança e indicar se apresentavam ou não um
correlação com a direção do brinquedo", explicou Spina.
Os resultados das análises dos vídeos feitas pelo software
foram comparados com a avaliação clínica feita por Esler com base na observação
em tempo real dos testes e nos próprios vídeos – sem terem passado pelas
análises do software – e com as de dois estudantes de graduação em Psicologia e
uma psicóloga não especializada em autismo.
A comparação mostrou que o programa foi capaz de detectar
sinais comportamentais indicativos de autismo tão bem quanto a especialista e
melhor do que a psicóloga e os estudantes de Psicologia.
"O programa permite registrar os tempos de reação da
criança a um estímulo visual com até décimos de segundo, uma vez que cada
segundo de um vídeo tem 30 quadros", explicou Spina.
Possíveis contribuições
O software representa uma primeira etapa de um projeto de
longo prazo, desenvolvido por um grupo multidisciplinar de pesquisadores das
áreas de Psicologia, visão computacional e aprendizado de máquina, que visa
desenvolver ferramentas de baixo custo, automáticas e de análise quantitativa
de dados, que podem ser úteis para identificar crianças com TEA mais
precocemente.
Apesar de os sintomas do autismo surgirem muitas vezes cedo
e o distúrbio comportamental poder ser diagnosticado nos primeiros anos de
vida, a idade média de diagnóstico de TEA em países como os Estados Unidos é
próxima aos 5 anos, apontam os autores do artigo.
"O software poderá contribuir para os profissionais da
área de Psicologia e pesquisadores em TEA na identificação de marcadores de
risco de autismo por meio de análises de grandes quantidades de vídeos do
comportamento natural da criança em casa ou na escola ou das próprias sessões
de avaliação clínica", disse Spina.
"Além disso, abre portas para a melhoria dos protocolos
de avaliação em curso e para descoberta de novas características de
comportamento de crianças com TEA, aumentando a granularidade das análises e
fornecendo dados em uma escala mais fina", avaliou.
Em sua pesquisa de doutorado, Spina utiliza algoritmos para
analisar a partir de vídeos um comportamento motor de posicionamento e
movimento de braços identificado como um possível novo sinal característico de
autismo.
Denominada assimetria dos braços, o comportamento foi
identificado durante estudos realizados nos últimos anos com crianças com
autismo com entre 18 meses e 24 meses de idade.
Os autores do estudo identificaram que, diferentemente do
andar de crianças sem autismo – cujos braços tendem a ficar ao lado do corpo,
em uma posição simétrica e com movimento de balanço – as crianças com autismo
apresentam uma posicionamento assimétrico dos braços, com um estendido e outro
flexionado na horizontal e para frente.
"Desenvolvemos um software para medir esse
comportamento motor específico. A ideia é expandir sua aplicação para medir
outros movimentos que também são bastante característicos de crianças com TEA,
como o balanço do tronco para frente e para trás", contou Spina.
Já o grupo de pesquisadores da Duke University desenvolve um
aplicativo para tablet que pretende substituir a forma como os testes de
atenção visual são feitos hoje. O objetivo é imitar os mesmos tipos de
interações que os testes com brinquedos e bolas medem, mas sem a necessidade de
utilizar os objetos.
"Eles estão discutindo quais tipos de comportamentos
indicativos de autismo poderiam ser identificados por esse aplicativo para
tablet", contou Spina, que não participa diretamente do projeto.
"Pretendemos dar continuidade à cooperação com o Sapiro na Duke University
em projeto conjunto após o fim do meu doutorado."
domingo, 10 de agosto de 2014
As Mãos do Meu Pai
As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...
(Mario Quintana)
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