Agora é a época em que muitos pais
estão avaliando diversas escolas para transferir o filho no próximo ano; alguns
farão isso por necessidade, outros por desgosto com a escola atual e outros
ainda porque vão matricular a criança pela primeira vez em uma escola.
É neste momento, também, que a imprensa
investe em reportagens sobre como escolher a melhor escola para o filho, quase
sempre com dicas de métodos pedagógicos mais frequentemente praticados, com
análise de diversos estilos de escola ou apontando critérios já bem conhecidos,
como a colocação em rankings, por exemplo.
Todo ano muitos pais recorrem a mim, na
esperança de conseguir algumas pistas que os ajudem a fazer a melhor escolha
possível. Todo esse empenho dos pais é compreensível: hoje, a sociedade
considera a escola o instrumento mais importante no preparo dos mais novos para
o futuro. Tenha ela ou não condições de honrar tal função, o fato é que os pais
têm acreditado nisso e tentado, sempre que podem, fazer uma boa escolha.
Ano após ano, as questões que os pais
me trazem são muito semelhantes e se repetem. Este ano, entretanto, tenho
recebido algumas bem diferentes. Por exemplo: há pais que querem saber se é bom
ou não a escola passar bastante lição para ser feita em casa e se o uso do
uniforme escolar é um fato importante para os alunos, e até quando; há os que
querem saber se o melhor é a escola fornecer lanche ou o aluno levar de casa e
quanto tempo deve ter o intervalo do recreio e como ele deve ser.
Há, inclusive, pais que perguntam se
crianças que frequentam os primeiros anos do ensino fundamental devem ser
submetidas a provas e que querem saber o que significa, de fato, acompanhar a
vida escolar do filho.
Surpreendentemente, não recebi nenhuma
questão a respeito de métodos pedagógicos, de ranking, de espaço físico
escolar, tampouco sobre material pedagógico. É: parece que os pais começam a
pensar nos detalhes da educação escolar do filho, o que é uma boa notícia.
Primeiramente, é bom saber que não há
resposta certa para nenhuma das questões que os pais consideram neste momento
de escolha da escola para o filho. Mas tal escolha certamente irá refletir o
que eles priorizam. E o positivo dessa mudança, que pode ser pequena mas que é
significativa, é que os pais dão sinais de que não mais se ocupam com questões
que outros dizem que eles devem se ocupar.
Agora, eles é que determinam o que é importante
considerar. E, analisando as questões trazidas, os pais mostram que dão
importância à convivência dos alunos na escola, que valorizam a cultura
familiar e querem que ela seja respeitada.
Parece também que os pais não querem
mais ver o filho ser massacrado pela exigência exagerada da escola em
quantidade de conteúdos e avaliações e esperam que a instituição escolar saiba
fundamentar de modo coerente suas práticas e as escolhas feitas.
Resta saber se as escolas irão se
afetar com essa boa novidade porque são poucas as escolas que aceitam repensar
seu modo tradicional de organização e trabalho educativo. Com tantas
modificações que o mundo tem provocado, a escola parece ser uma das poucas
instituições que permanece congelada no tempo.
Rosely Sayão,
psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades
vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia
dessa relação. Escreve às terças na versão impressa de "Cotidiano".
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