Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.

Carl Rogers
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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Psicopata é você!


POR DANIEL MARTINS DE BARROS
ESTADÃO - 19/08/14



Depois dos best sellers “Seu chefe é um psicopata”, “Seu amigo é um psicopata” e do campeão de vendas “Seu ex-marido é um psicopata”, chegou a hora de falar a verdade: psicopatas somos todos. Ou podemos nos comportar como um.

Nos últimos dias temos vistos vários sinais de como as pessoas comuns podem agir com desprezo pelos outros, ao menos no mundo virtual. Lúcia Guimarães conta sobre a onda de insultos a Robin Willians, via twitter, depois de sua morte. Por aqui mesmo testemunhamos o mau gosto que se seguiu ao acidente com Eduardo Campos, desde os trocadilhos políticos até as selfies em seu velório. Há pouco tempo Erasmo Carlos se surpreendeu com a agressividade que as pessoas podiam demonstrar on-line, quando debochavam de sua idade. E o aplicativo Secret, no qual as pessoas podem postar qualquer coisa de forma supostamente anônima se tornou um palco de ofensas, boatos, calúnias e difamação. O que acontece, que gente tranquila, que não faz mal a ninguém no mundo real, entra nessas escaladas de agressividade nas redes socais, cometendo até mesmo crimes que não faria em outras situações?

Você já deve ter visto alguém limpando o nariz dentro do carro, tranquilamente tirando “caquinhas” até de repente dar de cara com outra pessoa. Esse momento de constrangimento, que leva o sujeito a inutilmente tentar disfarçar a nojeira, acontece porque o olhar do outro é um potente freio para nossos comportamentos menos louváveis.

Eis o grande problema do mundo virtual: a falta do olhar alheio. Nosso cérebro está adaptado para interagir face-a-face com os outros – nesse tipo de conversa recebemos uma série de informações em tempo real, se estamos agradando, se a pessoa está brava, triste, feliz, e assim ajustamos o conteúdo e também a forma de nosso discurso de forma automática e inconsciente. Isso não apenas porque queremos agradar, mas também porque ver o sofrimento do outro nos incomoda, refreando certos impulsos. Quando não temos esses freios sociais, funcionamos – em parte – como os verdadeiros psicopatas. Essas pessoas têm dificuldade para reconhecer adequadamente as emoções negativas nas expressões faciais; e são incapazes de sofrer quando vêem alguém sofrendo, por carecerem de empatia. Ora, nas redes sociais somos todos assim: não vemos as expressões de nossos interlocutores, tanto pela invisibilidade como pela assincronia do diálogo. E sem esse feedback, não sofremos com a dor alheia, já que não a testemunhamos diretamente.

Creio que essa é a grande razão para tantas pessoas assumirem atitudes antissociais diante de uma tela e um teclado, até mais do que o anonimato. Esse, juntamente com a suposta impossibilidade de ser pego, pode até fazer com alguns ajam com maldade, mas sobretudo os predispostos a isso. É como o escritor H. G. Wells ilustrou em O homem invisível. No livro um cientista se torna criminoso após adquirir invisibilidade, mas sua personalidade já era fria e algo desumana – ser invisível somente o liberou para fazer o que gostaria. O anonimato permite que o sujeito que quer ser ruim, seja. Mas não é ele que vira a cabeça dos bons cidadãos.
Claro que a maioria das pessoas não sofre uma transformação no mundo virtual. Mas não se pode ignorar que essa nova forma de interação humana, na qual o exercício da empatia fica prejudicado, está associada a mais atitudes de desprezo pelos outros. Como acredito na capacidade de adaptação humana, acho que a solução virá com o tempo. Só não sei quanto.

domingo, 25 de agosto de 2013

De volta ao café





A cafeína é a única droga psicoativa que podemos usar sem o menor sentimento de culpa. Há um ano, fiz essa afirmação nesta coluna depois de ler um artigo do "The New England Journal of Medicine", a revista médica de maior circulação mundial. Semanas atrás, a Folha resumiu um estudo publicado na revista "Mayo Clinic Proceedings" que aponta em outra direção.
Com base nessa aparente contradição, João Luiz Neves, de Curitiba, enviou para o Painel do Leitor a pergunta a mim dirigida: "E agora, doutor, como proceder?".
Somos bombardeados diariamente com mensagens de saúde conflitantes. A internet está abarrotada de sites e de e-mails que se propagam feito vírus, para exaltar os benefícios do alho, do limão, da maçã, do tomate orgânico, da berinjela e até da urinoterapia. O risco dessas informações médicas desencontradas é deixar o leitor descrente de todas.
Por essa razão, e pela importância do café em nossas vidas, vou comparar as duas pesquisas.
O estudo do "New England" foi patrocinado pelos Institutos Nacionais de Saúde, dos Estados Unidos. Nele, foram incluídos 229.119 homens e 173.141 mulheres saudáveis, com idades entre 50 e 71 anos.
De acordo com o número de xícaras tomadas diariamente, o grupo foi dividido em dez categorias.
Durante os 14 anos de acompanhamento, foram a óbito 33.731 homens e 18.784 mulheres. Depois de eliminar fatores como cigarro (especialmente), sedentarismo e obesidade, ficou claro haver uma relação inversa: quanto mais café, menor o número de mortes.
Além de diminuir a mortalidade geral, tomar café reduziu o número de óbitos por diabetes, doenças cardiorrespiratórias, derrames cerebrais, ferimentos, acidentes e infecções. As mortes por câncer não foram afetadas.
O efeito protetor foi diretamente proporcional ao número de xícaras ingeridas diariamente. A diminuição mais acentuada da mortalidade aconteceu no subgrupo de seis xícaras ou mais por dia: redução de 10% nos homens e 15% nas mulheres.
Essa associação foi independente da preferência por café descafeinado ou não, sugerindo que a proteção não ocorre por conta da cafeína.
Vamos à publicação da revista da "Mayo Clinic". Durante 17 anos, foram acompanhados 43.727 participantes. Nesse período, ocorreram 2.512 mortes, das quais 32% por doenças cardiovasculares.
Comparados com os que não tomavam café, entre os bebedores contumazes do sexo masculino --definidos como aqueles que consumiam diariamente mais de quatro canecas de oito onças (equivalentes a cerca de 240 mililitros)-- houve aumento da mortalidade geral. Nas mulheres, não houve diferença estatisticamente significativa.
Entre os participantes com menos de 55 anos, no entanto, tomar mais do que as quatro canecas por dia aumentou a mortalidade em 56% entre os homens e 113% entre as mulheres.
Não houve associação entre consumo de café e mortalidade por doenças cardiovasculares. Nesse caso, como relacioná-lo com as mortes por infecções, acidentes automobilísticos ou câncer?
Na comparação, o primeiro estudo tem evidências mais confiáveis: incluiu dez vezes mais participantes, acompanhados por período semelhante (14 versus 17 anos), que foram divididos em dez grupos em ordem crescente da quantidade de café ingerido por dia. Todos eles se beneficiaram.
No segundo estudo, só tiveram a mortalidade aumentada aqueles que tomavam mais de quatro canecas de 240 mililitros por dia. Ou seja, foi prejudicado apenas quem tomou mais de um litro por dia, durante 17 anos, em média.
É inexplicável porque as mulheres, quando analisadas globalmente, não apresentaram mortalidade mais alta, enquanto no subgrupo com menos de 55 anos o aumento foi de 113%.
O problema com ambos os estudos é que são retrospectivos: a decisão de tomar ou não café foi tomada no passado, de acordo com a vontade pessoal. O ideal é que fossem prospectivos, nos quais os participantes seriam acompanhados só depois de sorteados ao acaso para fazer parte do grupo dos abstêmios ou dos tomadores de café. Por razões óbvias, uma pesquisa com essas características jamais será realizada.
Por isso, caro João Luiz, pode tomar seu café sem remorsos. Por via das dúvidas, faça como eu e todas as pessoas de bom senso: evite beber mais do que um litro por dia.
Drauzio Varella é médico cancerologista. Por 20 anos dirigiu o serviço de Imunologia do Hospital do Câncer. Foi um dos pioneiros no tratamento da Aids no Brasil e do trabalho em presídios, ao qual se dedica ainda hoje. É autor do livro "Estação Carandiru" (Companhia das Letras). Escreve aos sábados, a cada duas semanas, na versão impressa de "Ilustrada".


domingo, 11 de agosto de 2013

Raiva é o que mais motiva homens a beberem, Segundo Estudo Americano



Homens e mulheres têm motivações diferentes para beber e suas emoções também são afetadas de maneira diversa pelo consumo do álcool, indica um estudo realizado pela Universidade de Vermont, nos EUA. As informações são do jornal “Daily Mail”.
Realizada com 246 pessoas consideradas alcoólatras, a pesquisa descobriu que a maior motivação para os homens beberem é a raiva.
Além disso, também foram analisados os níveis de felicidade e tristeza dos participantes, mas nenhuma das duas emoções foi considerada um “gatilho” específico para o consumo do álcool.
Apesar dos pesquisadores terem presumido que após beber os participantes relatariam um nível menor de tristeza e raiva, o resultado do estudo demostrou justamente o contrário.
As pessoas de ambos os sexos afirmaram estar menos felizes um dia após após beberem, mas as mulheres ficaram muito mais tristes que os homens.
Com os resultados, os pesquisadores da universidade americana afirmaram que esperam contribuir de maneira importante para o desenvolvimento de tratamentos e novos meios de prevenção do alcoolismo.


Fonte: UOL Comportamento