Identidade versus Confusão de Papéis: a Adolescência em Erik
Erikson
Escrito por: Cida
Melo
O quinto estágio da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial
de Erikson, que se dá entre os 12 e os 18 anos, ganha contornos diferentes
devido à crise psicossocial que nele acontece, ou seja, Identidade Versus
Confusão. Neste contexto o termo crise não possui uma acepção dramática, por tratar-se de a algo pontual e localizado com
pólos positivos e negativos.
Esta 5ª idade localiza-se aproximadamente dos 12 aos 18/20
anos, ou seja, na adolescência, precisamente na idade em que na vertente
positiva, o adolescente vai adquirir uma identidade psicossocial, isto é,
compreende a sua singularidade, o seu papel no mundo.
O jovem experimenta uma série de desafios que envolvem suas
atitudes para consigo, com seus amigos,
com pessoas do sexo oposto, amores e a busca de uma carreira e de
profissionalização. Na medida em que as pessoas à sua volta ajudam na resolução
dessas questões desenvolverá o sentimento de identidade pessoal, caso não
encontre respostas para suas questões pode se desorganizar, perdendo a
referência.
Neste estágio, os indivíduos estão recheados de novas
potencialidades cognitivas, exploram e ensaiam estatutos e papéis sociais,
devido à sociedade fornecerem este espaço de experimentação ao adolescente. É
neste âmbito que ressalta um dos conceitos eriksonianos que ajuda a conferir
tanta relevância a este estágio, ou seja, a moratória psicossocial, período de
pausa necessária a muitos jovens, de procura de alternativas e de
experimentação de papéis, que vai permitir um trabalho de elaboração interna.
Sendo assim o adolescente antecipa o seu futuro, explora
alternativas, experimenta, dá um tempo. As necessidades pessoais, as exigências
socioculturais e institucionais caracterizam a moratória.
As complicações inerentes ao desenvolvimento da identidade
nas sociedades modernas tem criado um espaço necessário para a reflexão e o
exercício de diversos papéis antes da finalização deste processo.
Um grande número de adolescentes, tem uma evolução
incompleta por terem entrado excessivamente rápido na vida adulta, sem um
amadurecimento interior, que só poderia ter sido facultado por uma boa vivência
neste estágio e nos seus diferentes aspectos.
Embora a construção da identidade se realize ao longo do
ciclo da vida, constitui uma tarefa específica desta idade, o sentimento da
identidade, o qual é conforme Erikson o sentimento de ser o mesmo ao longo da
vida, atravessando mudanças pessoais e ocorrências diversas. A identidade dá
assim um sentido histórico à existência, a qual se constrói tendo por base as
representações feitas sobre nós, bem como as interações e os confrontos entre
as representações que os outros fazem de nós e as que nós fazemos de nós
próprios. O agente interno ativador na formação da identidade é o Ego, em seus
aspectos conscientes e inconscientes.
O ego neste estágio tem a peculiaridade de apurar e inteirar
talentos, aptidões e habilidades na identificação com pessoas semelhantes a nós
e na acomodação ao ambiente social. A chave para a resolução da crise de
identidade que pode fazer com que o adolescente se sinta isolado, vazio,
ansioso e indeciso, reside assim, na interação com pessoas significativas, que
são escolhidas e são parte integrante da construção da sua identidade adulta.
Os problemas no desenvolvimento da identidade podem culminar
numa identidade difusa, caracterizada por uma noção do eu incoerente,
desarticulada e incompleta, numa identidade bloqueada, caracterizada pelanão
permissão do período normal de moratória por questões sociais, familiares e/ou
pessoais e finalmente numa identidade negativa, em que o adolescente seleciona
identidades que são indesejáveis para a família e sua comunidade.
O versus negativo menciona os aspectos, sentimentos
relacionados à confusão/difusão de quem ainda não se descobriu a si próprio, e
não sabe o que pretende, tendo dificuldade em optar.
É de se referir que nesta idade emergem um conjunto
particular de valores a que Erikson denominou por fidelidade; capacidade de
manter lealdades livremente empenhadas, apesar das inevitáveis contradições dos
sistemas de valor, assim como, na reta final da adolescência é que se obtém uma
“identidade realizada”, igualmente conhecida por identidade adquirida.
Os estágios não podem ser compreendidos como períodos
isolados, pois as fases anteriores irão deixar marcas que vão influenciar a
forma como se vivência esta crise, desembocando uma perspectiva histórica na
qual o adolescente se vai perceber e integrar elementos identitários adquiridos
nas idades anteriores. Tem-se por exemplo a identidade, que se forma numa
continuidade e une as diferentes transformações num processo cumulativo de
desenvolvimento
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