Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.

Carl Rogers

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Controle de stress evita doenças cardíacas em mulheres




Pesquisa realizada pelo Centro Psicológico do Controle do Stress aponta que a administração do stress pode diminuir os níveis de colesterol LDL e triglicérides durante e após menopausa. Com a chegada da menopausa alguns incômodos surgem na vida das mulheres: ondas de calor, alterações repentinas de humor e dores nas articulações são sintomas comuns nessa fase. A longo prazo, outra consequência preocupante da menopausa é o aumento da incidência de doenças cardiovasculares. Uma solução para quem sofre desse problema pode ser o Treino de Controle de Stress (TCS), técnica criada pela Dra. Marilda Lipp, presidente do Centro Psicológico de Controle do Stress (CPCS). Pesquisa recente do CPCS, realizada com mulheres entre 45 e 75 anos, aponta que a técnica diminui os fatores de risco para doenças cardiovasculares. Durante o estudo o grupo de mulheres foi submetido ao método que consiste em treinar a habilidade de lidar com o stress através de psicoterapia, técnicas de relaxamento, pratica de exercícios físicos e manter uma alimentação anti-stress.

Durante o estudo 47 mulheres receberam TCS, além do tratamento médico que já estavam recebendo antes da pesquisa ser iniciada, constituindo-se do grupo experimental (GE) e 18 outras mulheres não receberam o TCS, se constituindo, assim, em um grupo controle (GC). Os critérios para verificar se o TCS seria fator significativo na melhora do quadro das pacientes foram: a redução da pressão arterial basal, mudança nos testes psicológicos, redução do nível de stress e redução dos fatores de risco identificados pelos médicos cardiologistas.

As psicocirurgias e a neuropsicologia TOC

Fonte: https://psicologado.com/neuropsicologia/as-psicocirurgias-e-a-neuropsicologia © Psicologado.com

Resumo: Este artigo investigou de forma geral aspectos históricos, sua perspectiva na atualidade, bem como as técnicas atuais de intervenção psicocirúrgica. Logo em seu surgimento as técnicas de psicocirurgia foram alvo de grandes escândalos e insucessos, causando uma má impressão em toda a população, o que se reflete ainda hoje; Perpassamos por alguns aspectos éticos para que se possa ter uma visão mais ampla acerca dos cuidados atuais tomados para que se realize esse procedimento em último caso e de forma que o paciente tenha o total controle sobre a decisão de permitir ou não a intervenção. Para finalizar compilamos rapidamente as quatro técnicas atualmente utilizadas principalmente para o tratamento de pacientes refratários com TOC ou transtorno de ansiedade grave. E identificamos a necessidade de este procedimento continuar evoluindo para atingirmos uma maior eficácia na sua aplicação.
Palavras-chave: psicocirurgia, técnicas, tratamento, TOC
1. Introdução

Um dos grandes desafios das psicoterapias sempre foi lidar com aqueles pacientes que não respondem positivamente ao tratamento, seja psicoterápico ou farmacológico. Com o advento dos procedimentos cirúrgicos, este cenário parecia se encaminhar para uma mudança, uma vez que a psicocirurgia facilitaria a vida destes pacientes com transtornos mentais graves. Todavia, como defende Ballone (2005), os métodos iniciais do tratamento neurocirúrgico conduziram este procedimento ao descrédito e ao fracasso, devido ao seu uso indiscriminado e consequentemente ao grande número de pacientes que morreram em decorrência das péssimas condições desta intervenção, a exemplo dos grandes sanatórios, que se tornaram verdadeiros centros de tortura dos “excluídos da sociedade”. Tanto que quando se fala em psicocirurgia, a maioria das pessoas ainda associa esta técnica com as lobotomias e leucotomias que eram praticadas por volta de 1935.
Não obstante a isso, esta técnica tem sofrido, ao decorrer do tempo, inúmeras interferências das diversas áreas do conhecimento, como a Bioética, Medicina e Psicologia, que se preocupam, sobretudo, com a integridade moral e física do indivíduo.
Corroborando com isto, as pesquisas da neurociência têm favorecido esta intervenção com uma maior precisão das especificidades funcionais de cada área cerebral.
Assim sendo, considera-se a grande valia para os profissionais da saúde mental conhecer esta via de tratamento e os efeitos que pode promover aos indivíduos que recorrem a ela. Por envolver muitas restrições, aspectos éticos e ser uma área em plena expansão, é imprescindível aprofundar os conhecimentos neste tema.
2. Desdobramento Histórico

Pode-se considerar a trepanação como a cirurgia neurológica mais antiga, com achados arqueológicos de crânios perfurados, desde o período neolítico. Este procedimento tinha como objetivo espantar maus espíritos e demônios, que atormentavam o comportamento dos antigos pacientes, causando a loucura e doença do cérebro (NETO, 2011; SABBATINI, 1997).
O cérebro sempre foi um órgão considerado “proibido” para estudos, por não se ter o conhecimento detalhado da anatomia e da correlação funcional precisa. Com a descoberta de que certas partes do cérebro são responsáveis pelo temperamento, fala, emoções e intelecto, a “porta” para psicocirurgia começava a se abrir. Em 1935, o neurologista português Antônio Caetano de Abreu Freire Egas Moniz, após observações clínicas em hospitais, a familiaridade com a ideia de plasticidade cerebral, estudo sobre o caso de Phineas Gage, e estudos decorrentes de uma cirurgia realizada em chimpanzés que se tornaram dóceis e passivos após a retirada dos lobos frontais, juntamente com seu assistente Almeida Lima, realizou a primeira cirurgia em pacientes psicóticos (NETO, 2011; SABBATINI, 1997; MASIERO, 2003).
Egas Moniz, seu assistente Lima, e os neurologistas Walter Freeman e James Watts criaram duas técnicas que eram aplicadas a fim de conseguir uma modificação comportamental ou eliminar sintomas psicóticos, chamadas lobotomia e leucotomia. A leucotomia refere-se ao corte da substância branca, enquanto a lobotomia seria a secção de todo um lobo. (NETO, 2011; SABBATINI, 1997; MASIERO, 2003).
A psicocirurgia foi então, introduzida como uma opção de tratamento para doença mental severa. Seu aspecto polêmico faz com que tenha períodos de aprovação eufórica e outros de rejeição pela classe médica e pela sociedade leiga. (BALLONE, 2005)
Em 1949 Egaz Moniz ganhava o prêmio Nobel de Medicina por causa de sua inovadora técnica cirúrgica chamada lobotomia pré-frontal (retirada de uma parte do lobo frontal do cérebro), indicada para alguns transtornos mentais graves e de difícil controle. Essa técnica frequentemente deixava sequelas cognitivas e de personalidade devastadoras, impregnando definitivamente o raciocínio de leigos em medicina sobre esses procedimentos (BALLONE, 2005).
Em 1954, com a descoberta e introdução de clorpromazina para o tratamento psiquiátrico, o controle satisfatório da doença psiquiátrica tornou-se positivo. Essa disponibilidade da medicação psicotrópica, mais os efeitos colaterais da psicocirurgia realizada até então, e mesmo seu uso excessivo e sem critérios nas décadas anteriores levaram ao abandono quase completo da cirurgia para doença mental. (BALLONE, 2005).
2.1 As psicocirurgias na atualidade

Atualmente, as psicocirurgias são feitas, mas existem muitas restrições. O foco deste tipo de intervenção é voltado para aqueles pacientes que não correspondem mais às intervenções da psicoterapia nem as interferências dos fármacos. Ou seja, casos extremamente graves que comprometem e incapacitam totalmente o indivíduo. Entretanto, a intervenção cirúrgica só pode ser realizada mediante a comprovação dos efeitos positivos que serão decorrentes dela.
[...] alguns pacientes deixam de responder adequadamente a todas as intervenções terapêuticas existentes e continuam gravemente incapacitados. Para esses pacientes, a intervenção cirúrgica poderia ser considerada apropriada se o nível global de funcionamento pudesse ser melhorado (COSGROVE, 2003, p. 2).
Segundo Cosgrove (2003), todo o processo de descoberta das bases biológicas das doenças mentais facilitou, com o decorrer do tempo, e continua facilitando maior precisão para a realização das psicocirurgias. Uma vez descoberta a "origem" das doenças mentais, ou seja, a área específica do cérebro onde ela está localizada, a precisão da intervenção cirúrgica será ainda mais precisa e eficaz, uma.
vez que esse tipo de tratamento consiste em romper o tecido cerebral comprometido com o objetivo de reduzir os sintomas dos transtornos mentais. Conforme a Organização Mundial da Saúde, a psicocirurgia é o campo da neurocirurgia voltado à remoção cirúrgica seletiva e/ou destruição de vias neurais, com a finalidade de modificar ou influenciar certos comportamentos (NETO, 2011).
Este procedimento, além de questões emocionais e sociais, envolve dilemas éticos. A começar pela ambiguidade do tema, pois se trata de um recurso terapêutico, mas também se refere a um procedimento experimental. Ainda neste sentido, surgem os desafios de apresentar documentos que comprovem que foram utilizados, sem efeito, todos os procedimentos não invasivos possíveis, que não são obrigatórios por enquanto, fazendo com que esta questão torne os procedimentos psicocirúrgicos, muitas vezes, utilizados sem a devida necessidade (BOMBARDA, ALVES E BACHESCHI, 2004).
Conforme Bombarda, Alves e Bacheschi (2004), baseado nisso, o Conselho Federal de Medicina ampara-se em duas resoluções para a realização das psicocirurgias. A primeira é fundamentada nas normas da ONU de 17/12/1991, que prevê 25 princípios para a Proteção de Pessoas Acometidas de Transtorno Mental e para a Melhoria da Assistência à Saúde Mental, onde a psicocirurgia é englobada no princípio 11, que determina o consentimento para o tratamento por parte do paciente e a comprovação por parte de um corpo externo de profissionais que garantam que esse tratamento é o que melhor atende à saúde do usuário. Já a segunda especifica estes princípios e assegura que o consentimento do paciente não pode ser substituído pela aprovação de um corpo de revisão.
3. Principais Técnicas

Atualmente os procedimentos psicocirúrgicos são realizados através da técnica estereotáxica, método minimamente invasivo, que indica a localização precisa da área do cérebro a ser lesada. A estereotaxia é guiada por técnicas de imagens, como a ressonância magnética (RM) ou a tomografia computadorizada (TC), e auxiliada pela fixação de um halo metálico no crânio do paciente, que possui um sistema de coordenadas multidimensionais (MESQUITA et al., 2008)
Existem diferentes técnicas estereotáxicas, como a cingulotomia anterior, a capsulotomia anterior, a tractotomia do subcaudado e a leucotomia límbica. O que varia em cada um destes procedimentos é o ponto que será o alvo cirúrgico. Atualmente, todos estes procedimentos são realizados bilateralmente e envolvem a desconexão de um ou mais circuitos límbicos; a anestesia é local, com leve sedação. Todas estas técnicas podem ser usadas para o tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) refratário, bem como estados crônicos de ansiedade e depressão (NASSER, 2002; COSGROVE, 2003).
Estes quatro tipos de procedimentos diferem em relação à área que visam lesar, propondo que a partir da lesão ocorra uma espécie de correção cerebral, objetivando não a cura, mas sim uma melhora na qualidade de vida e funcionamento do paciente (NASSER, 2002).
3.1 Cingulotomia

A cingulotomia anterior é realizada na porção anterior do giro do cíngulo, produzindo lesões térmicas por radiofrequência. Esta técnica resulta em uma lesão de 2 cm de altura e 8mm a 10mm de diâmetro. Segundo estudo de Ballantine, citado por Cosgrove, há uma demora para o início do efeito benéfico após a cingulotomia, chegando a um período de 3 a 6 meses, onde cerca de 64% dos pacientes com depressão maior e 33% dos pacientes com TOC apresentam uma melhora significativa. Os pacientes que apresentam transtornos afetivos respondem melhor ao tratamento do que aqueles com TOC, e aproximadamente 40% deles exigirão mais de um procedimento cirúrgico (NASSER, 2002; COSGROVE, 2003).
3.2 Capsulotomia

A capsulotomia anterior é executada na área cerebral chamada cápsula interna, que liga o cérebro ao resto do sistema nervoso. Consiste na lesão de porções do terço anterior da cápsula interna. Este procedimento pode ser realizado mediante a radiofrequência, que seria a neurocirurgia convencional, ou pela radiocirurgia por Gamma Knife, a qual evita a abertura do crânio, tem grande precisão e baixa exposição à radiação do tecido cerebral adjacente. Cosgrove cita um estudo de Mindus, onde 137 pacientes (64%), de 362, apresentaram resultado satisfatório após o procedimento, sendo a melhora mais significativa daqueles pacientes com depressão e TOC (NASSER, 2002; MESQUITA, 2008; LOPES et al.2004).
3.3 Tractotomia do subcaudado

A tractotomia do subcaudado visa realizar uma lesão na região da substância inominata, precisamente abaixo da cabeça do núcleo caudado, interrompendo a comunicação (os tratos de substância branca) entre o córtex órbitofrontal com as estruturas subcorticais (tálamo, hipotálamo e amígdalas). Segundo Cosgrove, as primeiras revisões pós-procedimento cirúrgico revelam bons resultados em 68% dos casos de pacientes que sofriam de depressão e 50% dos que pacientes com TOC. É importante ressaltar que pacientes portadores de esquizofrenia, transtorno de personalidade, abuso de substâncias psicoativas ou de álcool, não apresentaram resultados positivos (RÓZ et al.2011; COSGROVE, 2003).
3.4 Leucotomia límbica

A leucotomia límbica consiste em uma combinação entre a cingulotomia e a tractotomia do subcaudado, sendo o tipo de cirurgia menos utilizado. Nesta cirurgia, criam-se lesões de 6 mm no quadrante medial inferoposterior de cada lobo frontal, provocando rompimento com conexões frontolímbicas. Após, fazem-se duas lesões em cada giro do cíngulo, impedindo conexões com o Circuito de Papéz. Como em outros processos de intervenção cirúrgica a melhora não se dá de forma imediata, mas sim progressivamente. Segundo um estudo publicado por Cosgrove, observou- se que houve melhora clínica em 89% dos pacientes com TOC, 66% dos casos de ansiedade crônica e 78% dos casos de depressão maior (RÓZ et al.2011; COSGROVE, 2003).
As alterações neurológicas que aparecem após estas neurocirurgias são, na maioria das vezes, convulsões isoladas, hemorragia intracerebral, cefaleia, aumento de peso, cansaço, marcha instável, tonturas, confusão, retenção urinária, acentuação de traço de personalidade indesejável (LOPES et al.2004; COSGROVE, 2003).
4. Conclusão

Conclui-se que o método de intervenção psicocirúrgico vem a se tornar um grande aliado tanto do paciente refratário quanto da equipe médica que o acompanha, pois visa propiciar ao indivíduo uma melhor qualidade de vida.
Por outro lado, verificou-se ser um método que precisa ser minimamente avaliado antes de ser aplicado, valendo-se de caso a caso não existindo um padrão especifico para realização da intervenção cirúrgica. Por representar alto índice de risco ao paciente e possuir uma história carregada de insucessos e erros torna-se alvo de grande insegurança mesmo em casos que é a melhor opção de tratamento.
Acreditamos ser uma área que já evoluiu muito, principalmente em questões do rigor para sua aplicação e métodos. E confiando na evolução científica, espera-se que continue o desenvolvimento de exames, e que estes proporcionem cada vez mais a precisão das áreas cerebrais para que então, diminuam-se os riscos e elevem-se os índices de sucessos nas intervenções alcançando um número maior de pacientes que precisam deste auxílio para poder ter uma vida digna.
Sobre os Autores:

Referências:

Da RÓZ, L. M. et al. Psicocirurgia para tratamento de transtorno obsessivo compulsivo. Arq. Bras. Neurocir 30(3): 120-8, 2011. Disponível em <http://files.bvs.br/upload/S/0103-5355/2011/v30n3/a2705.pdf> Acesso em 13 de Maio de 2015.
NETO, A. R. S. História das cirurgias para transtornos mentais - psicocirurgia. Dilemas Éticos. Outubro de 2011. Disponível em
<http://www.neuronrn.com.br/artigo/28/historia-das-cirurgias-para-transtornos- mentais-psicocirurgia-dilemas-eticos> Acesso em 06 de Maio de 2015.
MESQUITA, A. M. et al. Capsulotomia anterior e cingulotomia anterior para o tratamento do transtorno obsessivo compulsivo. Agência Nacional de Saúde Suplementar, Rio de Janeiro, Outubro de 2008. Disponível em<http://200.214.130.94/rebrats/publicacoes/Informe_ANS_n03.pdf ?> Acesso em 13 de Maio de 2015.
NASSER, J. A. A Herança da lobotomia. Revista Galileu, Medicina e Saúde. Edição 187, Fevereiro 2007. Disponível em <http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT669589-1940-3,00.html> Acesso em 12 de Maio de 2015.
BALLONE, G. J. Psicocirurgia ou Cirurgia Psiquiátrica. PsiqWeb, Internet, revisto em 2005. Disponível em<http://www.psiqweb.med.br/>Acesso em 15 de Maio de 2015.
LOPES, A. C. et al. Atualização sobre o tratamento  neurocirúrgico do transtorno obsessivo-compulsivo. Rev. Bras. Psiquiatr.,São Paulo, v. 26, n. 1,p. 62-66, 2004. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516- 44462004000100015&lng=en&nrm=iso> Acesso: 13 de Maio de 2015.
BOMBARDA, J. M., ALVES, L. C. A.e BACHESCHI, L. A. Psicocirurgia: a busca de um equilíbrio ético. Revista Brasileira de Psiquiatria, 26(1), pp. 6-7. 2004. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/rbp/v26n1/a04v26n1.pdf> Acesso em 18 de Maio de 2015.
COSGROVE, G. R.Cirurgia Para Distúrbios Psiquiátricos. MD, FRCS(C). NeuroPsicoNews - Sociedade Brasileira de Informações de Patologias Médicas – SBIPM. 2003. Disponível em <http://www.psiquiatriageral.com.br/cerebro/cirurgi a.htm> Acesso em 15 de Maio de 2015.
MASIERO, A. L. A lobotomia e a leucotomia nos manicômios  brasileiros. História, Ciências, Saúde. Manguinhos, vol. 10(2): 549-72, maio-ago. 2003. Disponível       em  <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-59702003000200004&script=sci_arttext Acesso em 06 de Maio de 2015.
SABBATINI,R. M. E. A História da Psicocirurgia. Revista Cérebro & Mente. Junho de 1997.Disponível em <http://www.cerebromente.org.br/n02/historia/trepan_p.htm> Acesso em 15 de Maio de 2015.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

"Primeiro sentimos, depois julgamos”.



O Professor Dr. Jorge Moll é presidente do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino. Ele investiga as bases neurais do comportamento e da cognição moral através de estudos clínicos em pacientes com distúrbios neuropsiquiátricos e experimentos com ressonância magnética funcional.
http://idor.org/images/pdf/65/Primeiro%20sentimos,%20depois%20julgamos%20-%20Mente%20C%C3%A9rebro.pdf

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Entrevista com Irvin D. Yalom: ‘A consciência da finitude nos ensina a viver’O psiquiatra americano fala sobre envelhecimento e morte em sua nova obra

Quando escreve, em especial quando relata casos de pacientes que atende em seu consultório, o psiquiatra americano Irvin D. Yalom, hoje professor emérito de Stanford, onde lecionou por mais de 50 anos, tem em mente como leitor ideal o estudante de psicologia. Seus livros, porém, são um sucesso que extrapola esse nicho - vide o caso de Quando Nietzsche Chorou, romance com 5 milhões de cópias vendidas pelo mundo, 500.000 só no Brasil. 
O apelo da obra de Yalom se deve à universalidade dos temas que explora. Em Criaturas de um Dia (tradução de Ivo Korytowski, 176 páginas, 29,90 reais), livro recém-lançado pela editora Agir, o autor de best-sellers como A Cura de Schopenhauer trata do envelhecimento e da morte, a partir dos medos de seus pacientes, mas também dos próprios.
"Odeio essas situações embaraçosas. Reconhecer rostos nunca foi meu forte, e conforme envelheci isso foi progressivamente piorando", escreve, em certo trecho do livro. "Costumo refletir melhor quando ando de bicicleta. Por isso, fiz um longo passeio pela costa sul de Kauai. Isso não significava que eu havia superado meu próprio medo da morte. Isso era um trabalho constante e diário", compartilha com o leitor em outro momento. "A ansiedade diante da morte não desaparece. Especialmente para aqueles que, como eu, continuam sondando o inconsciente."
Valer-se de exemplos da própria experiência permitem a Yalom não apenas quebrar a distância que há entre terapeuta e paciente - afinal, envelhecer e enfrentar a morte não são desafios apenas para quem procura ajuda profissional. Mas também a criar aquilo que os psicólogos chamam de vínculo, um caminho útil para a cura. E o americano, que fez terapia ao longo de toda a carreira para lidar com as próprias questões e se preparar para administrar as de outros, não tem medo de falar de si mesmo.
"Acho difícil que eu volte a escrever romances aos 84 anos, um romance exige muito da memória", diz ao site de VEJA, ao comentar o próprio envelhecimento. "Todos nós, que envelhecemos, esquecemos palavras ou nomes e precisamos criar truques mnemônicos que nos ajudem a lembrar das coisas. Envelhecer é esquecer."
Ao lado do envelhecimento e da morte, a maneira como lidamos com ele é outro ponto forte de Criaturas de um Dia, um novo compilado de casos colhidos em seu consultório. "Eu trabalhei com pacientes de câncer e ouvi muitos dizerem, 'Que pena que tive de esperar até agora, que meu corpo está debilitado pela doença, para aprender a viver'." Então, essa é a vantagem de tomarmos logo consciência da nossa finitude."
Por que o senhor resolveu intitular seu livro com uma expressão do imperador filósofo Marco Aurélio, da Antiga Roma, "criaturas de um dia"? Não é um caminho óbvio procurar agir de maneira correta para ser uma pessoa melhor? Acho que Marco Aurélio é profundo em sua simplicidade. Ele nos lembra que somos criaturas de um dia - que somos transitórios e evanescentes e que a consciência da nossa finitude pode nos ensinar algo sobre como podemos ou devemos viver. Muito tempo atrás, eu trabalhei com pacientes de câncer e ouvi muitos dizerem, "Que pena que tive de esperar até agora, que meu corpo está debilitado pela doença, para aprender a viver". Então, essa é a vantagem de tomar consciência da nossa finitude e deixar que esse saber nos guie e nos ajude a decidir como viver. Toda vez que volto a Marco Aurélio, me sinto iluminado por ele. Um dos aspectos interessantes desse livro foi que eu recomendei a leitura de Marco Aurélio para dois pacientes meus e cada um tirou algo diferente - mas útil - do autor. E, além disso, algo diferente do que eu imaginava que tirariam da leitura.
Muitos de seus pacientes encontram sentido para a vida em seu consultório. É mesmo importante dar um sentido à vida? Eu posso ajudar pacientes a encontrar ou inventar um significado para as suas vidas, e isso é de fato útil. O livro Em Busca de Sentido (Vozes), do psiquiatra austríaco Viktor E. Frankl, é um best-seller há meio século porque ali Frankl descreve como a ideia de dar um significado à vida o fez sobreviver a um campo de concentração. Ele quis viver para sair dali e compartilhar essa experiência com outras pessoas, para que muitos soubessem e a atrocidade não se repetisse. Como disse Nietzsche: "Aquele que tem um porquê para viver pode suportar qualquer coisa".
Há pessoas que, depois do nascimento de um filho, passam a pensar menos na morte. Temos filhos para espantar o medo da morte? Sim, essa é uma observação interessante. Crianças são, como disse, o nosso projeto de imortalidade, mesmo que não tenhamos consciência disso. Em um livro que escrevi um bom tempo atrás, De Frente para o Sol - Como Superar o Terror da Morte (Agir), eu mencionei que a transmissão (de genes, de nós mesmos) era uma das formas potentes para dissipar a angústia da morte - a ideia de transmissão para o futuro, de passar algo de si mesmo aos outros como a ondulação provocada por uma pedra jogada na água.
No capítulo sobre a enfermeira que conforta os outros, mas não a si mesma, o senhor cita o poeta irlandês William Butler Yeats para dizer que o luto pela morte de uma criança é a "tragédia levada ao paroxismo". Isso lembra a comoção mundial causada pela recente morte, por afogamento, de um menininho sírio. Por que é mais difícil aceitar a morte de uma criança? Acredito que a morte de uma criança seja a mais difícil de todas de suportarmos. Pais que perderam filhos enfrentam uma angústia extraordinariamente dura. Por um lado, essa perda é também a morte do nosso projeto de imortalidade - a inviabilidade de projetarmos a nós mesmos ou parte de nós mesmos no futuro. É uma catástrofe poderosa que não raramente acaba com casamentos. Cada um, pai e mãe, sente a perda à sua maneira, o que resulta na quebra do vínculo conjugal. Um dos pais, por exemplo, pode viver seu luto mantendo um memorial do filho morto em casa, deixando seu quarto, com as roupas e os móveis, intacto, e querer falar sobre a morte com frequência. Já o outro pode escolher negar a perda e mergulhar no trabalho para não pensar a respeito.
Também no capítulo sobre a enfermeira, o senhor diz à sua paciente que as ações são mais importantes que os pensamentos. Isso é sempre verdade? Fantasiar uma relação com outra pessoa, portanto, não é trair o parceiro? Se fantasiar uma relação com outra pessoa é uma forma de traição, então, temo que não haja inocentes entre nós.
É mesmo mais digno, como o senhor escreve, manter a compostura diante da morte e não demonstrar desespero? É difícil imaginar alguém que não sinta ou demonstre desespero em algum ponto do processo de morrer, mas ao mesmo tempo eu penso que há como transcendê-lo. Lembro que o meu grupo de pacientes com câncer, que deixei algum tempo atrás, tinha uma mulher que caía frequentemente em desespero, até que um dia ela apareceu muito mais vigorosa, muito mais viva e, quando eu perguntei o que havia acontecido, ela disse que havia decidido ser, para seus filhos, um modelo de como encarar a morte com elegância. Em outras palavras, encontrar um sentido no processo, mesmo que seja o processo de deixar a vida, pode nos ajudar a superar o desespero.
O envelhecimento parece um tema difícil para o senhor, mas, como ele surge bastate no livro, é preciso perguntar: como lida com ele hoje? Eu tenho 84 anos e todos os dias testemunho o que é envelhecer. Sou abençoado por ter saúde física, mas poucos de nós escapam à perda da memória. Estou escrevendo um livro de memórias agora - algo apropriado para se fazer na minha idade - e sinto que deveria escrever rápido, enquanto ainda consigo lembrar tudo de que me lembro agora. Tenho sorte de ter uma parceira de vida, a minha mulher, que eu conheci aos 15 anos. Ela está ao meu lado e pode me ajudar com coisas que eu tenha esquecido. Todos nós, que envelhecemos, esquecemos palavras ou nomes e precisamos criar truques mnemônicos que nos ajudem a lembrar das coisas. Não acho que exista alguém com 80 anos que não tenha tido a experiência de entrar em um quarto sem saber por quê, por exemplo. Envelhecer é esquecer.
O senhor tem romances sobre Nietzsche, Espinoza e Schopenhauer. Vê muitas semelhanças entre a filosofia e a psicanálise? Anos atrás, quando era um estudante de psiquiatria, me vi descontente com os principais quadros de referência disponíveis - um esquema formal de psicanálise e um referencial médico-biológico. Foi quando me ocorreu que a psiquiatria não teria começado de fato no século XIX, com as descobertas de Freud e Jung, e sim remontaria aos textos dos grandes filósofos da antiguidade. Tem sido o trabalho da minha vida tentar tirar lições de grandes pensadores e escritores, como Epicuro, Plantão, Camus, Kierkegaard, Spinoza, Schopenhauer e muitos outros e aplicar seus pensamentos à psicoterapia.
No epílogo de Criaturas de um Dia, o senhor diz esperar que o livro aumente a sensibilidade dos terapeutas para temas existenciais, que são muito presentes em toda a obra. Com um assunto tão premente e o gosto claro por filosofia, por que o senhor nunca escreveu um romance sobre Sartre ou outro grande nome do Existencialismo? É tudo uma questão de mortalidade. Se pudesse viver mais e continuar a escrever romances, eu com certeza consideraria escrever sobre Camus e Sartre, porque eles fizeram descobertas extraordinárias. Contudo, se a gente olhar de perto, vai ver que poucos romancistas continuam a escrever depois dos 80 anos de idade. Escrever um romance é uma façanha da memória. Quando faz um capítulo, você tem de ter em mente tudo o que aconteceu nos anteriores, desde a trama desenhada para o livro. Escrever é difícil, e por isso pode ter vida mais curta.
Em que medida um terapeuta precisa ser maduro e bem resolvido para atender com eficiência os seus pacientes? Sempre que meus alunos me perguntavam sobre a necessidade de treinar para atender, em um consultório, eu enfatizava que eles deviam fazer terapia, como pacientes. E sublinhava que deviam fazer isso várias vezes ao longo da vida, para lidar com questões que surgem com o tempo, como a angústia que vem com o envelhecimento. Eu fiz terapia durante toda a minha carreira. E, cerca de 30 anos atrás, comecei um grupo com outros nove psiquiatras - um grupo sem líder em que nos encontrávamos para trocar ideias e experiências, e que foi uma importante fonte de apoio e formação. Recomendo a todos os terapeutas.

  Por: Maria Carolina Maia REvista Veja outubro de 2015.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

8 ATITUDES TÍPICAS DE PESSOAS QUE TÊM DEPRESSÃO, MAS NÃO DEMONSTRAM:

Medo ou desconhecimento?
Nesse artigo conheça 8 sintomas de pessoas que levam a vida com o que chamados de “depressão mascarada”, doença que elas tentam esconder ou mesmo que nem sabem que têm.
Embora a sociedade atual demonstre, de modo geral, um maior conhecimento sobre a depressão, o que se vê, muitas vezes, é uma compreensão equivocada desta doença e de seus sintomas.
Por tratar-se de uma doença marcada por um estigma, nem sempre conseguimos identificar familiares ou pessoas próximas que estejam lutando contra a depressão. Pior ainda: devido às concepções equivocadas sobre os diferentes modos de manifestação da doença, e o tipo de ajuda a ser buscado, muitos indivíduos que sofrem de depressão não recebem o devido diagnóstico.
O resultado disso é que muitos indivíduos convivem com uma depressão mascarada – ou seja, invisível para as pessoas que os cercam, ou mesmo para eles próprios. Além disso, nos casos em que não recebeu o diagnóstico adequado, o indivíduo tenderá a lidar com seus problemas de modo a esconder a depressão, e terá dificuldades para reconhecer os verdadeiros sintomas da doença.
É preciso deixar de lado a concepção de que o sofrimento é sempre visível. Deste modo, será possível compreender melhor e oferecer ajuda aos que lutam contra as doenças não manifestas. Listamos, a seguir, alguns sinais de uma pessoa que talvez sofra de uma depressão mascarada.

1. Ela talvez “não pareça deprimida”

Influenciados por estereótipos culturais e veiculados pela mídia, muitos têm uma imagem equivocada do comportamento e da aparência do indivíduo com depressão. Na visão do senso comum, esta pessoa raramente sai de seu quarto, veste-se com desleixo, e parece estar sempre triste. Porém, nem todos que sofrem de depressão têm o mesmo comportamento.
Claro que os indivíduos são diferentes, assim como variam os sintomas e a capacidade de cada um de lidar com a doença. Muitos conseguem exibir um “verniz” de boa saúde mental – como mecanismo de autoproteção –, mas o fato de serem capazes de fazê-lo não significa que eles sofram menos. Do mesmo modo, as pessoas incapazes de mostrar tal “verniz” não são mais “fracas” que as demais.

2. Ela pode parecer exausta, ou queixar-se de um cansaço constante

Um efeito colateral da depressão é um cansaço permanente. Embora este sintoma não se manifeste em todos que sofrem de depressão, ele é muito comum. Em geral, é um dos piores efeitos colaterais desta doença.
Além disso, se o indivíduo não recebeu o diagnóstico de depressão, a causa deste cansaço pode ser uma incógnita. Mesmo que ele durma um número suficiente de horas à noite, talvez acorde na manhã seguinte como se tivesse dormido pouco. Pior que isso: talvez ele culpe a si mesmo, atribuindo isso à preguiça ou então que algum defeito de sua personalidade esteja causando esta sensação de fraqueza e falta de energia.
Este sintoma também acaba se tornando uma dificuldade para quem recebeu o diagnóstico de depressão, mas tenta ocultá-la dos amigos e colegas. Isso porque esta sensação de cansaço afeta o seu ritmo de trabalho e também os seus relacionamentos pessoais.

3. Ela poderá ficar mais irritadiça

O comportamento de uma pessoa com depressão pode ser interpretado equivocadamente, como melancolia. É muito comum que a pessoa deprimida fique mais irritadiça, e que isso não seja interpretado como um sintoma da doença. Isso é compreensível, já que a depressão não é problema de saúde “visível”, e tampouco pode ser medido com precisão – o que dificulta o combate à doença.
Além disso, o esforço constante exigido do indivíduo para lidar, ao mesmo tempo, com as inúmeras demandas de sua vida cotidiana, e com a depressão, suga suas energias, deixando-o impaciente e incapaz de ter a compreensão exata sobre as coisas.
Se o seu amigo ou conhecido recebe o diagnóstico de depressão, e compartilha esta informação com você, uma dificuldade poderá surgir, caso o comportamento desta pessoa não corresponda à imagem (equivocada) que se tem de uma pessoa com depressão: um indivíduo tímido e calado. A tendência a ter “pavio curto” e a irritar-se com facilidade é, na verdade, um efeito colateral da depressão.

4. Para ela, pode ser difícil corresponder ao afeto e preocupação das pessoas ao redor

A ideia equivocada mais comum em relação à depressão, sugerida nos parágrafos acima, é que ela causa um sentimento de tristeza.
Pelo contrário: muitas vezes, o indivíduo com depressão não sente nada; ou então vive as emoções de modo limitado ou passageiro. Depende de cada caso, mas muitos relatam um sentimento parecido com o “torpor”, e o mais próximo que chegam de uma emoção é uma espécie de tristeza, ou irritação.
Deste modo, o indivíduo terá dificuldade para corresponder de modo adequado a gestos ou palavras afetuosas. Ou então nem se dará ao trabalho de manifestar qualquer reação.
Talvez demonstre uma irritação nada racional: é possível que o cérebro dele tenha dificuldades para processar e corresponder ao seu afeto e carinho.

5. Talvez recuse a participar de atividades de que gostava muito

Uma atípica falta de interesse em participar de atividades – e durante um longo período – pode ser um sinal de depressão. Conforme mencionado acima, esta doença drena a energia do indivíduo tanto no plano físico quanto no mental – o que afeta sua capacidade de sentir prazer com as atividades cotidianas.
Um indivíduo com depressão talvez não se sinta mais atraído por atividades que adorava no passado, pois esta doença acaba dificultando o desfrute de tais atividades, que não satisfazem mais o indivíduo. Se não há nenhum outro sinal visível que possa explicar o interesse cada vez menor do indivíduo por estas atividades, este talvez seja um sintoma de depressão clínica.

6. Talvez passe a ter hábitos alimentares incomuns

O indivíduo deprimido desenvolve hábitos alimentares incomuns por duas razões: como um modo de lidar com a doença, ou como um efeito colateral da ausência do cuidado consigo mesmo. Comer pouco ou em demasia é um sinal comum de depressão. A ingestão excessiva de alimentos é vista como vergonhosa, e neste caso a comida talvez seja a principal fonte de prazer da pessoa com depressão, o que a faz comer além do necessário.
Quando o indivíduo depressivo come pouco, em geral é porque a doença está afetando seu apetite, transformando o ato de comer em algo desagradável. Isso também pode ser uma necessidade subconsciente de controlar algo, já que ele não é capaz de controlar sua depressão. Se a pessoa não recebeu o devido diagnóstico, ou se omitiu diante das pessoas o fato de estar deprimida, elas poderão considerar que os hábitos alimentares “errados” se devem a um defeito de personalidade, e tal “julgamento” fará com que o indivíduo deprimido se sinta ainda pior.

7. Os outros talvez passem a exigir mais de você

Naturalmente, as funções vitais de um indivíduo com depressão não podem ser as mesmas de alguém com boa saúde mental. Haverá coisas que ele não será mais capaz de fazer com a mesma frequência, ou abandonará de vez. Perturbá-lo ou fazer com que ele se envergonhe por causa disso só tende a causar mágoas, em vez de ajudar. Se a depressão é um assunto que ele tem tido dificuldade de abordar, será igualmente difícil para ele lidar com alguém que fique irritado diante de sua incapacidade de agir do mesmo modo que uma pessoa mentalmente sadia.
Por isso, convém sempre ser compreensivo com as pessoas, seja de seu círculo profissional ou do pessoal. Não há como saber se um indivíduo está simplesmente “desacelerando”, ou se está enfrentando um verdadeiro problema de saúde.

8. Ela poderá ter dias ruins, e dias “melhores”

Trata-se de uma doença com altos e baixos. Se o indivíduo sofre de uma depressão mascarada, ou não diagnosticada, pode parecer que suas flutuações de humor são aleatórias, dependendo da regularidade de sua depressão. Para você (e mesmo para ele, no caso de ele não ter recebido um diagnóstico), talvez não haja uma motivação para as alterações de humor, mas esta é simplesmente a maneira como a depressão se manifesta em algumas pessoas.
Se você sabe que o indivíduo sofre de depressão, poderá ter a falsa impressão de que ele, tendo passado por uma sequência de dias “bons”, está definitivamente curado. O fato de ele ter passado um dia melhor do que na véspera pode ser excelente, mas convém que você sempre lhe peça para que ele deixe claro o que consegue ou não fazer, e em que momentos.
Concluir que o indivíduo que sofria de depressão está plenamente recuperado, ou forçá-lo a retomar rapidamente a rotina normal poderá sobrecarregá-lo, e fazer com que ele se “retraia” novamente. Ofereça apoio ao amigo ou parente com depressão, mas deixe queele tome as decisões necessárias.

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Fonte: lifehack via PensadorAnônimo

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A quem Ama - Artur da Távola

Um pedacinho de um dos meus livros prediletos - Que está sendo lido pela Quarta Vez.....
DO AMOR, Ensaio de Enigma

O homem (se) constrói o mito da perfeição pela dificuldade de aceita a inerente imperfeição  e incompletude dos atos da vida. Quanto mais o ser humano se ausculte, será para defrontar-se com a impossibilidade de alguma solução pacificadora, permanente, perfeita e acabada. Somos um fazer-se sem descanso.  Só temos paz nos raros momentos em que acertamos  ou intuímos a existência de uma plenitude cuja percepção escapa, logo de alcançada.
Os casos de amor vivem rondados por frustração ou arrependimento. Não o amor. Este é íntegro, irrefutável, cristalino, pleno e indubitável; mas os amantes, seus precários portadores. Quase sempre o tamanho do amor é maior que o dos amantes.  As pessoas têm mais amor do eu podem. Daí o fardo pesado que é carregar a chance de felicidade.
O amor é pleno mas cada amante vive envolto numa teia de limitações. Sobrevém a eterna disjuntivas: frustração ou arrependimento. Entregar-se a um amor é abandonar outros. Optar é renunciar. E, do que se renuncia e abandona, pode provir, depois, arrependimento. Afastar-se de um amor, ainda que por lúcidas razões, pode gerar, adiante, a frustração pelo que se deixou de viver.
Arrependimento e frustração são, pois, duas ameaças inevitáveis para amantes que se descobrem viáveis em pele, olho, poesia e suspiro, na medida em que se sabem cercados de repressões, compromissos, impossibilidades ou, então, exorbitantes preços existenciais a pagar pela meia felicidade.
Viver implica essa dolorosa tarefa (suplício e enigma): a de integrar esses pedaços opostos, incorporando dificuldades, vivenciando a eterna imperfeição de tudo.  Viver é descobrir-se inocente e virgem quando já se considerava pronto, vivido, definido e auto-suficiente. Somos fadados a ser pessoas sempre em algum limiar. Quanto mais conhecimento e vivência, novos limiares.
O sofrimento do homem deriva dessa estranha divisão de sua alma: ele precisa de nitidez, de encaixes perfeitos, de caminhos retos, mas só lhe e dado viver situações provisórias e incertas, sinuosos pedaços de retidão, o que o leva a manifestar, até pela mentira, as suas mais fundas verdades.
O amor, porém (não os amantes), rompe esse exercício de sofrimento, pois liga o homem a uma finalidade. Por isso o amor permite o sabor-saber, fugidio e delicioso, de algo pleno, sempre fora e além de nós, mas vivido em nós (por isso enigma), uma certeza adivinhada (e breve vivida) de plenitudes impossíveis.
O amor traz a certeza secreta de uma instância de paz, plenitude e perfeição da qual a vida é um aprendizado, por isso incompleta e inacabada, provisória e sempre em busca. O amor é o filme, mas a vida e os amantes são o trailer de um filme que se intui possível, porém nunca alguém o verá.
O amor é pleno mas os amantes precários, impossíveis, atrapalhados por eles mesmos e suas opções sempre “certerradas”.
No amor, a todo Idea corresponde algum erro real de exercício. Por isso, quem ama vive a misturar pedaços de verdades pela impossibilidade de viver a totalidade. Aqui residem o suplício e o enigma de viver: o amor é total, pleno, mas a vida de quem ama é feita de pedaços, de renuncias ou arrependimentos, de impossibilidades ou carências. Aceitar o enigma sem o deslindar é aprender a viver; é amadurecer: exige trabalho interior penoso, grandeza, equilíbrio e autoconhecimento.

Somos um todo fragmentante que, para se recompor e harmonizar, precisa viver as divisões, os sofrimentos e os açoites das mentiras que conduzem às nossas verdades mais profundas.  Viver em plenitude todos os polos de que somos compostos, eis a ressurreição em vida. O amor, em sua qualidade de rio de muitas vertentes, ajuda e ilumina esse processo de autoconhecimento permanente que é a única forma de autoconhecer-se. Por isso o amor é um estranhamento; e, ao vive-lo, os amantes atrapalham-se, atropelando-o. (Artur da Távola)

sábado, 4 de julho de 2015

A felicidade pode ser construída - Não aguento mais! Onde encontro a felicidade?

ss artigo 2
A partir de uma reflexão, um tema muito vivenciado entre os seres humanos desde épocas muito remotas e nada melhor do que partir do princípio de Freud com a seguinte citação: “Entretanto, quanto menos um homem conhece a respeito do passado e do presente, mais inseguro terá de mostrar-se seu juízo sobre o futuro” (p. 15). As pessoas de modo geral têm dificuldade em olhar para seu presente, vida pessoal, atitudes, suas relações interpessoais ou no trabalho, o mesmo em relação ao passado, que muitas vezes desejam apagar o que não querem ver, ou mesmo realmente não lembram, tendo uma vaga lembrança do que se foi. Pensam que poderiam ter feito diferente, que realmente não sabiam o que estavam fazendo, ou que pouco importa, pois já aconteceu.
O fato é como Freud colocou que “não somos donos da nossa própria casa” e que dentro do inconsciente não se sabe qual será o próximo passo, apesar de muitas vezes ignorar-se a intuição de que algo irá se repetir. O ser humano é sequioso de respostas, indagações de como será seu futuro, fantasiando que tudo será melhor, que fará diferente, esquecendo-se de que sem olhar para seu passado e para seu presente, a tendência será uma série de repetições que no final das contas será de muita insatisfação pelo que não deveria ter feito ou pelo que deixou de aproveitar. Esquece-se de que a vida não é feita de ilusões, mas precisa ser vivida mesmo diante de circunstâncias difíceis que virão o tempo todo, pois existe algo muito maior que se chama natureza.
O homem está fixado no que Freud chamou de narcisismo, somente olha para si, mas não um olhar de reforma íntima ou crescimento, mas sim de um querer absoluto e imediatista. Apesar de a ciência ter evoluído e auxiliado as gerações, o ser humano se esquece das relações interpessoais, buscando apenas aparelhos mais sofisticados para sua satisfação. Sendo essa uma fantasia de completude, um prazer efêmero, fazendo-o buscar sempre mais. Essa busca além de trazer a frustração interna, faz com que permaneça belicoso com a natureza, mesmo sabendo que o perdedor será ele mesmo.
Como conseguir uma solução para essa angústia que atormenta as pessoas? Pode-se pensar que a fé tem sido uma aliada, aliviando as dores, mas, mesmo assim, muitas pessoas ainda sentem um vazio, uma angústia, uma dor que se torna física, mas que inicialmente não encontra vestígios num consultório médico, e fica-se com a seguinte receita: “Você está estressado! Tome uma pílula da felicidade, afogue suas mágoas, esqueça os problemas, durma sem sonhar que poderá um dia mudar sua vida!” Num primeiro instante parece ser a solução, volta-se a dormir, sente-se mais calmo. Ou será que está na verdade, “zumbizando” durante o horário de trabalho? Então a sujeira debaixo do tapete começa a aparecer, atos falhos, esquecimentos, chefe cobrando, a família cobrando, não se brinca mais com os filhos, só se grita ou se cobra, só se tem vontade de dormir, dentre vários canais com assuntos diferentes você não se interessa por nenhum, pronto ela chegou: sua depressão! E agora, o que aconteceu? Você se pergunta: Fiz tudo o que o médico falou, tomei a pílula, cortei alguns alimentos, nem todos claro, um chocolate às escondidas, voltei a fazer atividade física, tudo bem que falto mais do que vou, bebo agora só nos finais de semana, que mal há em beber uma cervejinha com os amigos? O problema é que minha gastrite voltou, tenho pressão alta, o fígado não está bom e meu mau humor nem se fala! O que há de errado? Todos parecem tão felizes, eu os vejo no facebook, na televisão, no meu vizinho! Então como não se dar conta da própria vida? Olha-se a do vizinho, dos filhos, da sogra, do colega de trabalho, dizendo que toda a culpa é dos pais que fizeram ou deixaram de fazer algo.
Sabe-se que nos homens existem tendências destrutivas, com isso, na sociedade, encontramos indivíduos cada dia mais doentes, não aceitam proibições, regras ou leis. Finalmente percebe-se que as pessoas encontram-se fadadas à frustração e à insatisfação. Será mesmo esse o fim? Nesse mundo não existe felicidade? Para finalizar Freud coloca: “Gerações novas, que forem educadas com bondade, ensinadas a ter uma opinião elevada da razão, e que experimentarem os benefícios da civilização numa idade precoce, terão atitude diferente para com ela. Senti-la-ão como posse sua e estarão prontas, em seu benefício, a efetuar os sacrifícios referentes ao trabalho e à satisfação instintual que forem necessários para sua preservação” (p. 18). O exemplo mostra práticas saudáveis e que pode-se plantar sementes de solidariedade, capacitando uns aos outros, solidificando uma consciência construtiva para que a sociedade busque aliar-se às leis naturais, lutando pela própria vida. Existe uma explicação para todas essas dores e enfermidades, que não tem origem fisiológica, uma explicação que a Psicanálise pode mostrar. Não é com uma pílula que as coisas se resolverão, mas sim com atenção, respeito, confiança. O processo psicanalítico pode mostrar as respostas, que na verdade, estão muito mais próximas do que se imagina.

Referência:
FREUD. Sigmund. O futuro de uma ilusão, o Mal-Estar na Civilização e outros trabalhos (1927-1931). Coleção Imago. Vol. XXI
 extraído do original de Natália Tesouro Pereira
Psicanalista