Entenda o que
é o Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD)
Agosto de 2016
Quem de nós nunca se deparou
com uma criança extremamente opositiva, desafiadora, que discute por qualquer
coisa, que não assume seus erros ou responsabilidades por falhas e que costuma
sempre se indispor com os demais de seu grupo ou de sua família de maneira a
demonstrar que a cada situação será sempre difícil convencê-lo, mesmo que a
lógica mostre que suas opções estão evidentemente equivocadas? Se você conhece
uma criança assim, provavelmente ela tem Transtorno Opositivo-Desafiador.
Tal quadro leva a severas
dificuldades de tempo e de avaliação para analisar regras e opiniões alheias e
intolerância às frustrações, levando a reações agressivas, intempestivas, sem
qualquer diplomacia ou controle emocional. Essas crianças costumam ser
discriminadas, perdem oportunidades e desfazem círculos de amizades. Não raro,
sofrem bullying e são retiradas de eventos sociais e de programações da escola
por causa de seu comportamento difícil. Os pais evitam sair ou passear com elas
e muitas vezes as deixam com parentes ou em casa. Entre os irmãos, são
preteridos, mal falados e considerados como “ovelhas negras” tratados, assim,
diferentes e mais criticados pelos pais.
Os sintomas podem aparecer
em qualquer momento da vida, mas é mais comum entre os 6 e 12 anos. A
associação com TDAH é frequente (50% dos casos), deve ser observada e
investigada em todas estas crianças para que sejam tomadas as medidas
necessárias, a fim de prevenir problemas de aprendizagem e baixo rendimento
escolar. O ambiente doméstico costuma ser conturbado, com pais divergentes
quanto ao modo de educar e conduzir o (a) filho (a) e de como estabelecer
parâmetros, mas evidências mostram que existem fatores genéticos e
neurofisiológicos predispondo o seu desenvolvimento.
O tratamento desta condição
é multidisciplinar e depende de três eixos: medicação, psicoterapia
comportamental e suporte escolar. A medicação auxilia em boa parte dos
pacientes e melhora a auto-regulação de humor frente às frustrações; a
psicoterapia deve centrar em mudanças comportamentais na família com medidas de
manejo educacional (dar bons exemplos, dialogar com a criança, ter paciência ao
falar, explicar o motivo das ordens dadas, etc.); e, em relação ao suporte
escolar, deve-se oferecer apoio, reforço e abertura para um bom diálogo, pois
esta abertura melhora o engajamento do aluno opositor às regras escolares e a
se distanciar de maus elementos.
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