A
música está presente em quase todos os ambientes que frequentamos: reuniões de
amigos, salas de espera, elevador… A música pode ter o poder de nos deixar mais
calmos e relaxados depois de um dia longo de trabalho, ou de nos agitar para
curtir uma festa no fim de semana.
Em
nossa cultura, temos o hábito de cantar para os bebês desde que nascem e
continuar expondo as crianças à música durante toda sua infância. Para as
crianças com TEA isto não é diferente. É comum encontrarmos crianças com
autismo que cantam antes de falar ou que se interessam pouco por brinquedos,
mas ficam atentas imediatamente ao ouvir uma música do Patati Patatá. Mas, como
podemos utilizar músicas para auxiliar no desenvolvimento dessas crianças?
Uma maneira
de se utilizar a canção para estimular o desenvolvimento de crianças com TEA
que se interessam por música, é esperar que ela faça contato ocular para
iniciar a cantiga e se manter cantando enquanto a criança se mantiver na
interação através do contato ocular. Caso ela se disperse, podemos parar a
canção e continuá-la quando a criança novamente retomar a interação social,
olhando novamente. Isso torna a música, cada vez mais, um contexto de interação
social, aumentando a chance da criança ver o contato ocular como algo agradável
e passar a olhar mais também em outros contextos.
Podemos
também utilizar músicas em rotinas diárias, de modo a facilitar a adesão da
criança nestas atividades, tais como escovar os dentes, tomar banho, almoçar. A
música funciona como uma antecipação e prepara a criança para a mudança de
foco, evitando com isso situações de recusa ou dificuldade de aceitação da
atividade nova.
É
interessante observar que crianças em geral (não só aquelas com autismo)
preferem músicas que possuem repetições e padrões. Vamos pensar na música
“Atirei o pau no gato” como exemplo:
“Atirei
o pau no gato to
Mas o
gato to
Não
morreu reu reu
Dona
Chica ca
Admirou-se
se
Do
berro, do berro
Que o
gato deu
Miau!”
É fácil
perceber as rimas e repetições nesta cantiga, não é? Para as crianças que a
escutam várias vezes, esta melodia pode auxiliar no desenvolvimento de sua
linguagem, já que é fácil ouvir, gravar e repetir os sons.
Uma
criança que está começando a falar suas primeiras palavras terá mais facilidade
de repetir os sons mais fáceis (“gato”, “miau”). Assim, ao cantarmos a música
para ela, podemos fazer o exercício de parar para que ela complete a frase com
tais palavras. Ex: “Atirei o pau no gato…” e a criança deve dizer “to”.
Já
quando a criança estiver falando bem, esta música pode contribuir com palavras
e expressões novas para seu vocabulário (“admirou-se”, “berro”).
Pensando
de forma mais ampla, a música pode ser utilizada para auxiliar na socialização
com outras crianças. Cantando juntas, as crianças podem brincar de roda, de
adoleta, dançar… São muitas as possibilidades! E, com o auxílio da música, as
relações sociais podem ser trabalhadas de forma mais prazerosa para a criança
com dificuldades nesta área.
Além
disso, durante as aulas de música na escola é comum que, além de cantar, as
crianças aprendam a utilizar instrumentos musicais concomitantemente. Em alguns
casos, percebemos que a manipulação desses instrumentos pode reduzir os
comportamentos estereotipados na medida em que eles ganham uma nova função:
produzir um som em uma música. O uso de instrumentos musicais pode também
auxiliar no treino de troca de turno, em que a criança aprende que uma hora ela
toca, outra hora ela espera.
Enfim,
são várias as possibilidades de se trabalhar com música. Observando e
procurando identificar o que agrada mais a cada criança podemos estimular o
desenvolvimento de forma descontraída e divertida!
Fonte: http://www.abaeautismo.com.br/2014/03/muitas-criancas-com-autismo-amam-musica.html