Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.

Carl Rogers

domingo, 28 de julho de 2013

Cientistas elaboram Teste de Quatro perguntas para Detectar Depressão



Tristeza, indisposição, cansaço e pessimismo são alguns dos sintomas da depressão, doença que atinge mais de 350 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A OMS estima que, até 2030, a doença seja a mais comum em todo o mundo. No Brasil, mais de 10% da população sofre de depressão. O país apresentou a maior taxa de incidência da doença em estudo da OMS realizado em 18 países, incluindo França, Alemanha, Colômbia, México, Índia e China.
Segundo a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, a depressão era a quinta doença de maior ocorrência no país em 2008. Apenas 37% das pessoas que sofrem da doença no Brasil recebem algum tipo de tratamento, diz a OMS.
Inventário de Depressão de Beck
Testes disponíveis na internet podem auxiliar a identificar a depressão, por meio de questionários com perguntas sobre condições psicológicas.
A maioria desses testes é baseada no Inventário de Depressão de Beck (BDI), um questionário com cerca de 20 perguntas relacionadas a sintomas que apareceram nas últimas duas semanas, como tristeza, pessimismo, sentimento de falha e culpa, perda de alegria e de interesse, pensamentos suicidas, irritabilidade, perturbação, fadiga, abulia e diminuição da libido.
O método BDI avalia, por meio de uma escala, o nível da depressão em pacientes a partir dos 13 anos de idade. Para cada pergunta são dadas quatro opções de resposta, que vão do “nunca” até o “sempre”. Em poucos minutos é possível obter um pequeno diagnóstico. Se o resultado revelar algum grau de depressão, é aconselhável a consulta com um médico ou psicólogo.
Diagnóstico em quatro perguntas
Mas a maioria dos afetados não sabe identificar os sintomas e ignora que está doente. Um novo teste desenvolvido pelo Instituto Max Planck para Pesquisas em Educação de Berlim pode auxiliar no diagnóstico e contribuir para que pacientes recebam rapidamente um tratamento adequado.
As quatro perguntas Teste de quatro perguntas para detectar depressão em mulheres jovens
·         Nesta semana, você chorou com mais frequência do que antes?

·         Nesta semana, você se sentiu desapontado consigo mesmo ou se odiou?

·         Nesta semana, você encarou o futuro com mais desânimo?

·         Nesta semana, você teve a impressão de ser um fracassado?

Fonte: Instituto Max Planck para Pesquisas em Educação
Segundo os pesquisadores, o novo teste possibilita um diagnóstico seguro de depressão com apenas quatro perguntas. “A simplicidade do teste nos permite explicá-lo de forma simples e compreensível tanto para médicos como para pacientes”, disse à Deutsche Welle a coordenadora do estudo, Mirjam Jenny.
As quatro perguntas são: nesta semana, você chorou com mais frequência do que antes? Nesta semana, você se sentiu desapontado consigo mesmo ou se odiou? Nesta semana, você encarou o futuro com mais desânimo? Nesta semana, você teve a impressão de ser um fracassado?
Se todas as perguntas forem respondidas com sim, há sinais de depressão e o clínico geral deve encaminhar o paciente a um especialista. Segundo Jenny, a rapidez é um argumento importante a favor do novo teste, apesar de os testes BDI levarem menos de dez minutos. “Os médicos têm cada vez menos tempo, e principalmente em situações de emergência a rapidez é importante”, afirma Jenny.
Só para mulheres
O novo teste foi baseado num estudo realizado com 1.300 mulheres entre os 18 e 25 anos, o que o torna limitado na sua aplicação: ele só é indicado para mulheres, especialmente nessa faixa etária.
“Para os homens ainda precisamos desenvolver um teste específico, principalmente reformulando a pergunta sobre chorar. Devido à cultura, homens são menos propensos a chorar ou admitir que choram”, diz Jenny.
De qualquer maneira, o teste rápido não garante um diagnóstico definitivo. “Esse só pode ser dado pelo psicólogo ou psiquiatra”, diz Jenny. Mas pode auxiliar profissionais sem formação médica ou psicológica na identificação precoce da depressão, por exemplo em escolas ou instituições militares.

Fonte: Terra

sábado, 20 de julho de 2013

Portaria do Ministério da Saúde insere Psicologia no Tratamento da Obesidade

A Psicologia foi inserida nas ações para tratamento da obesidade nas unidades de saúde. A informação está na Portaria nº 424, de 19 de março de 2013, publicada no Diário Oficial da União em 28 de junho, pelo Ministério da Saúde (MS). O dispositivo redefine as diretrizes para a organização da prevenção e do tratamento de sobrepeso como linha de cuidado prioritário da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas.
A portaria esclarece que a cirurgia bariátrica é indicada para pessoas que apresentem índice de massa corporal acima de 40 kg/m² ou que tenham alto risco de risco cardiovascular, diabetes mellitus ou hipertensão arterial sistêmica, de difícil controle, apneia do sono, doenças articulares degenerativas, sem sucesso no tratamento clínico realizado por no mínimo dois anos e que tenham seguido protocolos clínicos.
Para realizar os procedimentos, a portaria estabelece uma equipe mínima de exigências gerais para o Serviço de Assistência de Alta Complexidade ao Indivíduo com Obesidade composta por psicólogo (a) ou psiquiatra, médico especialista em cirurgia geral ou cirurgia do aparelho digestivo, nutricionista, clínico-geral ou endocrinologista. Esses profissionais deverão estar presentes em todas as etapas do atendimento, desde o preparo pré-operatório até o pós-cirúrgico, para restituição da capacidade psicológica e funcional do paciente.
A assistência ao pós-operatório da cirurgia para obesidade inclui um tratamento na rede de saúde com duração de até 18 meses, acompanhado por equipes multidisciplinares. O tratamento será realizado por meio de orientação e apoio para mudança de hábitos, realização de dieta, atenção psicológica, prescrição de atividade física e, se necessário, farmacoterapia – o procedimento realizado nas redes de atenção básica ou ambulatorial especializada.
De acordo com a norma publicada pelo MS, o estabelecimento de saúde a ser credenciado ou habilitado para atender pacientes com obesidade deve oferecer tratamento especializado que leve em conta, entre outras ações, reabilitação, suporte e acompanhamento por meio de procedimentos específicos que promovam a melhoria das condições físicas e psicológicas do paciente.

Fonte: Sindicato dos Psicólogos

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Estado de São Paulo cria programa de combate à violência contra a pessoa com deficiência




Assinado no último dia 21 de junho, o Decreto nº 59.316 cria o Programa Estadual de Prevenção e Combate à Violência contra a Pessoa com Deficiência.
Instituído pelo governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, o programa visa articular ações para ampliar e aperfeiçoar a notificação de casos de violência contra as pessoas com deficiência, além de fortalecer a rede de proteção social; assegurar o exercício dos direitos e o respeito a cidadania da pessoa com deficiência; e implantar medidas de defesa dos direitos, da prevenção e do combate a violência contra essas pessoas.
O programa será gerido por uma Comissão de Acompanhamento e Monitoramento com coordenação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Em sua equipe, a Comissão contará com representantes das Secretarias Estaduais da Saúde; do Desenvolvimento Social; da Segurança Pública; da Educação; e da Justiça e da Defesa da Cidadania. O Ministério Público do Estado de São Paulo e a Defensoria Público também terão representantes participando da Comissão.

CENÁRIO
Os dados internacionais da Organização Mundial de Saúde sobre violência em relação às pessoas com deficiência revelam que, em alguns países, um quarto desse público sofre maus-tratos. Além disso, pesquisas mostram que a violência praticada contra quem tem deficiência é maior que em relação às pessoas sem deficiência. Observa-se que essa prática está associada a fatores sociais, culturais e econômicos da sociedade que vê a deficiência como algo negativo. Notícias das promotorias de defesa de pessoas com deficiência revelam que quem tem deficiência intelectual está mais vulnerável a agressões.

GT SOBRE VIOLÊNCIA
Desde junho do ano passado a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo passou a promover reuniões do Grupo de Trabalho sobre Prevenção e Combate à Violência contra as Pessoas com Deficiência.
A iniciativa para a formação do Grupo de Trabalho surgiu após o recebimento de 208 denúncias de abusos e maus tratos às pessoas com deficiência enviadas ao Disque 100 no período de um ano (dados de fevereiro de 2011 a fevereiro de 2012). Somente no primeiro semestre de 2013 cerca de 500 denúncias foram registradas. O Disque 100 é um número de telefone que o governo federal disponibilizou para registro de denúncias sobre pessoas que sofrem violência.
As reuniões do GT subsidiaram a criação do Programa Estadual de Prevenção e Combate à Violência contra Pessoas com Deficiência. O grupo é formado por oito instituições governamentais: as Secretarias de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, da Saúde, da Educação, da Justiça e da Defesa da Cidadania, de Desenvolvimento Social, da Segurança Pública, Defensoria Pública e do Ministério Público do Estado da São Paulo. 
Desde o início deste ano, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência decidiu que o tema deveria receber tratamento prioritário e montou uma equipe interna, que fez reuniões e visitas a pessoas e entidades envolvidas no recebimento de denúncias de casos de violência. Como conclusão deste trabalho, a Secretaria apresentou diagnóstico com base nos três meses de pesquisa junto às entidades envolvidas no tema, além de propostas concretas de atuação.

Íntegra do Decreto:
Decreto nº 59.316, de 21 de junho de 2013 de São Paulo
Institui o Programa Estadual de Prevenção e Combate à Violência contra Pessoas com Deficiência e dá providências correlatas
GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO, no uso de suas atribuições legais, e à vista da exposição de motivos da Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Decreta:
Artigo 1º - Fica instituído, junto à Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Programa Estadual de Prevenção e Combate à Violência contra Pessoas com Deficiência. Artigo 2º - Constituem objetivos do Programa Instituído pelo artigo 1º deste decreto:
I - articular ações no sentido de ampliar e aperfeiçoar a notificação de casos de violência contra pessoas com deficiência; 
II - fortalecer a rede de proteção social e autonomia da pessoa com deficiência, a fim de prevenir a ocorrência de tais casos, combater suas causas e efeitos;
 
III- assegurar o exercício dos direitos e o respeito à cidadania das pessoas com deficiência;
 
IV - promover os direitos humanos e o respeito à diversidade;
 
V - reduzir a ocorrência de condutas e atos de violência, intolerância e discriminação;
 
VI - implantar a curto, médio e longo prazos, as medidas de defesa dos direitos, prevenção e combate à violência contra pessoas com deficiência.
Artigo 3º - O Programa objeto deste decreto será gerido por uma Comissão de Acompanhamento e Monitoramento, que será composta pelos seguintes representantes:
I - 2 (dois) da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que coordenará os trabalhos; 
II - 2 (dois) da Secretaria da Saúde;
 
III - 2 (dois) da Secretaria de Desenvolvimento Social;
 
IV - 2 (dois) da Secretaria da Segurança Pública;
 
V - 2 (dois) da Secretaria da Educação;
 
VI - 2 (dois) da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania.
§ 1º - Os membros da Comissão serão designados pelo Secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência, mediante resolução, por indicação dos Titulares das Pastas referidas nos incisos II a VI deste artigo. 
§ 2º - Serão também convidados a participar da Comissão, o Ministério Público do Estado de São Paulo e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que igualmente indicarão 2 (dois) representantes.
 
§ 3º - As funções de membro da Comissão não serão remuneradas, mas consideradas como serviço público relevante.
Artigo 4º - Para consecução de sua finalidade, a Comissão poderá, por intermédio do Titular da Pasta dos Direitos da Pessoa com Deficiência:
I - promover a articulação entre os órgãos e entidades envolvidos na implementação das ações programáticas; 
II - colaborar para a estruturação de Planos Municipais de Prevenção e Combate à Violência contra Pessoas com Deficiência;
 
III - fixar e rever prazos para implementação das ações;
 
IV - estabelecer indicadores para o acompanhamento, monitoramento e avaliação dos Planos;
 
V - acompanhar a implementação das ações e recomendações;
 
VI - elaborar e aprovar seu regimento interno;
 
VII - promover consultas e audiências públicas.
§ 1º - A Comissão poderá constituir Subcomitês Temáticos para a execução de suas atividades, que poderão contar com a participação de representantes de outros órgãos e entidades da Administração Pública estadual, mediante convite. 
§ 2º - A Comissão poderá convidar representantes dos demais Poderes, da sociedade civil e dos entes federados para participar de suas reuniões e atividades, de forma a contribuírem com seus conhecimentos para o desenvolvimento das ações planejadas.
 
§ 3º - Caberá à Comissão estabelecer as diretrizes do Programa, organizar ações, definindo seus prazos e indicar medidas necessárias ao cumprimento dos seus objetivos, assim como subsidiar os planos municipais.
 
§ 4º - Semestralmente, a Comissão divulgará resumo do Relatório de Resultados do Programa no Diário Oficial do Estado e, na integra, no site da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Artigo 5º - As diretrizes e metas de cada Secretaria serão objeto de Resolução Conjunta que será publicada pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência em 30 (trinta) dias contados da publicação deste decreto.
Artigo 6º - Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Palácio dos Bandeirantes, 21 de junho de 2013

GERALDO ALCKMIN

sábado, 13 de julho de 2013

FONOAUDIÓLOGAS DESENVOLVEM QUESTIONÁRIO PARA PAIS E CUIDADORES DE AUTISTAS IDENTIFICARAM DIFICULDADES DE COMUNICAÇÃO

A aplicação de um questionário para identificação das dificuldades de comunicação de crianças autistas, desenvolvido pelas pesquisadoras Juliana Izidro Balestro e Fernanda Dreux Miranda Fernandes para auxiliar pais e cuidadores, encontrou diferenças na percepção e atitude de pais de crianças do espectro do autismo e de crianças sem queixa de linguagem, em relação às dificuldades de comunicação com seus filhos.
O questionário foi criado para a pesquisa “Questionário sobre dificuldades comunicativas percebidas por pais de crianças do espectro do autismo”, das qual participaram 40 pais, 20 pais de crianças do espectro do autismo e 20 pais de crianças sem queixas de linguagem. Foi calculado o nível de concordância das questões e os resultados dos grupos foram comparados entre si.
O questionário é dividido em quatro partes: a primeira é referente à impressão dos pais e/ou cuidadores sobre eles próprios em relação a seus filhos, a segunda engloba a percepção dos pais em relação à aceitação das pessoas para com seus filhos, a terceira, a atitude dos pais e/ou cuidadores com seus filhos, e a quarta, a impressão dos pais e/ou cuidadores em relação aos seus filhos.
O questionário traz 25 questões, 24 fechadas, contemplando os quatro domínios, e uma aberta, onde há espaço para que os pais e/ou cuidadores relatem algo relevante para eles e que não tenha sido perguntado.
As pesquisadoras destacam que as alterações de comunicação em indivíduos do espectro do autismo variam entre a ausência de fala em crianças com mais de três anos, a presença de características peculiares, como ecolalia, inversão pronominal, discurso descontextualizado, ausência de expressão facial e até o desaparecimento repentino da fala. “Essas alterações aparecem na literatura como uma das primeiras preocupações dos pais dessas crianças”, afirmam.
Outra questão fundamental nos distúrbios do espectro do autismo, de acordo com o estudo, é a percepção dos pais com relação à aceitação de seus filhos por outras pessoas. “Estudos revelam que a estigmatização pode levar à depressão, à auto- estima reduzida e ao isolamento social”.
Confira a pesquisa completa em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342012000300008&lng=pt&nrm=iso



quinta-feira, 4 de julho de 2013

Filhos devem Respeitar Hábitos dos Pais Idosos e nunca Infantilizá-los, Afirma Especialista

Todos adquirimos hábitos ao longo da vida. E, a cada ano, adquirimos novos, que podem ser irritantes para as pessoas que nos cercam. É frequente que os filhos, quando adultos, comecem a questionar esses hábitos dos pais idosos e tente mudá-los, com a boa intenção de fazer os mais velhos viverem com mais qualidade. Mas é preciso saber diferenciar quando é necessário intervir ou quando não passa de um desejo egoísta de impor as próprias vontades.
A associação entre idoso e mania é amplamente disseminada e tem um cunho caricatural, diz a professora Adriana Braga de Castro Machado, geriatra da FMB – Unesp (Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho). “Na terceira idade, é possível que haja uma intensificação de traços da personalidade. Mas é incomum que alguém de fácil convivência quando adulto se torne um idoso ranzinza e cheio de manias”, afirma.
Segundo ela, nem sempre novos hábitos são negativos. “Atitudes comuns, como, por exemplo, ser mais sistemático em sua rotina, pode trazer benefício ao idoso, como o de não esquecer de coisas importantes”, afirma.
De acordo com o geriatra Alexandre Leopold Busse, do Serviço de Gerontologia do Hospital Sírio-Libanês, alguns comportamentos podem se acentuar ao longo da idade e são mais difíceis de mudar, mas eles nem sempre são preocupantes.
“Só passa a ser problemático quando expõe a pessoa a um risco. Se o idoso precisa de avaliação médica e se recusa a fazê-la, se já não pode mais morar sozinho e não permite que isso mude, por exemplo”, diz ele.
Nesses casos, é comum que os filhos vivam um dilema. “Da mesma forma que é preciso ter atitudes para proteção e evitar riscos, não se pode tirar autonomia e a independência dos idosos, pois isso compromete a funcionalidade e a produtividade deles”, diz Busse.
Mas é melhor para eles…
É natural que os filhos queiram que os pais vivam da maneira mais saudável e confortável possível. No entanto, nem sempre os pais estão de acordo com as mudanças propostas. Como saber se você realmente deveria fazer algo para ajudá-los?
Segundo o geriatra Salo Buksman, da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), não se deve obrigar os pais idosos lúcidos a aceitar uma vontade sua, mesmo que você esteja certo de que isso isso trará benefícios a eles. “Invadir o espaço alheio e impor limites faz muito mal. Você pode até garantir que eles se exponham menos a riscos, mas o trauma psicológico é muito grande”, diz ele.
Conversa entre adultos
Para que a transformação desejada de fato aconteça, é preciso abordar os pais com muito cuidado, sem fazer com que eles sintam que perderam parte da autonomia. Segundo Adriana, uma conversa franca, afetuosa e respeitosa é o melhor começo. E, exceto quando há limitações cognitivas, a palavra final deverá ser sempre a do idoso.
De acordo com Busse, é preciso sempre perguntar a opinião do idoso e apresentar-lhe os benefícios que a mudança traria na sua qualidade de vida. Se ele negar, pergunte quais os motivos dessa decisão e tente entendê-lo. “É preciso derrubar as barreiras de uma forma respeitosa, e o idoso deve participar de todo o processo de decisão”, diz ele.
Segundo ele, aceitar ou rejeitar sua sugestão vai depender da forma como você conduz a conversa. “Impor algo a alguém é ruim em qualquer idade. Os filhos devem ver que o idoso é só um adulto mais velho. Se ele mantém a lucidez, não pode ser tratado como criança ou como um incapaz. Isso o deixa irritado e ele não aceita mais sugestões que a família tem para dar”, diz ele.
Mudança gradual
Para Busse, é preciso promover uma adaptação gradual dos pais à nova fase da vida e suas limitações. “O ideal é não fazer as mudanças drasticamente. A melhor maneira é conversar e fazer adaptações. O idoso acaba entendendo que precisa daquilo e aceita”, diz o geriatra.
Se ele apresenta sinais de que não deve mais morar sozinho, mas exige ter independência, por exemplo, o ideal é contratar alguém que possa fazer o almoço para ele e, aos poucos, passe mais tempo cuidando do lar. Faça uma experiência antes de cogitar a possibilidade de uma pessoa que cuide dele diariamente. Se já estiver com dificuldades para dirigir, os filhos devem sempre acompanhá-lo no carro. Se o problema é com a matemática, mas ele insiste em administrar a própria conta bancária, ofereça ajuda sem que ele pense que você duvida da autonomia dele.
“Mesmo com tantas precauções, infelizmente, não conseguimos proteger os pais de um espertalhão que pode dar um golpe e levar o dinheiro deles, por exemplo”, diz Buksman. A preocupação do especialista tem embasamento científico. Segundo uma pesquisa da UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles), publicada em dezembro de 2012, idosos são mais suscetíveis a trapaceiros. Isso porque eles não reagem tão rapidamente a indícios visuais que sugerem que uma pessoa pode não ser confiável.
Mesmo com tantos riscos, é preciso ter em mente que os idosos devem sempre ter o direito de decidir o que é melhor para eles. “Se você começar a protegê-los de tudo e fazer tudo por eles, os pais vão começar a ficar sempre em casa. E logo estarão isolados”, afirma.
Contornando hábitos
De acordo com Adriana, sempre que mostramos interesse à história de vida e reforçamos a importância da autonomia dos idosos, conseguimos estabelecer um bom canal de comunicação, baseado na confiança e no respeito.
Segundo ela, algumas situações são propícias para levar ao isolamento dos idosos: ambiente familiar pouco atrativo e estimulante para eles, convívio com pessoas que não demonstram real interesse em suas ideias e opiniões ou dificuldade de comunicação por uma limitação (ex.: problema auditivo).
Nessas situações, o melhor que os filhos podem fazer é estarem presentes. “A companhia é o melhor remédio. A solidão e a as inúmeras perdas levam os idosos a se afastar. É preciso visitá-los todos os dias, levá-los para sair, incentivá-los a fazer hidroginástica ou dança de salão. É comum que filhos e netos não tenham tempo para eles, e esse isolamento social é provocado pelo abandono”, diz Buksman.
Há, também, aqueles que têm essa atitude por estarem deprimidos. Caso o comportamento persista, é preciso consultar um médico para diagnosticar o quadro.
Por outro lado, há aqueles que se recusam a diminuir o ritmo de atividades e acabam colocando a saúde em risco.
“Quando o idoso realiza ações arriscadas para si ou para terceiros é preciso solicitar ajuda ao médico. Só ele poderá mostrar quais são as consequências de continuar realizando atividades não mais adequadas”, diz Adriana.
“A solução para idosos muito ativos que não aceitam ajuda é pensar em saídas inteligentes, como colocar objetos em locais que não exijam que ele suba em uma escada, instalar um dispositivo que desligue automaticamente o gás depois de muito tempo aberto, colocar barras no banheiro, corrimão nas escadas etc.”, diz Busse.
É preciso também ficar atento a outras manias que podem ser um alerta para um problema de saúde mais grave. Segundo Busse, guardar coisas em excesso pode estar relacionada a um transtorno de ansiedade, por exemplo.
Situações que exigem o diagnóstico e o tratamento de um médico permitem certa insistência com os pais. Por mais que o idoso se recuse a ir a um hospital, se ele apresenta sintomas como tosse persistente e febre alta, é preciso que ele seja examinado. Mas há uma solução: levar o médico até ele. “Essa é a última opção. Sempre tente sensibilizá-lo, sem obrigá-lo a fazer algo”, diz ele.
É fundamental que o idoso participe ativamente, junto com familiares, de consultas médicas de rotina, compreendendo e opinando sobre possíveis tratamentos. “Por vezes, o que o filho julga ser o maior problema, pode não ser para o pai. Vale sempre discutir essas dúvidas com o médico assistente”, diz Adriana.
“A maioria dos idosos é capaz de tomar decisões e fazer julgamentos pertinentes sobre como conduzir sua vida, incluindo sua saúde e autonomia”, afirma.