Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.

Carl Rogers

domingo, 31 de agosto de 2014

Caneca diferente criada por menina de 11 anos para ajudar avô com Mal de Parkinson será vendida

No primeiro semestre deste ano, uma garota de 11 anos, resolveu criar uma caneca que não apenas fosse inquebrável, mas que também não permitisse facilmente ao usuário derramar o líquido nela colocado. A motivação da menina-empreendedora era uma só: auxiliar o avô, que sofre do Mal de Parkinson.

Um copo se quebra. Os pedaços de vidro se espalham. A sujeira está formada. E o momento mais chato se aproxima: é hora de limpar tudo. Quem nunca passou por isso? E ainda por cima, ficou com receio de ter deixado alguns cacos de vidro perdidos pelo chão? Agora esse problema já pode ser solucionado graças à Lily Born, criadora de uma caneca bem diferente, a Kangaroo Cup. 

a jovem empreendedora inventou uma caneca especial para ajudar seu avô, que sofre de Mal de Parkinson. O objeto, inicialmente feito de cerâmica e depois plástico moldável, o permite comer e beber sem derrubar o líquido e, em caso de deixar a caneca cair no chão, ela não quebra. A solução encontrada pela jovem foi dar “braços” à caneca, deixando-a mais firme.


O projeto ficou conhecido no mundo todo quando a família da garota resolveu pedir dinheiro por meio do financiamento coletivo. As pessoas contribuíram e a família, que pedia US$ 25 mil (R$ 56 mil), acabou recebendo bem mais: US$ 62 mil (R$ 138 mil). Bem, com o dinheiro, a proposta da menina se transformou em uma empresa, a Imagiroo, única fabricante da caneca Kangaroo. Recentemente, a empresa colocou à disposição dos interessados um site em que é possível encomendar o produto.

De acordo com o site, as entregas devem começar em novembro deste ano. Uma caneca de cerâmica custará US$ 13 (R$ 29) e o consumidor poderá encomendar um jogo com quatro unidades por US$ 48 (R$ 107).  

Tornar-se Pessoa


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Psicopata é você!


POR DANIEL MARTINS DE BARROS
ESTADÃO - 19/08/14



Depois dos best sellers “Seu chefe é um psicopata”, “Seu amigo é um psicopata” e do campeão de vendas “Seu ex-marido é um psicopata”, chegou a hora de falar a verdade: psicopatas somos todos. Ou podemos nos comportar como um.

Nos últimos dias temos vistos vários sinais de como as pessoas comuns podem agir com desprezo pelos outros, ao menos no mundo virtual. Lúcia Guimarães conta sobre a onda de insultos a Robin Willians, via twitter, depois de sua morte. Por aqui mesmo testemunhamos o mau gosto que se seguiu ao acidente com Eduardo Campos, desde os trocadilhos políticos até as selfies em seu velório. Há pouco tempo Erasmo Carlos se surpreendeu com a agressividade que as pessoas podiam demonstrar on-line, quando debochavam de sua idade. E o aplicativo Secret, no qual as pessoas podem postar qualquer coisa de forma supostamente anônima se tornou um palco de ofensas, boatos, calúnias e difamação. O que acontece, que gente tranquila, que não faz mal a ninguém no mundo real, entra nessas escaladas de agressividade nas redes socais, cometendo até mesmo crimes que não faria em outras situações?

Você já deve ter visto alguém limpando o nariz dentro do carro, tranquilamente tirando “caquinhas” até de repente dar de cara com outra pessoa. Esse momento de constrangimento, que leva o sujeito a inutilmente tentar disfarçar a nojeira, acontece porque o olhar do outro é um potente freio para nossos comportamentos menos louváveis.

Eis o grande problema do mundo virtual: a falta do olhar alheio. Nosso cérebro está adaptado para interagir face-a-face com os outros – nesse tipo de conversa recebemos uma série de informações em tempo real, se estamos agradando, se a pessoa está brava, triste, feliz, e assim ajustamos o conteúdo e também a forma de nosso discurso de forma automática e inconsciente. Isso não apenas porque queremos agradar, mas também porque ver o sofrimento do outro nos incomoda, refreando certos impulsos. Quando não temos esses freios sociais, funcionamos – em parte – como os verdadeiros psicopatas. Essas pessoas têm dificuldade para reconhecer adequadamente as emoções negativas nas expressões faciais; e são incapazes de sofrer quando vêem alguém sofrendo, por carecerem de empatia. Ora, nas redes sociais somos todos assim: não vemos as expressões de nossos interlocutores, tanto pela invisibilidade como pela assincronia do diálogo. E sem esse feedback, não sofremos com a dor alheia, já que não a testemunhamos diretamente.

Creio que essa é a grande razão para tantas pessoas assumirem atitudes antissociais diante de uma tela e um teclado, até mais do que o anonimato. Esse, juntamente com a suposta impossibilidade de ser pego, pode até fazer com alguns ajam com maldade, mas sobretudo os predispostos a isso. É como o escritor H. G. Wells ilustrou em O homem invisível. No livro um cientista se torna criminoso após adquirir invisibilidade, mas sua personalidade já era fria e algo desumana – ser invisível somente o liberou para fazer o que gostaria. O anonimato permite que o sujeito que quer ser ruim, seja. Mas não é ele que vira a cabeça dos bons cidadãos.
Claro que a maioria das pessoas não sofre uma transformação no mundo virtual. Mas não se pode ignorar que essa nova forma de interação humana, na qual o exercício da empatia fica prejudicado, está associada a mais atitudes de desprezo pelos outros. Como acredito na capacidade de adaptação humana, acho que a solução virá com o tempo. Só não sei quanto.

domingo, 17 de agosto de 2014

Software aumenta precisão na triagem de crianças com autismo



Fonte: BONDE



Profissionais da área da Psicologia poderão contar em alguns anos com uma ferramenta de análise computacional para realizar a triagem de crianças com transtorno do espectro autista (TEA) com maior precisão.

Um grupo de pesquisadores da University of Minnesota e da Duke University, nos Estados Unidos, em colaboração com colegas do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolveu um software para análise automatizada de vídeos de testes de triagem de autismo.

Alguns dos resultados das análises dos testes feitas pelo software foram descritos na edição de junho da revista Autism Research and Treatment.

"A ideia é que o software possa contribuir para aumentar a acurácia da triagem de crianças com autismo", disse Thiago Vallin Spina, estudante de doutorado no Instituto de Computação da Unicamp e um dos autores do projeto, à Agência FAPESP.

"Nossa meta é ter uma versão do software que possa ser utilizada em escolas de educação infantil, por exemplo, para realizar a triagem de crianças com suspeita de autismo com maior precisão e encaminhá-las para a realização do diagnóstico por especialistas o mais cedo possível", afirmou Spina, que faz doutorado com Bolsa da FAPESP e orientação do professor Alexandre Xavier Falcão.

De acordo com Spina, estudos recentes apontam que muitas crianças com TEA apresentam marcadores comportamentais indicativos de autismo logo no primeiro ano de vida, tais como a dificuldade de desviar o olhar de um determinado ponto para rastrear um estímulo visual.

A fim de tentar detectar mais precocemente esses distúrbios no desenvolvimento infantil – e iniciar uma intervenção clínica intensiva – são feitos comumente três tipos de testes comportamentais, baseados na Escala de Observação de Autismo para Lactentes (AOSI, na sigla em inglês), para avaliar a atenção visual da criança.

No primeiro teste, um brinquedo sonoro é chacoalhado ao lado esquerdo da criança e, em seguida, outro brinquedo é balançado ao lado direito, a fim de avaliar o tempo que ela leva para responder ao segundo estímulo por meio do desvio do olhar.

Já no segundo teste, um brinquedo é movido horizontalmente próximo ao rosto e no campo de visão da criança, para verificar se há algum atraso em rastrear o movimento do objeto.

E no terceiro teste, uma bola é rolada em direção à criança com intuito de verificar se a criança pega a bola e estabelece contato visual e interação social com o especialista.

O problema é que esses testes ocorrem em tempo real e durante sua realização o profissional precisa não apenas controlar o estímulo, como também contar o tempo que a criança leva para reagir, o que torna o diagnóstico impreciso, segundo Spina. "O tempo de atraso da criança para reagir aos estímulos considerado nestas medidas de atenção visual é de um a dois segundos", disse.

"Por isso, o diagnóstico de TEA por meio desses testes depende em grande parte da experiência e acurácia do especialista em identificar com precisão o tempo de atraso na resposta da criança ao estímulo", disse Spina.

Medições automáticas

Para tentar aumentar a precisão dos resultados, os pesquisadores desenvolveram algoritmos (sequências de comandos) de processamento de imagens e de visão computacional, que fazem medições automáticas da atenção visual de crianças durante os testes comportamentais de triagem de TEA a partir da gravação de vídeos das sessões de avaliação.

Para isso, utilizaram gravações de vídeos de testes comportamentais durante sessões de avaliação de TEA realizados por Amy Esler, professora de Pediatria na University of Minnesota, com um grupo de 12 crianças, com idade entre 5 e 18 meses, indicadas para realização dos testes. As gravações foram feitas durante o estágio de pesquisa de Spina na universidade norte-americana, no grupo do professor Guillermo Sapiro.

"Colocamos duas câmeras convencionais de alta resolução na sala onde foram realizadas as sessões de avaliação, sendo uma posicionada no centro da mesa da professora Esler e com foco direcionado para a lateral das crianças, e outra em um canto da sala, para obter uma visão geral do comportamento das crianças durante as sessões", contou Spina.

O software foi capaz de rastrear a direção do rosto das crianças participantes dos testes comportamentais de atenção visual. Para fazer isso, o sistema computacional identificou, inicialmente, a direção dos olhos e do nariz das crianças no primeiro quadro (frame) do vídeo dos testes em relação ao objeto apresentado a elas.

Por meio de algoritmos de visão computacional, o software avaliou se a direção dos olhos e do nariz das crianças se repetia ou mudava nos quadros seguintes do vídeo.

Dessa forma, conseguiu estabelecer vetores de movimento dos olhos e do nariz da criança de um quadro para outro e, por meio de medidas geométricas, estimar em que direção ela estava olhando durante os testes em relação aos objetos – se em direção a eles ou não.

"Como sabia em que direção a criança estava olhando no primeiro quadro do vídeo e qual a posição do objeto, o software foi capaz de rastrear os movimentos dos olhos da criança e indicar se apresentavam ou não um correlação com a direção do brinquedo", explicou Spina.

Os resultados das análises dos vídeos feitas pelo software foram comparados com a avaliação clínica feita por Esler com base na observação em tempo real dos testes e nos próprios vídeos – sem terem passado pelas análises do software – e com as de dois estudantes de graduação em Psicologia e uma psicóloga não especializada em autismo.

A comparação mostrou que o programa foi capaz de detectar sinais comportamentais indicativos de autismo tão bem quanto a especialista e melhor do que a psicóloga e os estudantes de Psicologia.

"O programa permite registrar os tempos de reação da criança a um estímulo visual com até décimos de segundo, uma vez que cada segundo de um vídeo tem 30 quadros", explicou Spina.

Possíveis contribuições

O software representa uma primeira etapa de um projeto de longo prazo, desenvolvido por um grupo multidisciplinar de pesquisadores das áreas de Psicologia, visão computacional e aprendizado de máquina, que visa desenvolver ferramentas de baixo custo, automáticas e de análise quantitativa de dados, que podem ser úteis para identificar crianças com TEA mais precocemente.

Apesar de os sintomas do autismo surgirem muitas vezes cedo e o distúrbio comportamental poder ser diagnosticado nos primeiros anos de vida, a idade média de diagnóstico de TEA em países como os Estados Unidos é próxima aos 5 anos, apontam os autores do artigo.

"O software poderá contribuir para os profissionais da área de Psicologia e pesquisadores em TEA na identificação de marcadores de risco de autismo por meio de análises de grandes quantidades de vídeos do comportamento natural da criança em casa ou na escola ou das próprias sessões de avaliação clínica", disse Spina.

"Além disso, abre portas para a melhoria dos protocolos de avaliação em curso e para descoberta de novas características de comportamento de crianças com TEA, aumentando a granularidade das análises e fornecendo dados em uma escala mais fina", avaliou.

Em sua pesquisa de doutorado, Spina utiliza algoritmos para analisar a partir de vídeos um comportamento motor de posicionamento e movimento de braços identificado como um possível novo sinal característico de autismo.

Denominada assimetria dos braços, o comportamento foi identificado durante estudos realizados nos últimos anos com crianças com autismo com entre 18 meses e 24 meses de idade.

Os autores do estudo identificaram que, diferentemente do andar de crianças sem autismo – cujos braços tendem a ficar ao lado do corpo, em uma posição simétrica e com movimento de balanço – as crianças com autismo apresentam uma posicionamento assimétrico dos braços, com um estendido e outro flexionado na horizontal e para frente.

"Desenvolvemos um software para medir esse comportamento motor específico. A ideia é expandir sua aplicação para medir outros movimentos que também são bastante característicos de crianças com TEA, como o balanço do tronco para frente e para trás", contou Spina.

Já o grupo de pesquisadores da Duke University desenvolve um aplicativo para tablet que pretende substituir a forma como os testes de atenção visual são feitos hoje. O objetivo é imitar os mesmos tipos de interações que os testes com brinquedos e bolas medem, mas sem a necessidade de utilizar os objetos.

"Eles estão discutindo quais tipos de comportamentos indicativos de autismo poderiam ser identificados por esse aplicativo para tablet", contou Spina, que não participa diretamente do projeto. "Pretendemos dar continuidade à cooperação com o Sapiro na Duke University em projeto conjunto após o fim do meu doutorado."

domingo, 10 de agosto de 2014

As Mãos do Meu Pai



poemas de mario quintana para o dia dos pais
As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...
(Mario Quintana)