Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.

Carl Rogers

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Para Psiquiatra, Jovem de 16 anos tem Maturidade para Escolher entre Cometer ou Não um Crime.




Diante dos avanços tecnológicos e sociais que favorecem a globalização e estimulam o desenvolvimento precoce, o jovem dos dias de hoje é muito diferente do adolescente de 1940, quando o Código Penal estabeleceu a maioridade penal a partir dos 18 anos. Para a psiquiatra forense Kátia Mecler, esse limite poderia ser diminuído para 16 anos, idade em que, segundo ela, o jovem já é capaz de entender o caráter ilícito de um ato e escolher entre praticá-lo ou não.
— Quando esse limite foi definido, há 70 anos, vivíamos uma época muito diferente. Hoje, o mundo é absolutamente permeado pela comunicação, por tecnologias avançadas, por estímulos intensos desde cedo e a gente percebe claramente que o desenvolvimento acelera também, ainda que a maturidade seja um processo longo, que pode durar uma vida inteira.
Kátia Mecler, vice-coordenadora do Departamento de Ética e Psiquiatria Legal da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), destacou que a redução da maioridade penal é uma tendência, principalmente, em países desenvolvidos que, geralmente, baseiam-se apenas no elemento cognitivo, ou seja, na capacidade do jovem de compreender se um ato é ilícito. Ela explicou que no Brasil também é considerado o elemento volitivo — a capacidade do jovem de decidir se irá praticar ato que compreende ser ilícito.
— O fato é que não existe um consenso, do ponto de vista mundial, que seja absolutamente científico para definir essa idade ideal. Ainda é um tema conduzido com tentativa e erro [...] No próprio Brasil, em códigos penais anteriores, eram imputáveis jovens a partir de 14 anos. Já tivemos uma maioridade menor, elevamos o patamar e, talvez, seja a hora de reduzir um pouco.
O debate sobre a redução da maioridade penal voltou à tona nos últimos dias, após o assassinato do estudante Victor Hugo Deppman, 19 anos, durante um assalto em frente à sua casa no bairro de Belém, zona leste de São Paulo. O agressor era um adolescente de 17 anos que completou 18 dias depois. Com isso, ele cumprirá pena socioeducativa, pois o crime foi cometido quando ainda era menor.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que seu partido, o PSDB, deve apresentar ao Congresso um projeto para tornar mais rígido o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Uma das propostas é ampliar para oito anos o período de internação do menor infrator. Hoje, o tempo máximo de internação é três anos.
Fonte: R7.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Psicólogo lista Profissões que mais Atraem Psicopatas






Segundo pesquisa do psicólogo Kevin Dutton, da Universidade de Oxford, Reino Unido, os psicopatas são pessoas essencialmente frias, egocêntricas, manipuladoras, impulsivas e antissociais. E os que sofrem dessa psicopatia tem predileção por algumas profissões. Em geral são cargos que exigem tomadas de decisões e com isso satisfazem a maior necessidade dos psicopatas: poder.
  O Doutor Dutton compilou suas descobertas em um livro chamado The Wisdom of Psychopaths: What Saints, Spies, and Serial Killers Can Teach Us About Success [A Sabedoria dos Psicopatas: O que santos, espiões e assassinos em série podem nos ensinar sobre o sucesso]. Lançado no final do ano passado, o livro tem gerado polêmica por suas afirmações.
 Ele apresenta uma breve lista das profissões que parecem atrair mais psicopatas. Em primeiro lugar vêm os presidentes de empresas, o que pode ser comprovado por muita gente. Mas a presença de lideres religiosos no “Top 10” irritou muita gente nos EUA. Segundo Kevin Dutton, os psicopatas preferem as seguintes profissões:
 1. Presidentes de empresa (CEOs)
 2. Advogados
 3. Profissional de rádio e tevê
 4. Vendedor
5. Cirurgião
 6. Jornalista
 7. Policial
 8. Sacerdotes (pastores e padres)
 9. Chef de cozinha
 10. Funcionários públicos
 Por outro lado, cargos que exigem mais aproximação, sem oferecer status ou poder, tendem a afastar esse tipo de pessoa. Eis a lista das profissões menos procuradas por psicopatas.
 1. Cuidador de idosos
 2. Enfermeira/o
 3. Terapeuta
 4. Artesão
 5. Estilista
 6. Voluntário
 7. Professora
 8. Artista
 9. Médico (exceto cirurgiões)
 10. Contador
 O doutor Kevin Dutton explica que existe uma escala de “loucura”, onde todo mundo poderia se enquadrar. Porém, seu objetivo é analisar os chamados “psicopatas funcionais”. Ou seja, não significa que todos os que ele classifica como psicopata são assassinos frios, mas revelam um comportamento que realmente os ajuda a terem sucesso. Acima de tudo, o autocontrole é o que se destaca no perfil das pessoas estudadas por Dutton. Além disso, eles lidam melhor com sentimentos básicos como medo e tristeza.
 Dutton desenvolve sua teoria de que a sociedade atual como um todo valoriza mais os psicopatas do que nunca. Afinal, pessoas com esse perfil tendem a ser destemidas, confiantes, carismáticas, e focadas, qualidades altamente valorizadas no século XXI. O psicólogo afirma que fez dezenas de exames e tratou centenas de pessoas antes de tentar estabelecer o que caracteriza, de fato, um psicopata perigoso para a sociedade. Segundo ele, cerca de 10% da população nasce com alguma forma de psicopatia. Com informações Guardian e Huffington Post.
 Fonte: GospelPrime

domingo, 14 de abril de 2013

IDENTIDADE VERSUS CONFUSÃO DE PAPÉIS - ADOLESCENCIA



Identidade versus Confusão de Papéis: a Adolescência em Erik Erikson
 Escrito por: Cida Melo                     
O quinto estágio da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial de Erikson, que se dá entre os 12 e os 18 anos, ganha contornos diferentes devido à crise psicossocial que nele acontece, ou seja, Identidade Versus Confusão. Neste contexto o termo crise não possui uma acepção dramática, por  tratar-se de a algo pontual e localizado com pólos positivos e negativos.
Esta 5ª idade localiza-se aproximadamente dos 12 aos 18/20 anos, ou seja, na adolescência, precisamente na idade em que na vertente positiva, o adolescente vai adquirir uma identidade psicossocial, isto é, compreende a sua singularidade, o seu papel no mundo.
O jovem experimenta uma série de desafios que envolvem suas atitudes para consigo,  com seus amigos, com pessoas do sexo oposto, amores e a busca de uma carreira e de profissionalização. Na medida em que as pessoas à sua volta ajudam na resolução dessas questões desenvolverá o sentimento de identidade pessoal, caso não encontre respostas para suas questões pode se desorganizar, perdendo a referência.
Neste estágio, os indivíduos estão recheados de novas potencialidades cognitivas, exploram e ensaiam estatutos e papéis sociais, devido à sociedade fornecerem este espaço de experimentação ao adolescente. É neste âmbito que ressalta um dos conceitos eriksonianos que ajuda a conferir tanta relevância a este estágio, ou seja, a moratória psicossocial, período de pausa necessária a muitos jovens, de procura de alternativas e de experimentação de papéis, que vai permitir um trabalho de elaboração interna.
Sendo assim o adolescente antecipa o seu futuro, explora alternativas, experimenta, dá um tempo. As necessidades pessoais, as exigências socioculturais e institucionais caracterizam a moratória.
As complicações inerentes ao desenvolvimento da identidade nas sociedades modernas tem criado um espaço necessário para a reflexão e o exercício de diversos papéis antes da finalização deste processo.
Um grande número de adolescentes, tem uma evolução incompleta por terem entrado excessivamente rápido na vida adulta, sem um amadurecimento interior, que só poderia ter sido facultado por uma boa vivência neste estágio e nos seus diferentes aspectos.
Embora a construção da identidade se realize ao longo do ciclo da vida, constitui uma tarefa específica desta idade, o sentimento da identidade, o qual é conforme Erikson o sentimento de ser o mesmo ao longo da vida, atravessando mudanças pessoais e ocorrências diversas. A identidade dá assim um sentido histórico à existência, a qual se constrói tendo por base as representações feitas sobre nós, bem como as interações e os confrontos entre as representações que os outros fazem de nós e as que nós fazemos de nós próprios. O agente interno ativador na formação da identidade é o Ego, em seus aspectos conscientes e inconscientes.

O ego neste estágio tem a peculiaridade de apurar e inteirar talentos, aptidões e habilidades na identificação com pessoas semelhantes a nós e na acomodação ao ambiente social. A chave para a resolução da crise de identidade que pode fazer com que o adolescente se sinta isolado, vazio, ansioso e indeciso, reside assim, na interação com pessoas significativas, que são escolhidas e são parte integrante da construção da sua identidade adulta.
Os problemas no desenvolvimento da identidade podem culminar numa identidade difusa, caracterizada por uma noção do eu incoerente, desarticulada e incompleta, numa identidade bloqueada, caracterizada pelanão permissão do período normal de moratória por questões sociais, familiares e/ou pessoais e finalmente numa identidade negativa, em que o adolescente seleciona identidades que são indesejáveis para a família e sua comunidade.
O versus negativo menciona os aspectos, sentimentos relacionados à confusão/difusão de quem ainda não se descobriu a si próprio, e não sabe o que pretende, tendo dificuldade em optar.
É de se referir que nesta idade emergem um conjunto particular de valores a que Erikson denominou por fidelidade; capacidade de manter lealdades livremente empenhadas, apesar das inevitáveis contradições dos sistemas de valor, assim como, na reta final da adolescência é que se obtém uma “identidade realizada”, igualmente conhecida por identidade adquirida.
Os estágios não podem ser compreendidos como períodos isolados, pois as fases anteriores irão deixar marcas que vão influenciar a forma como se vivência esta crise, desembocando uma perspectiva histórica na qual o adolescente se vai perceber e integrar elementos identitários adquiridos nas idades anteriores. Tem-se por exemplo a identidade, que se forma numa continuidade e une as diferentes transformações num processo cumulativo de desenvolvimento



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Grupo Bradesco Seguros e ProDeaf lançam aplicativo para deficientes auditivos



Houve em 02 de abril, o lançamento do ProDeaf Móvel, realizado pelo Grupo Bradesco Seguros e pela ProDeaf. Trata-se de um aplicativo para a comunicação entre ouvintes e surdos utilizando o telefone celular.

Por meio da ferramenta tecnológica, a pessoa que quer se comunicar com um surdo digita uma mensagem no celular clicando no ícone da lupa, ou ainda pode falar a mensagem após clicar no ícone do microfone. A mensagem, então, é traduzida para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) por meio de um avatar hospedado na nuvem onde se encontra a inteligência da solução, com a utilização de um dicionário de 3.700 sinais.

Disponível para dispositivos Android, o novo aplicativo pode ser baixado gratuitamente na loja de aplicativos Google Play. A previsão é de que nos próximos meses também esteja disponível a versão para iOS com download gratuito na Apple Store.

Mais informações: http://www.prodeaf.net/



sábado, 6 de abril de 2013

O Que é Psicologia Clínica?


Dentre as áreas da ciência psicológica o fazer mais conhecido pelo senso comum é a psicologia clínica, muitos ainda associam a imagem do psicólogo somente ao modelo tradicional de terapeuta, clínico, aquele que escuta e faz pontuações. Portanto, alguns conceitos são pertinentes à prática clinica, bem como à escuta, a subjetividade, o sofrimento psíquico, aceitação incondicional, o comportamento.

 A clínica em psicologia é um espaço criado para atender o outro em sua singularidade, ouvi-lo, orientá-lo, apontar caminhos a fim de proporcionar alívio emocional, autoconhecimento, ajustamento criativo, etc. O psicólogo é esse profissional mediador que propicia o encontro do sujeito consigo mesmo a partir da fala.

 A partir dos estudos, é possível dizer o que é a psicologia clínica, o que ela abrange e como faz o seu trabalho. No entanto, sabe-se muito pouco sobre aquilo que ela não é; assim torna-se um assunto mais delicado tendo em vista o grande número de posturas metodológicas frente ao objeto de estudo que se encontra em interminável oposição.

 É oportuno esclarecer que toda a amplitude do fazer clínica está direcionada a atender às diversas demandas, bem como crianças, adolescentes, adultos, idosos, visando ajudar na recuperação do sujeito em sofrimento psíquico, na reestruturação de seu bem estar biopsicossocial e, sobretudo, na promoção da saúde.

 Origens da Psicologia Clínica

 A história da psicologia clínica remonta desde o final do século XIX, o termo psicologia clínica foi usado pela primeira vez pelo americano Lightner Witmer. Ele fundou a primeira clínica de psicologia na Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos em que eram tratadas algumas crianças com queixas escolares.

 Para MOREIRA (2007) a clínica psicológica tem suas raízes no modelo médico, no qual, ou seja, cabe ao profissional observar e compreender para, posteriormente, intervir, isto é, remediar, tratar, curar. Tratava-se, portanto, de uma prática higienista. Dessa maneira, a clínica psicológica esteve, por um bom tempo, distante das questões sociais.

 De acordo com TEIXEIRA (2007) de início a clínica psicológica caracterizou-se por um sistema de atenção voltada ao indivíduo, esse atendimento esteve vinculado ao modelo médico, sobretudo na década de 30 com a evolução do psicodiagnóstico. Segundo o autor a concepção clássica de psicologia clínica afirma ser esta uma disciplina que tem como preocupação o ajustamento psicológico do indivíduo e como princípios o psicodiagnóstico, a terapia individual ou grupal exercida de forma autônoma em consultório particular sob o enfoque intra-individual com ênfase nos processos psicológicos e centrado numa relação dual na qual o indivíduo é percebido como alguém a-histórico e abstrato.

 Nessa época existia uma preocupação em caracterizar o sujeito, uma espécie de rotulação, o que era necessário apontar algum tipo de patologia no individuo. Nesse sentido, aspectos como a história de vida, a escuta qualificada e outras técnicas não eram levadas em consideração.

 O que é Psicologia Clínica?

 A psicologia clínica é a parte da psicologia que se ocupa em estudar transtornos mentais e suas manifestações psíquicas. Essa área inclui (prevenção, promoção, psicoterapia, aconselhamento, avaliação, diagnóstico, encaminhamentos, dentre outros).

 "Entendemos que a psicologia clínica se distingue das demais áreas psicológicas muito mais por uma maneira de pensar e atuar, do que pelos problemas que trata. O comportamento, a personalidade, as normas de ação e seus desvios, as relações interpessoais, os processos grupais, evolutivos e de aprendizagem, são objeto de estudo não só de muitos campos da psicologia como também das ciências humanas em geral" (MACEDO, 1984, p.8).

 A psicologia clínica deve considerar-se uma atividade prática e em simultâneo, um conjunto de teorias e métodos. Pode ser definida como a sub-disciplina da psicologia que tem como objetivo o estudo, a avaliação, o diagnóstico, a ajuda e o tratamento do sofrimento psíquico, qualquer que seja a causa subjacente (BRITO, 2008).

 Habitualmente, o que diferencia a psicologia clínica das outras áreas de atuação do psicólogo, é, sobretudo, por ser uma prática que consiste numa observação individual e singular: a escuta clínica. É um o espaço em que o paciente\cliente se apoia para expressar seus conflitos, medos, inquietações e sofrimentos a fim de buscar alívio emocional.

 Clínica Atual

 A configuração contemporânea trouxe um lugar para a Psicologia Clínica, um lugar em que o psicólogo se coloca numa postura de escuta do excluído, daquele que não tem um direcionamento efetivo e que procura o auxílio desse profissional.

 A psicoterapia constitui-se em uma técnica moderna, em que o desvelamento se dá ao modo do desafio. Então, o eu do homem também é tomado como um recurso a ser explorado, no sentido de tornar-se produtivo, bem-sucedido, feliz para sempre. Neste aspecto, a psicoterapia pauta-se numa perspectiva positivista, romântica, subjetivista, que consiste na organização de técnicas e estratégias cujos resultados visam à produtividade, à adequação com a exigência da publicidade, do impessoal, ao desenvolvimento no sentido do socialmente aprovável. A psicoterapia, deste modo, pauta-se na extração dos recursos de que o homem dispõe para atingir o sucesso socialmente determinado como tal, e é estruturada como utilidade prática (FEIJOO, 2004, p.12).

 O que se define como psicologia clínica na atualidade está vinculada a sua história e surgimento, porém, com algumas especificidades. No que tange à compreensão dos problemas do homem, do seu bem-estar, busca-se uma não patologização, pautando-se em um acolhimento e escuta ativos para bem ajudar o outro que se encontra em sofrimento psíquico através de um processo psicoterapêutico.

 As psicoterapias foram criadas para todos os indivíduos que sofrem de algum distúrbio ou mal-estar que desejam corrigir, entretanto, estas também visam o aprimoramento pessoal e autoconhecimento, ainda que não sofram de distúrbios manifestos (RAMADAM,1987).

 O Psicólogo Clínico

 Sabe-se que a psicologia clínica é uma especialidade da ciência psicológica, esse profissional está habilitado para realizar atendimentos ou psicoterapias, ficando livre para o psicólogo optar por uma abordagem teórica que irá embasar e nortear a sua prática.

 De acordo com Marques (1994) a identidade do psicólogo clínico, define-se pelo domínio de teorias, métodos compatíveis entre si, cujo objetivo é tentar atingir a “verdade” psicológica do sujeito observado para se poder direta ou indiretamente encetar um processo de intervenção.

 

O psicólogo clínico está apto a realizar atendimentos com diversas demandas e faixas etárias, bem como atendimentos voltados à crianças, adolescentes, adultos, idosos, famílias. Assim, os seguintes atendimentos podem acontecer tanto a nível individual quanto grupal, como o objetivo de auxiliar os sujeitos a se conhecerem melhor e a lidar de forma mais assertiva com seus conflitos e tomada de decisões.

 O principal do trabalho desse profissional é esclarecer aquilo que caracteriza o ser psicológico. Nesse ponto, é necessário ter um bom embasamento teórico-clínico que confira sentido ao que é observado, bem como um conjunto de métodos estratégicos para bem conduzir o processo terapêutico e ajudar na resolução dos problemas.

 Considerações Finais

 As discussões empreendidas nesse artigo, baseadas na análise bibliográfica acerca do que se configura a psicologia clínica, dão subsídios para o entendimento da origem dessa área de conhecimento, bem como traça um caminho para sua construção e reconhecimento social, explicita a configuração da clínica atual e o fazer do psicólogo clinico. Nesse aspecto, esse conhecimento demonstra grande relevância tendo em vista que a clínica é o primeiro grande reconhecimento que respalda a profissão de psicólogo, logo, esse saber necessita ainda de uma disseminação mais aprofundada para então prestar esclarecimentos e desmistificar assuntos pertinentes a essa área que cada vez mais se amplia e ganha notável importância na sociedade. Portanto, esse trabalho objetiva contribuir para a construção da pirâmide que embasa o conhecimento sobre a psicologia e suas especificidades.

 Sobre o Autor:

 Alex Barbosa Sobreira de Miranda - Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Teresina, PI, Brasil. e-mail: alex_barbo_sa@hotmail.com

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Cartilha vai orientar diagnóstico precoce do autismo



 Documento trará indicadores para profissionais do SUS identificarem sinais do transtorno 

O Ministério da Saúde lançou nessa terça-feira (2), Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a Diretriz de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). A diretriz trará pela primeira vez uma tabela com indicadores do desenvolvimento infantil e sinais de alerta para que médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) possam fazer uma identificação precoce do autismo em crianças de até três anos.
Além da tabela, o ministério vai disponibilizar para os profissionais de saúde instrumentos de uso livre (sem obrigatoriedade do pagamento de direitos autorais) para o rastreamento/triagem de indicadores de desenvolvimento que possam diagnosticar o TEA.
Tratamento - Após o diagnóstico do paciente e a comunicação à família, inicia-se a fase do tratamento e da habilitação/reabilitação nos pontos de atenção da Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência. “A forma de tratamento, respeitando a singularidade e a especificidade de cada paciente, é fundamental para o êxito do cuidado à pessoa que sofre de autismo. Essas diretrizes estão trazendo essa possibilidade”, diz o secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães.
É o grau de intensidade do transtorno que vai definir o tratamento dos pacientes. Aqueles com menor intensidade deverão ser tratados nos Centros Especializados de Reabilitação (CER) do SUS. Hoje existem no país 22 CER em construção, 23 em habilitação e 11 convênios de qualificação. Já os pacientes com uma intensidade maior do transtorno serão encaminhados para centros específicos que serão habilitados pelo Ministério da Saúde em todo país
Fonte: Em Questão-Secretaria de Comunicação da Presidência da República
http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/acoes-e-programas/comunicacao-publica/em-questao/edicoes-anteriores/abril-2013/boletim-1747-03.04/cartilha-vai-orientar-diagnostico-precoce-do-autismo?utm_campaign=Newsletteremquestao&utm_medium=Ministerio.Da.Saude&utm_source=Cartilha&utm_content=30413

TRANSTORNO BIPOLAR É TEMA DE MUSICAL







Versão brasileira do musical da Broadway Next to normal, vencedor do prêmio Pulitzer de 2010, Quase normal retrata o cotidiano da dona de casa Diana, diagnosticada com transtorno bipolar. Interpretada pela atriz e cantora Vanessa Gerbelli, ela oscila entre momentos de euforia e depressão e tem uma conturbada relação com o marido e a filha.
 As canções, traduzidas e adaptadas pelo diretor do espetáculo, Tadeu Aguiar, apresentam de forma poética o complexo histórico psíquico da protagonista. Diana perdeu seu primogênito ainda bebê e rejeita a segunda filha desde o nascimento. A garota se torna uma adolescente e passa a ter sérios problemas de comunicação  com a mãe. É quando os sintomas do transtorno psíquico de Diana começam a se manifestar. Com o apoio do marido, procura diferentes psiquiatras em busca de ajuda – o que resulta na troca constante de remédios e, posteriormente, na internação e em um tratamento com eletrochoques. As melodias vão da música clássica ao heavy metal, em uma clara referência à gangorra emocional da protagonista.
Quase normal: Teatro FAAP. Rua Alagoas, 903, Pacaembu, São Paulo. Quinta e sexta, às 21h. Sábado, às 18h e às 21h30. Domingo, às 18h. Informações: (11) 3662-7233. 
R$ 80 (quinta e sexta). R$ 100 (sábado e domingo). Até 12 de maio.

Fonte: Mente e Cérebro



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Identificar o outro como louco abre um campo de abuso de Poder, Intolerância e e Violência.


Desde o trabalho de referência do filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), História da loucura na Idade Clássica, de1960 (Perspectiva, 1978), podemos entender que o uso do termo “loucura” desqualifica alguém, sendo usado para marcar uma diferença radical com relação ao que define a identidade de uma pessoa ou mesmo uma cultura. Louco é o “não-eu”. Chamamos de insensato aquele (ou aquilo) que não entendemos, que é tão diferente de nós que não conseguimos reconhecer ou mesmo atribuir sentido.
Desta perspectiva, é comum que quando surge a denominação de louco sejam acionados mecanismos de exclusão simplesmente porque uma pessoa (ou um grupo) pensa de forma radicalmente diferente da nossa ou não compartilha nossos valores morais ou religiosos. Identificar o outro como louco é abrir um campo de abuso de poder, intolerância e violência.
SEM MODELO PARA SEGUIR
Em nossa forma de lidar com a doença mental, vivemos alguns impasses e sobreposições terríveis. A primeira delas está relacionada à exclusão social e ao estigma. O termo “loucura” não é técnico, não pertence ao estudo da psiquiatria ou psicologia para descrição de uma patologia. Falar sobre loucura não é a mesma coisa que falar sobre formas de estruturação psíquica. Da perspectiva da psicanálise, por exemplo, não há desqualificação da pessoa estruturada como neurótica ou psicótica. Isso se dá por um ótimo motivo: pela óptica da psicanálise não há alguém sem um modo específico de se estruturar ou livre de sofrimento, que seja uma espécie de “modelo”, uma referência normativa em relação a quem os demais devam ser medidos. Assim, falar sofrimento mental, neurose, psicose, borderline etc. não implica dizer “loucura”. </p>
A insanidade tangencia as organizações mentais no conceito de “doença mental”. Nele, aparecem o medo e a desqualificação associados ao sofrimento psíquico da pessoa. A loucura associa-se ao medo da falta de controle, ao caos, à imprevisibilidade, já que em muitos casos esse sofrimento mental leva as pessoas a perder contato com as demais, viver numa realidade própria sem discriminação ou consciência de que essa situação esteja ocorrendo. Formas de sofrimento assim são associadas às psicoses.
Porém, aquele que sofre dessa forma é afetado também pelo estigma social da loucura, que remete ao século 17 – aprendemos com Foucault – e diz respeito à consideração de que o homem tem sua existência fundamentada na razão. É ela que o define e o garante. Assim, tudo aquilo que possa remeter a perda da razão (doença mental ou efeito de drogas que alterem a consciência, por exemplo) acaba por implicar a perda da própria humanidade. Se um homem perde a razão, ele já não é um homem, mas um animal irracional. E aqui não há meio-termo: a pessoa é louca ou sã; tem mente ou é demente. Porém, essa concepção extremista que opõe a ordem ao caos é visivelmente exagerada – nem as pessoas “estatisticamente normais” têm absoluto controle racional sobre suas ações, nem aquele que sofre de doença mental perdeu por completo sua consciência, na maioria dos casos. Mas até a legislação vigente mantém este pressuposto: somos todos considerados responsáveis por nossos atos e por eles temos de responder, a não ser que haja diagnóstico psiquiátrico que ateste uma doença mental. Nesse caso, a pessoa não é considerada im- putável por seus atos. </p>

Mas é preciso levar em conta que alguém reconhecido como insano perde sua condição de cidadania, autonomia e inúmeras possibilidades de inclusão social. A loucura – bem como outros tipos de sofrimento – de alguém com quem não temos envolvimento afetivo não costuma gerar em nós empatia ou compaixão, o que predomina são os sentimentos de medo e repúdio. Mas ao vermos alguém próximo enlouquecer, passamos a temer por nossa própria sanidade. É como se a empatia nos fizesse perceber a proximidade da possibilidade de perder a razão. Em um caso ou em outro, é bastante provável que as pessoas próximas queiram distância do louco. Ele provoca medo, aborrece, cansa, atrapalha.
Sabemos que, desde o século18, a perspectiva do Romantismo atribuiu ao louco uma aura de sabedoria e liberdade ante as cobranças e renúncias que a vida civilizada exige. Mas esta estetização da insanidade e a curiosidade (e mesmo sedução) que ela gera aparece, sobretudo, como idealização à distância, que não resiste ao convívio.
O segundo ponto a ser considerado está ligado à ambivalência no que diz respeito à internação. Um médico passa a ter poderes policiais e judiciais, pode solicitar a internação compulsória (contra a vontade) de alguém e, assim, retirar da pessoa sua condição de cidadão. Passar por internações costuma implicar a perda da condição de ser sujeito de sua vida. Surge aí uma questão extremamente complexa: determinar em que ponto acaba a autonomia de uma pessoa para discriminar sua própria condição de saúde e em que momento um outro (parente ou médico, em geral) passa a ter o direito de solicitar a internação contra a sua vontade.
Esse tipo de situação costuma ser terrível para todos os envolvidos. O familiar que solicita a internação, ainda que cuidando da integridade do internado e mesmo convicto de que seja o mais adequado a fazer, inevitavelmente se sentirá culpado e temerá estar errado. O internado, por sua vez, tende a se considerar sequestrado, traído, desqualificado. Em determinados casos de sofrimento mental, a internação pode vir ao encontro de fantasias de perseguição e exclusão. Além disso, se alguém sofre de modo a perder contato com a realidade externa, não é difícil perceber que ser retirado de seu ambiente potencializa muito a perda dessa conexão.
Não raro, o preço afetivo a ser pago pela internação é alto demais. Há casos em que a ferida que se abre pode não ser mais fechada. Por isto, é tão importante não banalizar essa medida e restringi-la a situações de risco efetivo de violência da pessoa contra si mesma e contra os outros. Depois de duas ou três internações cria-se o que podemos chamar de uma nova figura patológica: o paciente psiquiátrico. Após anos de internações e uso de medicação, torna-se difícil discriminar o quanto do comportamento estranho da pessoa se deve ao sofrimento original ou aos efeitos dos tratamentos. Uma pessoa vista como alguém com poucas chances de voltar à vida normal perde amigos, amores, sonhos; assiste a seus pares segundo suas vidas e se vê ficando para trás. Alguém que toma medicamentos pesados, e os tomará para sempre, enfrenta todas as implicações e efeitos físicos decorrentes desse uso: obesidade, risco de diabetes etc. E, é claro, será alguém com muito medo de ser novamente internado. Muitas vezes, aqueles mesmos que se tornam responsáveis pela pessoa a ameaçam de internação como forma de punição. O louco diz loucuras, sua palavra passa a não valer perante aqueles que supostamente cuidam dele. A ficção cinematográfica eternizou esse tipo de situação em filmes impactantes como Um estranho no ninho (de Milos Forman, 1975), Garota interrompida (de James Mangols, 1999) e, no Brasil, Bicho de sete cabeças (de Lais Bodansky, 2001).  Com a exclusão social, a pessoa costuma ficar cada vez mais próxima à família (caso a tenha e nela encontre acolhimento). Mas mesmo o cuidado de parentes pode acabar por reverter na criação de um ambiente superprotetor, que mantém uma situação infantilizada. Para a psicanálise, este fechamento no ambiente familiar acaba por reproduzir – e tornar crônicos – elementos da própria constituição de muitas formas de sofrimento que podem ter deflagrado a crise o que, por sua vez, levou ao início do tratamento.
NEM TÃO FELIZES
A terceira questão a ser considerada é a “obrigação” contemporânea de ser livre e feliz, que leva os que não se sentem assim a carregarem o peso de estarem “errados”. Retomemos nossa primeira definição de loucura, aquela na qual louco é alguém cujas ações nos pareçam sem sentido. Em nosso ambiente contemporâneo, fortemente influenciado por um humanismo raso – presente na autoajuda e na intensa disseminação da ideia de que somos livres para sermos o que quisermos – uma figura da loucura é a tristeza, a melancolia. Se comprarmos a ideia tola de que o gozo está disponível a todos a todo o momento, ele passa a ser imperativo. E é isso que nos vendem a todo o momento as propagandas veiculadas pelos meios de comunicação. A experiência de estar triste assemelha, segundo essa lógica, a uma falha moral que deveria ser corrigida. É fácil percebermos o quanto uma pessoa deprimida, para além daquilo que a deprime, sente-seculpada por seu estado. Além de triste, ela se vê como fraca e fracassada, incapaz de obter a felicidade como bem de consumo alegadamente acessível a todos.
Outra figura contemporânea de loucura é a variedade de formas de dependência com as quais nos defrontamos – de drogas legais ou ilegais, games, redes sociais, comida, relacionamentos etc. Uma vez mais tendo como referência humanista o valor da autonomia e liberdade, como entender e aceitar que alguém opte por ser dependente? Essa pessoa sofre cumulativamente: por depender de algo, pelo que a faz depender e pela recriminação moral que recebe. O dependente é chamado de viciado e, como sabemos, vício é um conceito de natureza moral, oposto à virtude. Há ainda uma sobreposição importante com a qual convivemos hoje no campo da loucura é aquela entre o recurso da medicação e os interesses comerciais da indústria farmacêutica.
As facetas, as implicações, as sobreposições e os impasses do sofrimento mental são muitos. No livro Cadê minha sorte? (Loyola, 2009), de Mario Sergio Limberte, um pai que perdeu um filho de 30 anos, diagnosticado com esquizofrenia escreve: “Na nossa cultura dizer a uma pessoa que ela sofre de esquizofrenia é o mesmo que dizer: ‘você está louco’”. Generoso, o livro reúne grande quantidade de informações sobre a patologia, tratamentos e cuidados possíveis. Uma aproximação corajosa e sem preconceito do espectro da loucura.

Fonte: Mente e Cérebro