Neste Guia de ONGs da cidade de São Paulo, criado pelo Instituto Mara Gabrilli em parceria com o Governo de São Paulo, por meio da SABESP, você encontrará, de forma simples e objetiva, uma lista de organizações que atendem pessoas com deficiência em todas as regiões da cidade. Com informação, orientação e encaminhamento, em diferentes áreas de serviço: saúde, educação, cultura, lazer, assistência social, entre outros. Veja: http://tinyurl.com/kgqxx5n
Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.
Carl Rogers
domingo, 23 de novembro de 2014
sábado, 22 de novembro de 2014
Presidência da República veta PL das 30 horas - Argumento foi de contrariedade ao interesse público
O CRP SP continuará lutando em parceria com a FENAPSI e o SINPSI por condições de trabalho que garantam a qualidade ética e técnica da atuação profissional.
O vice-presidente Michel Temer, em exercício do cargo de presidente da República, vetou integralmente o Projeto de Lei (PL) 3.338/08, que propõe a regulamentação da jornada de trabalho de 30 horas semanais para psicólogas e psicólogos em território nacional, sem a redução de salários. A notícia saiu na seção 1/página 9 do Diário Oficial da União desta terça-feira (18/11).
De acordo com veto presidencial, foram ouvidos os ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, da Fazenda e da Saúde. O argumento utilizado foi de que a medida prejudicaria os cofres municipais e o atendimento do SUS. Segundo o texto do veto, "A redução da jornada semanal proposta impactaria o orçamento de entes públicos, notadamente municipais, com possível prejuízo à política de atendimento do Sistema Único de Saúde - SUS, podendo, ainda, elevar o custo também para o setor privado de saúde, com ônus ao usuário".
A Advocacia Geral da União (AGU), o Ministério da Justiça e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), quando visitados, afirmaram ter apresentado pareceres favoráveis ao PL das 30 horas, todavia esses pareceres não foram considerados e sequer aparecem citados no texto do veto.
E agora?
Agora, o PL volta para o Congresso, para ser analisado por representantes do Senado e da Câmara, sobre a possibilidade de rejeitar ou não o veto presidencial. No entanto, para que a decisão do presidente em exercício Michel Temer seja invalidada será necessário que haja maioria absoluta de votos tanto na Câmara como no Senado. O prazo para que isso aconteça é de 30 dias.
Leia o texto do veto na íntegra:
No- 390, de 17 de novembro de 2014.
Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar integralmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 3.338, de 2008 (no 150/09 no Senado Federal), que "Dispõe sobre a jornada de trabalho do psicólogo e altera a Lei no 4.119, de 27 de agosto de 1962, que dispõe sobre os cursos de formação em Psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo".
Ouvidos, os Ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, da Fazenda e da Saúde manifestaram-se pelo veto ao projeto pelas seguintes razões: "A redução da jornada semanal proposta impactaria o orçamento de entes públicos, notadamente municipais, com possível prejuízo à política de atendimento do Sistema Único de Saúde - SUS, podendo, ainda, elevar o custo também para o setor privado de saúde, com ônus ao usuário. Ademais, para além de não contar com regras de transição para os diversos vínculos jurídicos em vigor, a medida não veio acompanhada das estimativas de impacto orçamentário, em desacordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Por fim, a negociação coletiva permite a harmonização dos interesses dos gestores da saúde e representantes da categoria profissional."
Essas, Senhor Presidente, as razões que me levaram a vetar o projeto em causa, as quais ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Pesquisa consegue reverter defeitos em neurônios de autistas clássicos
Por: Alysson Muotri
esta semana Jô Soares surpreendeu na TV. Em vez de começar seu tradicional programa de entrevistas com um tom humorístico, Jô deu uma aula sobre autismo. Seu filho autista, Rafael, com 50 anos, faleceu em decorrência de um tumor cerebral.
Se o tumor teve alguma relação com o autismo de Rafael não sabemos, mas é uma hipótese factível. Recentemente foi mostrado que cérebros de autistas contêm regiões com excesso de neurônios, o que, muito provavelmente, é causado por mutações em genes que regulam a divisão de células progenitoras neurais. Mas até o momento não existe nenhum estudo mostrando alta frequência de cânceres em indivíduos autistas. Nem consigo imaginar como era o mundo quando Rafael nasceu. Sabíamos muito pouco sobre autismo.
O estudo do autismo e outras doenças neurológicas é complicado porque não temos disponíveis para testes neurônios humanos de indivíduos afetados. Lógico que existem outros modelos, como o material post-mortem ou mesmo animais que simulam o comportamento autista. No entanto, nenhum desses modelos oferece as vantagens de um modelo experimental humano.
Em 2010, usamos uma nova estratégia para estudar o espectro autista, a reprogramação celular. Utilizando indivíduos com a síndrome de Rett como prova de princípio, reprogramamos células da pele em neurônios. Dessa forma, obtivemos neurônios vivos para estudos em laboratório pela primeira vez na história. Optamos por fazer isso com a síndrome de Rett porque entendemos a base genética: mutações num único gene, conhecido como MeCP2.
Descrevemos que neurônios derivados de indivíduos com síndrome de Rett eram menores e menos complexos que neurônios derivados de indivíduos não afetados. Além disso, neurônios Rett tinham dificuldade em estabelecer conexões nervosas ou sinapses. Talvez o mais impressionante foi mostrar que tratamentos com drogas experimentais foram capazes de reverter os defeitos desses neurônios, sugerindo que certas doenças do desenvolvimento neural poderiam ser tratadas ou mesmo curadas. Usando nossos métodos, outros pesquisadores reproduziram essa descoberta e também mostraram que a reversão era possível em outras formas sindrômicas de autismo, como a síndrome de Phelan-McDermid.
Na próxima semana, será publicado um novo trabalho de meu grupo, junto a colaboradores internacionais, mostrando que o que aprendemos com a síndrome de Rett também acontece com o autismo clássico (Molecular Psychiatry, 2014). Dessa vez, reprogramamos células da polpa de dente de leite de um indivíduo autista brasileiro. As células desse indivíduo fazem parte de um estudo que já estava em andamento por Maria Rita Passos-Bueno (Genoma/USP) desde 2008, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Quem liderou o artigo foi a brasileira Karina Griesi Oliveira, em parceria com um aluno americano, Allan Acab.
O que a Karina e o Allan mostraram foi que morfologia dos neurônios derivados desse autista mostrou-se menos complexa, com uma arborização menor do que o grupo controle. O número de sinapses e fisiologia das redes nervosas também estavam alteradas. Mas, ao contrário das formas sindrômicas do espectro, autistas clássicos possuem uma base genética complexa. Para entender o porquê dos defeitos nos neurônios desse paciente, decidimos sequenciar o genoma do paciente. Encontramos diversas mutações, inclusive uma que anulava uma das cópias do gene TRPC6. Esse gene codifica para um canal na membrana celular que permite a entrada de cálcio, um sinalizador para a formação de sinapses e maturação neuronal. Como o paciente possui apenas uma cópia funcional do gene TRPC6, isso explicaria a redução de sinapses e as alterações morfológicas observadas.
Mostramos que esse gene era realmente responsável pelos defeitos nos neurônios de duas formas. Primeiro, aumentamos a dose de TRPC6 nos neurônios do autista e eles passaram a se comportar como neurônios controle. Em seguida fizemos o oposto: reduzimos a atividade do TRPC6 em neurônios normais e estes se comportaram como se fossem autistas. Segundo, usamos uma droga chamada hiperforina, o princípio ativo da erva de São João (Hypericum perforatum), que estimula a entrada de cálcio pelo canal TRPC6. Curiosamente, o chá dessa erva é usado como um antidepressivo natural, ajudando casos de inquietação, ansiedade e nervosismo, principalmente na Europa. Ao expor os neurônios do autista a hiperforina por duas semanas, conseguimos reverter os falhas neuronais, aumentando o número de sinapses e recuperando as alterações morfológicas. É possível que o uso do extrato dessa planta ajude a melhorar os sintomas autistas em indivíduos com mutações nessa via metabólica. Até aonde sabemos, menos de 1% dos autistas carregam mutações nesse gene e se beneficiariam de um eventual tratamento.
Uma outra descoberta desse estudo foi que a atividade do gene TRPC6 é controlada pelo MeCP2 (o responsável pela síndrome de Rett). Isso mostra que diferentes tipos de autismos dividem vias moleculares semelhantes, algo muito útil do ponto de vista terapêutico. E para validar essa observação, testamos o efeito de IGF-1 (uma droga em teste clínico para síndrome de Rett) em neurônios do autista clássico. Como prevíamos, o IGF-1 também conseguiu reverter os defeitos nos neurônios do autista clássico, validando seu futuro uso clínico para autismo não-sindrômico.
Esse trabalho confirma a plasticidade dos neurônios humanos, capazes de se adaptar e reverter defeitos morfológicos e funcionais. É mais uma forte evidência de que o “estado autista” não é permanente, e pode ser reversível. Por muito tempo se acreditou que as síndromes genéticas do desenvolvimento seriam simplesmente incuráveis.
Abrimos precedente para a medicina personalizada para o espectro autista. Ao combinar a reprogramação celular com a genômica, conseguimos detectar vias metabólicas que estariam implicadas no quadro clínico, possibilitando receitar medicamentos e doses adequadas para cada individuo. Pode parecer ficção científica, mas não é. Num futuro próximo, cada autista terá seu genoma sequenciado e seu “minicérebro” em laboratório para estudo e testes de drogas.
Não sei o quanto o Jô Soares acompanha os avanços na pesquisa sobre o autismo, mas com certeza aprendemos muito nesses 50 anos. Compreendemos melhor as bases genéticas do autismo e sabemos que o determinismo genético não tem a última palavra. Desmistificamos as vacinas como causadoras do autismo e aprendemos mais sobre como outros fatores, como idade dos pais, podem contribuir para a frequência de autismo na população humana. Estamos vivenciando uma transformação conceitual que, em geral, precede movimentos revolucionários na medicina.
*Imagens: Alysson Muotri
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
E-book Avape em comemoração ao Dia do Livro
Dia 29 de outubro foi o Dia do Livro. Para comemorar, nossos usuários do programa de
Reabilitação Profissional e jovens aprendizes das Unidades de São
Bernardo do Campo e São Paulo desenvolveram textos e desenhos que compõem o
E-book, intitulado ‘ Inclusão e Defesa de Direitos na Avape – A cidadania
expressa em palavras e desenhos dos nossos usuários e aprendizes’.
Clique em um dos links
abaixo para ter acesso a um conteúdo bastante diverso, produzido por pessoas
com e sem deficiência, que dedicaram parte do seu tempo para pensar algo que,
para nós, é de extrema importância para a formação de efetivos cidadãos: a
inclusão social e a defesa de direitos.
Versão PDF: http://goo.gl/YW1MaF
Versão EPUB: http://goo.gl/rl8P0o
Versão EPUB: http://goo.gl/rl8P0o
Mãe, filha e avó levantaram 50 brincadeiras em um e-book para ajudar no desenvolvimento da criatividade a crianças, jovens e adultos
Imagine um livro escrito por
autoras da mesma família de diferentes faixas etárias. A filha, a mãe e a
avó. Reunidas, elas organizaram algumas de suas brincadeiras favoritas e
disponibilizam a todas as famílias e profissionais da educação gratuitamente.
Essa é a proposta do e-Book Play Manual de
Brincadeiras Criativas.
Lançado recentemente, a publicação oferece 50 atividades simples com foco em criatividade, divididas em cinco capítulos: jogos corporais, verbais, musicais, essenciais e relaxamento. A ideia é que essas atividades lúdicas possam colaborar com a criatividade e promover uma convivência de mais qualidade entre adultos e crianças. A iniciativa é voltada para crianças e adultos, famílias, educadores, tutores e cuidadores e pretende ser uma ferramenta de aproximação e integração entre os participantes. “O principal objetivo é oferecer diversidade nos jogos familiares e também escolares. "Nosso livro é uma forma prática de resgate ao contato físico, olho no olho, do encontro, do diálogo, de risos compartilhados, de estímulo à criatividade e à socialização por meio de passatempos lúdicos e divertidos”, diz Mayra Luna, autora do Manual de Brincadeiras Criativas. “Também é um meio de resgate da criança interior, às vezes esquecida no meio de tanta preocupação e responsabilidades da vida adulta”, continua. Muitas das brincadeiras foram criadas por Mayra e sua família, como: Inventando o Futuro – um jogo de imaginação em que os participantes devem falar de possíveis e impossíveis invenções do futuro; e Caixa da Alma, em que cada jogador deve criar uma caixa com recortes e colagem que represente quem ele acredita ser, sua personalidade, seus sonhos, em que, no fim, há uma troca de observações entre todos os participantes. Outras atividades mais conhecidas foram revisitadas e também compõem o e-Book Play. Entre elas, mímica, dublar a música e continuar a história. “Essa brincadeira, a Caixa da Alma, é um ótimo exercício para o jogador, seja ele adulto ou criança, aprender a se expressar, a aceitar elogios e críticas, e entender como é percebido pelos outros. É um jeito de mostrar que todos somos seres únicos que merecem ser respeitados e admirados em nossas diferenças”, explica Mayra. Cada brincadeira tem idade indicativa, número mínimo de participantes, regras, objetivos, dicas e algumas ainda possuem exemplos práticos que podem ser encontrados no canal no youtube da Pitaco e Cia:www.youtube.com/pitacoecia Quem fez Fundadora da Pitaco e Cia e criadora do e-Book, Mayra Luna é publicitária, consultora, escritora, atriz e artista multimídia. Já sua filha de oito anos, Bia, é a co-criadora, colaboradora e incentivadora da obra, já que ajudou a inventar e colocar regras na maior parte dos jogos, escolheu parte das fotos e foi responsável por algumas das ilustrações. Lila, a avó, mãe de cinco filhos e professora de mais de mil crianças, foi a inspiração. Participou do projeto indicando brincadeiras escolares, aquelas com grupos grandes, rodas e algumas das atividades que ela costumava usar bastante em aula.
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