21/06/2013 -
Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – Mais de mil pessoas se concentraram na Praça
Roosevelt, centro paulistano, para protestar contra o projeto da “cura gay” que
tramita na Câmara dos Deputados. A proposta revoga dos trechos da Resolução nº 1/99 do Conselho
Federal de Psicologia (CFP), que proíbe os profissionais da área de participar
de terapia para alterar a orientação sexual e de atribuir caráter patológico
(de doença) à homossexualidade.
O projeto, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), foi
aprovado na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) na última
terça-feira (18). O texto, no entanto, ainda precisa ser votado pelas comissões
de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça (CCJ)
Após a concentração com discursos e música, os manifestantes
subiram a Rua da Consolação até a Avenida Paulista. O protesto foi organizado
pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo com apoio de movimentos de
lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT).
“É inadmissível essa proposta de 'cura gay'. Nós não
aceitamos a homossexualidade como doença”, disse a presidenta do conselho,
Maria de Fátima Nassif. “O psicólogo pode, se for procurado, tratar um
homossexual tranquilamente, mas, para ajudá-lo com o sofrimento que ele possa ter
advindo da sua condição ou não. Sofrimento por homofobia, por opressão ou
outros da natureza humana”, acrescentou ao enfatizar que considera o projeto
uma ingerência no exercício da psicologia.
A estudante de serviço social, Rita de Cássia, disse que se
sente discriminada pela proposta. “Se a gente é igual perante as leis, porque
não os nossos direitos?”, questionou. Enquanto o estudante de direito, Jonas
Del Nobile, acredita que falta sensibilidade dos legisladores para ouvir a
sociedade. “É muita arrogância, muita prepotência, muita falta de consideração
que essas coisas aconteçam sem que você consulte as pessoas se isso realmente
interessa para a população”, criticou.
Para a veterinária Carolina Parsekian as discussões sobre o
projeto ajudaram a trazer à tona o preconceito velado contra os homossexuais.
“Eu sempre fui simpatizante com o movimento gay, tenho vários amigos gays. Eu
acho que o Brasil tem um preconceito velado”.
Edição: Fábio Massalli
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