Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.

Carl Rogers

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Abordagem Centrada na Pessoa (ACP)



Resumo: Esse trabalho tem a finalidade de refletir e analisar a contribuição de Carl Rogers acerca da Abordagem Centrada na Pessoa, que situa-se na corrente humanista da Psicologia. Desse modo, a pesquisa de cunho bibliográfica visou entender as premissas fundamentais da teoria, expor os conceitos sobre tendência atualizante e não diretividade e explicitar os conceitos de aceitação positiva incondicional e congruência. Nesse sentido, a visão de Rogers trouxe um novo olhar para Psicologia, no sentido de acreditar que a pessoa tem um potencial para a mudança, bem como tem um núcleo básico da personalidade direcionado à tendência à saúde.
Considerações Iniciais
O pensamento de Carl Rogers sofreu modificações ao longo de sua trajetória profissional. De tal modo, a própria denominação da sua proposta foi modificada. A princípio Rogers a nomeia de Psicologia Não-Diretiva ou aconselhamento Não-Diretivo. Posteriormente, passa a denominá-la de Terapia Centrada no Cliente e por último, Abordagem Centrada na Pessoa, que segundo ele, é a denominação mais adequada à sua teoria.
A abordagem centrada na pessoa (ACP) se insere na corrente humanista da psicologia com o intuito de trazer um novo olhar acerca do que é o ser humano, seu proponente é o teórico Carl Rogers (1902-1987), um psicólogo norte-americano que apoiou seu trabalho em sólidas pesquisas e observações no contexto clínico.
Nesse prisma, a abordagem centrada na pessoa (ACP) rejeita às idéias dos outros psicólogos, que se concentrou na perspectiva que todo sujeito possuía uma neurose básica. Nesse sentido, Rogers defendeu a idéia de que o núcleo básico da personalidade humana era a tendência à saúde e ao crescimento.
Com essa descoberta, o processo psicoterapêutico nessa ênfase passou a postular uma cooperação entre terapeuta e cliente a fim de liberar esse núcleo de personalidade, estimulando ao amadurecimento emocional, a redescoberta da auto-estima e da auto-confiança.
Há três pressupostos básicos e simultâneos que devem acontecer para que o relacionamento entre terapeuta e cliente ocorra e para que haja a descoberta desse núcleo positivo que há dentro de cada sujeito. Sendo elas: a consideração positiva, incondicional empatia e a congruência.
Esse método psicoterapêutico deve passar pelo amadurecimento do próprio terapeuta, tendo em vista que este não deve simplesmente “apropriar-se” da técnica utilizada, mas, sobretudo, experienciar tal técnica, até que seja próprio e natural o seu agir. Desse modo, não existe uma técnica “rogeriana”, mas terapeutas que se assemelham a conduta postulada por Rogers.
Abordagem Centrada na Pessoa: Premissas Fundamentais

Carl Rogers foi um psicólogo norte-americano que trouxe a partir de seus estudos e métodos científicos uma nova forma de pensar a respeito da mudança nos processos terapêuticos. Assim, esse teórico veio a desenvolver um modelo de intervenção que intitulou-se inicialmente por Terapia Centrada no Cliente.
A Abordagem Centrada na Pessoa foi uma expressão utilizada por Carl Rogers para referir uma forma específica de entrar em relação com outro, estando implícito um modo positivo de conceitualizar a pessoa humana. Esta expressão representa uma evolução no pensamento de Carl Rogers e no quadro teórico por ele desenvolvido, que foi formalizada na publicação do seu livro Sobre o Poder Pessoal (em inglês, On Personal Power, 1977), onde explicita a aplicação do seu quadro conceptual aos mais diversos campos (GOBBI et al., 1998: 13).
Progressivamente, essa filosofia foi encontrando horizontes profissionais em diversos campos de trabalho, nos grupos, nas organizações, na educação, acabando por se constituir um movimento que é conhecido na atualidade como Abordagem Centrada na Pessoa. Sendo assim, se caracteriza como uma abordagem fenomenológica que privilegia a experiência subjetiva da pessoa.
Desse modo, dois conceitos foram criados por Rogers, e que são considerados como pontos fundamentais para o entendimento do seu modelo terapêutico e que são: Tendência Atualizante e a Não Diretividade.
Tendência Atualizante e Não Diretividade
A noção de Tendência Atualizante é para Rogers o postulado fundamental da Abordagem Centrada na Pessoa, à medida que conduz não só à satisfação das necessidades básicas do organismo, como também às mais complexas. A Tendência Atualizante permite, por um lado, a confirmação do Self e, por outro, a preservação do organismo, facultando assim, a consonância entre a experiência vivida e a sua simbolização (CAPELO, 2000).
Nessa perspectiva, sempre que essa consonância não se verifique, a pessoa pode entrar numa espécie de incongruência consigo mesmo, gerando uma desorganização entre a experiência real e a simbólica, o que leva a um comportamento desajustado, os quais, por sua vez, afetam a personalidade.
A tendência atualizante é o pilar da teoria rogeriana, tendo em vista que sua proposta prioriza a capacidade que o cliente tem de auto-atualizar suas potencialidades e de ser autêntico com suas próprias escolhas e decisões.
No que tange ao conceito de não diretividade, pode-se considerar esse como o primeiro postulado da teoria de Rogers que logo evoluiu para Abordagem Centrada na Pessoa. A definição de não diretividade passa, segundo Rogers, pelo acreditar que "o indivíduo tem dentro de si amplos recursos para autocompreensão, para alterar seu auto-conceito, suas atitudes e seu comportamento autodirigido" ( Rogers, 1989: 16).
Neste sentido a Não Diretividade pode ser entendida como uma forte subscrição do conceito de Tendência Atualizante na medida em que "É uma confiança de que o cliente pode tomar as rédeas, se guiado pelo técnico, é a confiança de que o cliente pode assimilar insight se lhe for inicialmente dado pelo técnico, pode fazer escolhas".(Rogers, citado por Raskin, 1998:76).
Aceitação Positiva Incondicional e Congruência

A aceitação positiva incondicional é uma atitude assente na crença no potencial interno humano, derivando do principal conceito proposto por Rogers a Tendência Atualizante (Gobbi et al., 1998).
Desse modo, a aceitação incondicional se caracteriza como um modo de aceitar a pessoa tal como ela é, sem juízos de valor ou críticas.
Nesses termos, a consideração positiva incondicional é "uma aceitação calorosa de cada aspecto da experiência do cliente" (BACELLAR APUD Wood et al , 2012). Não há sentimentos que não possam ser expressos e "isto significa um cuidado com o cliente, mas não de forma possessiva (...) implica numa forma de apreciar o cliente como uma pessoa individualizada" (BACELLAR APUD Wood et al , 2012).
Finalmente, a congruência pretende indicar o estado de coerência ou acordo interno e de autenticidade de uma pessoa, a qual se traduz na sua capacidade de aceitar os sentimentos, as atitudes, as experiências, de se ser genuíno e integrado na relação com o outro (Rogers, 1985).
Nesse processo de congruência, a pessoa entra em um processo de aceitação de si mesmo, tornando-se assim, a pessoa que deseja ser, mais flexível, de modo que possa adaptar objetivos mais realistas para si próprio e, simultaneamente, capaz de aceitar os outros.
Considerações Finais
As discussões tecidas nesse artigo visam situar o modelo teórico postulado por Carls Rogers. A Abordagem Centrada na Pessoa situa-se na área humanista da Psicologia e se propõe em ser uma área que vê a pessoa com potencial natural para o crescimento e para a saúde a partir da experiência, que se denomina tendência atualizante. Esse modelo teórico defende que a construção de uma relação empática possibilita o desenvolvimento pessoal do indivíduo e estimula a uma vida mais congruente. De tal modo, essa pesquisa se mostra relevante para fomentar o contexto da psicologia humanista, assim como contribui para o esclarecimento acerca dessa visão de homem.
Sobre o Autor

Alex Barbosa Sobreira de Miranda - Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências Médicas.

Projeto une esporte e reabilitação para pacientes com câncer de mama

Pioneiro, o Projeto Remama utiliza o uso do remo para reabilitação de pacientes com câncer




Na manhã desta segunda-feira, 27 de maio, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – Icesp recebeu da Rede de Reabilitação Lucy Montoro um equipamento que simula o remo. Esse aparelho auxiliará as pacientes com câncer de mama no processo de reabilitação.
O projeto chamado Remama é pioneiro no país para a reabilitação de pacientes em tratamento desse tipo de câncer. Inspirado em um modelo internacional, que começou no Canadá, o Remama terá três estágios. Primeiro as pacientes que passaram por cirurgia ou sessões de quimioterapia, farão exercícios de remada realizadas no Icesp, posteriormente treinarão no “barco escola” no Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo – Cepeusp, e por final farão os exercícios na Raia Olímpica de Remo da USP.
No lançamento do projeto, a Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Dra. Linamara Rizzo Battistella, destacou o cuidado que o Icesp está tendo em relação ao desenvolvimento de centros voltados às pessoas com câncer. “O Icesp tem a preocupação de desenvolver uma linha de cuidados integrais para as pessoas com câncer e tem trazido dentro dessa filosofia uma oportunidade incrível de levar mais conhecimento, mais experiência, mais ciência para todos os centros que atendem pacientes com câncer dentro e fora do nosso país”.
Dra. Linamara falou também da importância desse esporte na reabilitação, “ao lado de dar condições de fortalecimento da musculatura, da melhora respiratória, esse exercício também desenvolve a autoestima do paciente”.  E finalizou: “o Icesp não cansa de inovar, não cansa de ampliar os cuidados”.
O exercício desenvolvido pelo remo trabalha toda a musculatura, principalmente da região peitoral, contribuindo para o aumento da capacidade aeróbica e com o ganho de massa muscular.
Carlos Bezerra de Albuquerque, diretor do Cepeusp falou um pouco sobre os profissionais que auxiliarão as pacientes. “Os professores de remo serão do Cepeusp, em parceria com os educadores físicos do Icesp. Acreditamos que em setembro já tenhamos as primeiras remadoras entrando efetivamente na água”.
“Essa parceria é extremamente importante, a Federação dá todo o apoio a esse maravilhoso projeto. O remo é um dos principais esportes que dá condicionamento físico. Além disso, esse exercício ajuda a incluir essas pacientes na sociedade novamente”, enfatizou Tiago Garcia Clemente, da Federação Paulista de Remo.
A coordenadora do Serviço de Reabilitação do Icesp, Christina Brito, ressaltou que um dos objetivos do projeto é promover a atividade física fora do ambiente terapêutico. “Será uma extensão desse ambiente, já que comprovadamente, o exercício físico é muito benéfico para pacientes com câncer, além disso, desmistificar que atividade física envolvendo a musculatura peitoral, dos membros superiores, não pode ser realizada dentro desse grupo de pacientes”.
O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres em todo mundo, embora também acometa o gênero masculino, em uma proporção de 1 homem para 10 mulheres.


sábado, 25 de maio de 2013

Acordei Doente Mental



A quinta edição da “Bíblia da Psiquiatria”, o DSM-5, transformou numa “anormalidade” ser “normal”
ELIANE BRUM



A poderosa American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria – APA) lançou neste final de semana a nova edição do que é conhecido como a “Bíblia da Psiquiatria”: o DSM-5. E, de imediato, virei doente mental. Não estou sozinha. Está cada vez mais difícil não se encaixar em uma ou várias doenças do manual. Se uma pesquisa já mostrou que quase metade dos adultos americanos tiveram pelo menos um transtorno psiquiátrico durante a vida, alguns críticos renomados desta quinta edição do manual têm afirmado que agora o número de pessoas com doenças mentais vai se multiplicar. E assim poderemos chegar a um impasse muito, mas muito fascinante, mas também muito perigoso: a psiquiatria conseguiria a façanha de transformar a “normalidade” em “anormalidade”. O “normal” seria ser “anormal”.
A nova edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) exibe mais de 300 patologias, distribuídas por 947 páginas. Custa US$ 133,08 (com desconto) no anúncio de pré-venda no site da Amazon. Descobri que sou doente mental ao conhecer apenas algumas das novas modalidades, que tem sido apresentadas pela imprensa internacional. Tenho quase todas. “Distúrbio de Hoarding”. Tenho. Caracteriza-se pela dificuldade persistente de se desfazer de objetos ou de “lixo”, independentemente de seu valor real. Sou assolada por uma enorme dificuldade de botar coisas fora, de bloquinhos de entrevistas dos anos 90 a sapatos imprestáveis para o uso, o que resulta em acúmulos de caixas pelo apartamento. Remédio pra mim. “Transtorno Disfórico Pré-Menstrual”, que consiste numa TPM mais severa. Culpada. Qualquer um que convive comigo está agora autorizado a me chamar de louca nas duas semanas anteriores à menstruação. Remédio pra mim. “Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica”. A pessoa devora quantidades “excessivas” de comida num período delimitado de até duas horas, pelo menos uma vez por semana, durante três meses ou mais. Certeza que tenho. Bastaria me ver comendo feijão, quando chego a cinco ou seis pratos fundo fácil. Mas, para não ter dúvida, devoro de uma a duas latas de leite condensado por semana, em menos de duas horas, há décadas, enquanto leio um livro igualmente delicioso, num ritual que eu chamava de “momento de felicidade absoluta”, mas que, de fato, agora eu sei, é uma doença mental. Em vez de leite condensado, remédio pra mim. Identifiquei outras anomalias, mas fiquemos neste parágrafo gigante, para que os transtornos psiquiátricos que me afetam não ocupem o texto inteiro.
Há uma novidade mais interessante do que as doenças recém inventadas pela nova “Bíblia”. Seu lançamento vem marcado por uma controvérsia sem precedentes. Se sempre houve uma crítica contundente às edições anteriores, especialmente por parte de psicólogos e psicanalistas, a quinta edição tem sido atacada com mais ferocidade justamente por quem costumava não só defender o manual, como participar de sua elaboração. Alguns nomes reluzentes da psiquiatria americana estão, digamos, saltando do navio. Como não há cordeiros nesse campo, movido em parte pelos bilhões de dólares da indústria farmacêutica, é legítimo perguntar: perceberam que há abusos e estão fazendo uma “mea culpa” sincera antes que seja tarde, ou estão vendo que o navio está adernando e querem salvar o seu nome, ou trata-se de uma disputa interna de poder em que os participantes das edições anteriores foram derrotados por outro grupo, ou tudo isso junto e mais alguma coisa? 
Não conheço os labirintos da APA para alcançar a resposta, mas acredito que vale a pena ficarmos atentos aos próximos capítulos. Por um motivo acima de qualquer suspeita: o DSM influencia não só a saúde mental nos Estados Unidos, mas é o manual utilizado pelos médicos em praticamente todos os países, pelo menos os ocidentais, incluindo o Brasil. É também usado como referência no sistema de classificação de doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). É, portanto, o que define o que é ser “anormal” em nossa época – e este é um enorme poder. Vale a pena sublinhar com tinta bem forte que, para cada nova patologia, abre-se um novo mercado para a indústria farmacêutica. Esta, sim, nunca foi tão feliz – e saudável.
O crítico mais barulhento do DSM-5 parece ser o psiquiatra Allen Frances, que, vejam só, foi o coordenador da quarta edição do manual, lançada em 1994. Professor emérito da Universidade de Duke, ele tem um blog no Huffington Post que praticamente usa apenas para detonar a nova Bíblia da Psiquiatria. Quando a versão final do manual foi aprovada, enumerou o que considera as dez piores mudanças da quinta edição, num texto iniciado com a seguinte frase: “Esse é o momento mais triste nos meus 45 anos de carreira de estudo, prática e ensino da psiquiatria”. Em carta ao The New York Times, afirmou: “As fronteiras da psiquiatria continuam a se expandir, a esfera do normal está encolhendo”. 
Entre suas críticas mais contundentes está o fato de o DSM-5 ter transformado o que chamou de “birra infantil” em doença mental. A nova patologia é chamada de “Transtorno Disruptivo de Desregulação do Humor” e atingiria crianças e adolescentes que apresentassem episódios frequentes de irritabilidade e descontrole emocional. No que se refere à patologização da infância, o comentário mais incisivo de Allen Frances talvez seja este: “Nós não temos ideia de como esses novos diagnósticos não testados irão influenciar no dia a dia da prática médica, mas meu medo é que isso irá exacerbar e não amenizar o já excessivo e inapropriado uso de medicação em crianças. Durante as duas últimas décadas, a psiquiatria infantil já provocou três modismos — triplicou o Transtorno de Déficit de Atenção, aumentou em mais de 20 vezes o autismo e aumentou em 40 vezes o transtorno bipolar na infância. Esse campo deveria sentir-se constrangido por esse currículo lamentável e deveria engajar-se agora na tarefa crucial de educar os profissionais e o público sobre a dificuldade de diagnosticar as crianças com precisão e sobre os riscos de medicá-las em excesso. O DSM-5 não deveria adicionar um novo transtorno com o potencial de resultar em um novo modismo e no uso ainda mais inapropriado de medicamentos em crianças vulneráveis".
A epidemia de doenças como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) tem mobilizado gestores de saúde pública, assustados com o excesso de diagnósticos e a suspeita de uso abusivo de drogas como Ritalina, inclusive no Brasil. E motivado algumas retratações por parte de psiquiatras que fizeram seu nome difundindo a doença. Uma reportagem do The New York Times sobre o tema conta que o psiquiatra Ned Hallowell, autor de best-sellers sobre TDAH, hoje arrepende-se de dizer aos pais que medicamentos como Adderall e outros eram “mais seguros que Aspirina”. Hallowell, agora mais comedido, afirma: “Arrependo-me da analogia e não direi isso novamente”. E acrescenta: “Agora é o momento de chamar a atenção para os perigos que podem estar associados a diagnósticos displicentes. Nós temos crianças lá fora usando essas drogas como anabolizantes mentais – isso é perigoso e eu odeio pensar que desempenhei um papel na criação desse problema”. No DSM-5, a idade limite para o aparecimento dos primeiros sintomas de TDAH foi esticada dos 7 anos, determinados na versão anterior, para 12 anos, aumentando o temor de uma “hiperinflação de diagnósticos”. 
Pensar sobre a controvérsia gerada pelo nova “Bíblia da Psiquiatria” é pensar sobre algumas construções constitutivas do período histórico que vivemos. Construções culturais que dizem quem somos nós, os homens e mulheres dessa época. A começar pelo fato de darmos a um grupo de psiquiatras o poder – incomensurável – de definir o que é ser “normal”. E assim interferir direta e indiretamente na vida de todos, assim como nas políticas governamentais de saúde pública, com consequências e implicações que ainda precisam ser muito melhor analisadas e compreendidas. Sem esquecer, em nenhum momento sequer, que a definição das doenças mentais está intrinsicamente ligada a uma das indústrias mais lucrativas do mundo atual.
Parte dos organizadores não gosta que o manual seja chamado de “Bíblia”. Mas, de fato, é o que ele tem sido, na medida em que uma parcela significativa dos psiquiatras do mundo ocidental trata os verbetes como dogmas, alterando a vida de milhões de pessoas a partir do que não deixa de ser um tipo de crença. Talvez seja em parte por isso que o diretor do National Institute of Mental Health (Instituto Nacional de Saúde Mental – NIMH), possivelmente a maior organização de pesquisa em saúde mental do mundo, tenha anunciado o distanciamento da instituição das categorias do DSM-5. Thomas Insel escreveu em seu blog que o DSM não é uma Bíblia, mas no máximo um “dicionário”: “A fraqueza (do DSM) é sua falta de fundamentação. Seus diagnósticos são baseados no consenso sobre grupos de sintomas clínicos, não em qualquer avaliação objetiva em laboratório. (...) Os pacientes com doenças mentais merecem algo melhor”. O NIMH iniciou um projeto para a criação de um novo sistema de classificação, incorporando investigação genética, imagens, ciência cognitiva e “outros níveis de informação” – o que também deve gerar controvérsias.
A polêmica em torno do DSM-5 é uma boa notícia. E torço para que seja apenas o início de um debate sério e profundo, que vá muito além da medicina, da psicologia e da ciência. “Há pelo menos 20 anos tem se tratado como doença mental quase todo tipo de comportamento ou sentimento humano”, disse a psicóloga Paula Caplan à BBC Brasil. Ela afirma ter participado por dois anos da elaboração da edição anterior do manual, antes de abandoná-la por razões “éticas e profissionais”, assim como por ter testemunhado “distorções em pesquisas”. Escreveu um livro com o seguinte título: “Eles dizem que você é louco: como os psiquiatras mais poderosos do mundo decidem quem é normal”.
A vida tornou-se uma patologia. E tudo o que é da vida parece ter virado sintoma de uma doença mental. Talvez o exemplo mais emblemático da quinta edição do manual seja a forma de olhar para o luto. Agora, quem perder alguém que ama pode receber um diagnóstico de depressão. Se a tristeza e outros sentimentos persistirem por mais de duas semanas, há chances de que um médico passe a tratá-los como sintomas e faça do luto um transtorno mental. Em vez de elaborar a perda – com espaço para vivê-la e para, no tempo de cada um, dar um lugar para essa falta que permita seguir vivendo –, a pessoa terá sua dor silenciada com drogas. É preciso se espantar – e se espantar muito.
Vale a pena olhar pelo avesso: quem são essas pessoas que acham que o “normal” é superar a perda de uma mãe, de um pai, de um filho, de um companheiro rapidamente? Que tipo de ser humano consegue essa proeza? Quem seríamos nós se precisássemos de apenas duas semanas para elaborar a dor por algo dessa magnitude? Talvez o DSM-5 diga mais dos psiquiatras que o organizaram do que dos pacientes.
Há ainda mais uma consequência cruel, que pode provocar muito sofrimento. Ao transformar o que é da vida em doença mental, os defensores dessa abordagem estão desamparando as pessoas que realmente precisam da sua ajuda. Aquelas que efetivamente podem ser beneficiadas por tratamento e por medicamentos. Se quase tudo é patologia, torna-se cada vez mais difícil saber o que é, de fato, patologia. Por sorte, há psiquiatras éticos e competentes que agem com consciência em seus consultórios. Mas sempre foi difícil em qualquer área distinguir-se da manada – e mais ainda nesta área, que envolve o assédio sedutor, lucrativo e persistente dos laboratórios.
Se as consequências não fossem tão nefastas, seria até interessante. Ao considerar que quase tudo é “anormal”, os organizadores do manual poderiam estar chegando a uma concepção filosófica bem libertadora. A de que, como diria Caetano Veloso, “de perto ninguém é normal”. E não é mesmo, o que não significa que seja doente mental por isso e tenha de se tornar um viciado em drogas legais para ser aceito. Só se pode compreender as escolhas de alguém a partir do sentido que as pessoas dão às suas escolhas. E não há dois sentidos iguais para a mesma escolha, na medida em que não existem duas pessoas iguais. A beleza do humano é que aquilo que nos une é justamente a diferença. Somos iguais porque somos diferentes.
Esse debate não pertence apenas à medicina, à psicologia e à ciência, ou mesmo à economia e à política. É preciso quebrar os monopólios sobre essa discussão, para que se torne um debate no âmbito abrangente da cultura. É de compreender quem somos e como chegamos até aqui que se trata. E também de quem queremos ser. A definição do que é “normal” e “anormal” – ou a definição de que é preciso ter uma definição – é uma construção cultural. E nos envolve a todos. Que cada vez mais as definições sobre normalidade/anormalidade sejam monopólios da psiquiatria e uma fonte bilionária de lucros para a indústria farmacêutica é um dado dos mais relevantes – mas está longe de ser tudo.
E não, eu não acordei doente mental. Só teria acordado se permitisse a uma Bíblia – e a pastores de jaleco – determinar os sentidos que construo para a minha vida.

Comportamento de Risco na Web começa na Infância, revela Pesquisa


por: Mente e Cérebro 



Crianças australianas acessam sites de redes sociais cada vez mais precocemente, revela uma nova pesquisa, segundo a qual uma em cada cinco admite ter conversado na internet com alguém a quem não conhece. O relatório 'Crianças, adolescentes e tecnologia' (Tweens, Teens and Technology), de autoria da empresa de segurança digital McAfee, demonstra que as crianças entre 8 e 12 anos usam a tecnologia mais rapidamente que o esperado e que 67% acessam redes sociais.
Apesar de a idade permitida para acessar o Facebook ser 13 anos, uma em cada quatro crianças (26%) mais jovens admitem ter usado o site, embora 95% tenham afirmado que tiveram a autorização dos pais.
O site mais popular entre crianças com idade de 8 a 12 anos é o Skype (utilizado por 28%), mas as crianças também usam o Instagram, segundo a pesquisa feita com 500 jovens de uma amostra geograficamente representativa da população conectada da Austrália.
Enquanto o estudo revelou que uma em cada cinco crianças dessa faixa etária (19%) disse ter conversado na internet com alguém a quem não conhecia, apenas 7% afirmaram ter compartilhado informações pessoais.
O ministro das Comunicações da Austrália, Stephen Conroy, manifestou sua preocupação com o fato de crianças conversarem com estranhos na internet. "Isto mostra que precisamos nos manter vigilantes às ameaças online", declarou.
Os estudos sugerem que a idade com que as crianças usam as redes sociais pela primeira vez está caindo, uma vez que uma pesquisa realizada em 2012 pela McAfee mostrou que a idade média com que os adolescentes criam sua primeira conta em redes sociais variava entre os 13 e os 17 anos.
Em média, as crianças de 8 a 12 anos utilizam três ou quatro dispositivos com conexão à internet e 66% preferem telefones celulares e/ou tablets para entrar na rede. O uso dos tablets durante mais de uma hora por dia é frequente entre 54% dos pesquisados.

"Os pais e as escolas são encorajados a manter um monitoramento estreito sobre o comportamento on-line de seus filhos para assegurar que tenham experiências seguras", afirmou Andrew Littleproud, presidente da McAfee na região Ásia-Pacífico.
"Trabalhando estreitamente com psicólogos infantis, nós observamos que os comportamentos on-line se fortalecem neste grupo etário. Portanto, uma educação proativa é fundamental na faixa entre os 8 e os 12 anos", concluiu.

domingo, 19 de maio de 2013

''Síndrome de Peter Pan'': por que há Homens que se Recusam a Crescer?



 
Eles se recusam a crescer. São inseguros, imaturos, dependentes, irresponsáveis, têm acessos de raiva e dificuldade em manter um compromisso afetivo. Apesar de não demonstrarem, costumam ter baixa autoestima. São muitos e estão em vários lugares, independentemente de país ou conta bancária. Trinta anos atrás, o psicólogo norte-americano dedicou a eles o livro "The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up" (A Síndrome de Peter Pan: Homens que Nunca Crescem, numa tradução livre). No Brasil, publicado simplesmente como "Síndrome de Peter Pan".

Mas o que é essa síndrome, por que acontece e qual é o papel dos pais? Para o psiquiatra Paulo Gaudêncio, autor de "Men at Work" e "Mudar e Vencer" (ambos da Palavras e Gestos Editora), entre outros livros, as causas são sociais e familiares. "Ninguém fica neurótico por elegância", diz ele. "Se há homens que entraram nessa, é porque foram levados pela sociedade ou pela família, muitas vezes por ambos", afirma, lembrando que nas últimas décadas houve uma grande mudança de postura do homem e da mulher diante da sociedade.

Mulheres pós-guerra
A Segunda Guerra Mundial é o maior marco para essa mudança de comportamento, segundo o psiquiatra. Os homens foram lutar, as mulheres se empregaram nas fábricas para manter a família. Logo depois, o sexo feminino começou a frequentar universidades. "As mulheres das classes A e B puseram o coração na carreira e cresceram bastante. Já os homens se acomodaram. Elas passaram a tomar a frente em todas as áreas, inclusive sexualmente. Está tudo muito mais fácil para os homens", afirma Gaudêncio.

O que provoca um terreno fértil para se tornar um Peter Pan eterno, o garoto da Terra do Nunca que se recusa a crescer, no caso de já existir uma predisposição da personalidade. "Já vi casos de mulheres que compram carro novo e escondem do namorado, para não colocá-lo em posição de inferioridade", conta.

A família também tem seu papel. A superproteção dos pais, por exemplo, é um dos motivos que podem fazer com que o homem fuja de compromissos na vida adulta, diz Paulo Gaudêncio.

A professora Adriana Marcondes Machado, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), também lembra que a valorização excessiva da infância, transformando a criança em um pequeno tirano em casa, pode levar a um adulto que não vai ter tolerância alguma com as coisas que vão contra seus desejos. Ou seja, a tirania continua, mas nem sempre o mundo tem a condescendência dos pais.

''Hoje em dia, pais não querem deixar a criança chorar ou se frustrar. A consequência é que elas acabam ficando com pouca capacidade criativa para inventar a vida", diz a professora Adriana. Ou, como diz a psicoterapeuta Cecília Zylberstajn, as crianças não criam "casca" e acabam não adquirindo habilidades para enfrentar a vida adulta.

"A superproteção gera pessoas mimadas e despreparadas, que acham que o mundo e as pessoas existem para servi-las. Quanto mais a família protege, mais está ajudando o filho a se tornar uma pessoa inapta para o mundo", diz Cecília. "Para você se tornar adulto, tem de passar, sim, por situações doloridas. Relacionamentos terminam, há contas a pagar, amigos vão embora, rejeições acontecem em várias áreas", afirma.

Juventude eterna e prazer imediato

Família à parte, a professora Adriana Machado Marcondes também aponta outras causas que contribuem para que o Peter Pan se manifeste na idade adulta: a valorização extrema da juventude, o temor à velhice e a divulgação na mídia de que há certas coisas que precisam ser feitas. "Precisamos viajar, precisamos fazer algo diferente, precisamos de novas experiências. A intensidade do tempo vivido perde terreno para o tempo cronológico", diz ela.

Já Cecília Zylberstajn lembra que hoje, ainda mais do que quando o livro foi escrito, em 1983, o mundo está ligado a prazeres imediatos e à incapacidade de adiá-los, vinda daí a sensação de que precisamos de mais tempo para fazer tudo o que se espera e a recusa em envelhecer.

O que os pais podem fazer

Os pais desempenham papel fundamental para que o filho se desenvolva emocional e afetivamente. "Eles precisam cortar o cordão umbilical e deixar o filho crescer", diz Cecília, mas sempre orientando a criança, acompanhando-a em suas dificuldades e mostrando as consequências de seus atos. "Ao decidir mudar de atitude, é preciso deixar claro por que está fazendo isso, para que não soe como abandono e, sim, como possibilidade de crescimento", diz ela.

Um bom começo é a família fazer com que o filho encare responsabilidades em todos os sentidos, acrescenta o psiquiatra Paulo Gaudêncio. Em primeiro lugar, com os estudos. Depois disso, com a própria subsistência. A partir daí, novas responsabilidades ocorrerão naturalmente.

Fonte: UOL Comportamento

terça-feira, 7 de maio de 2013

O TRABALHO DO PSICOLOGO - UMA AÇÃO MULTIFACETADA


Escrito por: Alex Barbosa Sobreira de Miranda 


                  A psicologia é uma ciência que estuda através de um modelo científico o comportamento dos indivíduos e seus processos mentais. Nesse caso, é fundamental examinar o sujeito em uma perspectiva comportamental, individual e psicodinâmica acerca de sua história de vida e suas questões intrínsecas.
Porém, muitos ainda associam o trabalho do psicólogo somente ao modelo clínico, de consulta psicológica, em que existe um terapeuta e um paciente para ser ouvido e resolvido o seu problema. No entanto, a psicologia como profissão expandiu em relação a seu fazer e hoje encontra-se nas mais diversas instituições sociais.
O espaço na psicologia tem sido conquistado paulatinamente, mas garante assistência em diversos setores da sociedade, a psicologia se desmonta para adentrar nas áreas: comunitária, organizacional, hospitalar, escolar, jurídica, no esporte, etc.
No tocante às tarefas do psicólogo, é valido mencionar que cada fazer tem sua especificidade, seu público-alvo, seu modo de abordar o outro e sua finalidade peculiar, sobretudo, é realizado um trabalho pautado na ética profissional.
Nessa perspectiva, a psicologia deparou-se com muitos desafios ao longo de sua história, além de consolidar o viés clínico, teve que abrir espaço em diversos contextos que outrora não reconheciam seu trabalho e mostrar uma nova prática e serviço, tendo que explorar novos campos e searas desconhecidas.
É fundamental, nesse aspecto, que o profissional esteja cônscio de seu papel em cada setor, e o desenvolva de maneira assertiva e coerente com a proposta defendida, para que não ocorram problemas posteriores.
O que Torna a Psicologia Única
Para entender a singularidade e o caráter único da psicologia, é necessário avaliar a forma como a psicologia define o seu campo de trabalho e as metas que emprega em suas pesquisas e aplicações, ou seja, seu aspecto científico.
O aspecto científico da psicologia exige conclusões psicológicas baseadas em evidências coletadas de acordo com princípios do método cientifico. O método científico consiste em um conjunto de passos ordenados, utilizados para analisar e resolver problemas (GERRING, 2005).
O que torna a psicologia única é o entendimento de onde e como se formou o conhecimento da ciência psicológica e de como essa área se percebe enquanto ciência, que tem um objeto de estudo a ser investigado.
Nesse sentido, é fundamental que a psicologia se reconheça em sua especificidade, tendo em vista o caráter particular de cada área de atuação. Dentre os movimentos da psicologia cada um possui uma atividade específica. Desse modo, a psicologia social estuda os movimentos sociais, a psicologia hospitalar visa entender esse sujeito na situação de adoecimento, a psicologia clínica objetiva dar assistência psicológica e individual a esse sujeito em sofrimento psíquico, dentre outros.

Psicologia: uma Área Multifacetada
A partir de meados de 1962 até a atualidade, experimentou-se um grande crescimento a respeito do número de psicólogos graduados pelas instituições de ensino, que se seguem pelo conseqüente aumento no índice de inscrições nos Conselhos Regionais.
Embora a legislação que regulamenta a profissão não se refira à área de atuação, este conceito vem sendo largamente usado para descrever o conjunto de características que, de alguma forma, demarca o campo de trabalho do psicólogo e confere alguma identidade ao grupo de profissionais que se dedica àquelas atividades. Tradicionalmente, o conjunto de atividades e objetivos da atuação do psicólogo foi agrupado em quatro grandes áreas: clínica, escolar, industrial e docência (BASTOS, 1989).
Nos tempos atuais, essa atuação tem ganhando novas ampliações, bem como na  área comunitária, social, organizacional, jurídica, etc).
Vinte e três anos após a regulamentação, o Conselho Federal de Psicologia elaborou um documento para integrar o Catálogo Brasileiro de Ocupações do Ministério do Trabalho, onde se identificam as seguintes áreas de atuação: Psicólogo Clínico (onde já se vêem descrições de atividades típicas do que se vem denominando Psicologia Hospitalar ou Psicologia da Saúde), Psicólogo do Trabalho (e não mais portanto psicólogo industrial ou industrialista), Psicólogo do Trânsito, Psicólogo Educacional, Psicólogo Jurídico (ainda sem as atividades típicas do que se está denominando Psicologia Militar), Psicólogo do Esporte, Psicólogo Social e Professor de Psicologia (nível de segundo grau e nível superior).
De acordo com as atribuições profissionais que a psicologia tem se ocupado, pode fazer-nos concluir que essa prática vem consolidando-se e ganhando notoriedade com o passar dos anos. Ao passo que se construíram áreas “tradicionais”, situam-se agora, áreas emergentes, que são demandas que surgem naturalmente na sociedade.
Exercício Profissional
É exercício profissional, a prática ou a transmissão da prática que venha a ser considerada como privativa do Psicólogo. Sobre este assunto temos a regulamentação oficial contida na Lei No.4.119/62 (que estabelece o que é prerrogativa do psicólogo) e no seu Decreto No.53.464/64 (que regulamenta a Lei 4.119) que dispõem: "São funções psicológico;orientação e seleção profissional do psicólogo:1) Utilizar métodos e técnicas psicológicas com o objetivo de:  diagnóstico; orientação psicopedagógica; solução de problemas de ajustamento..." (HOLANDA, 1997).
A psicologia tem como objetivo estudar o comportamento humano e abrange inter-relação com várias áreas do conhecimento, bem como ciências humanas, ciências biológica e apresenta elementos comuns às ciências sociais.

Nesse aspecto, o exercício profissional do psicólogo abarca uma diversidade de abordagens bem como um grande de interdisciplinaridade entre as áreas de conhecimento. As áreas de atuação dos psicólogos se entendem em consultórios, empresas, escolas, comunidades, hospitais, creches, juizados de menores, penitenciárias, associações profissionais e esportivas, etc.
O profissional deve ser estimulado a ser um agente de mudança, e não apenas um reprodutor do conhecimento científico e técnico. Para tanto, é necessário que se amplie o conceito de ciência, superando o paradigma positivista e reinserindo profissional "expert" (Francisco & Bastos, 1992).
Considerações finais
Em suma, o trabalho do psicólogo se configura a partir de uma ação multifacetada, isto é, possui vários modelos de trabalho em uma única ciência, cada área com sua especificidade e seus objetivos particulares. Assim, a psicologia encontra-se nos mais diversos setores atendendo às demandas sociais “tradicionais” e “emergentes” que surgem no dia-a-dia. O diferencial da psicologia é seu caráter único, seu objeto de estudo e seu fazer que se desvela a partir de uma ótica ampliada frente às varias realidades que se apresentam no contexto contemporâneo. Nessa perspectiva, esse trabalho é relevante para esclarecer a amplitude do fazer psicológico e apontar as suas nuances e vicissitudes.

sábado, 4 de maio de 2013

SÃO PAULO EM BUSCA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DESAPARECIDOS


São Paulo em Busca das Crianças e Adolescentes Desaparecidos: evento apresenta cenário e ações da Comissão

Acontece no dia 24 de maio, pela manhã, na sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em São Paulo
A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo convida para o evento “São Paulo em Busca das Crianças e Adolescentes Desaparecidos”, no dia 24 de maio de 2013, a partir das 9h, na sede da Secretaria, na Barra Funda, capital.

Desde 2012, o Decreto Nº 58.074 estabeleceu o dia 25 de Maio como o Dia Estadual da Criança e do Adolescente Desaparecido, em paralelo ao dia que já existe internacionalmente e também instituiu o Programa “São Paulo em Busca das Crianças e Adolescentes Desaparecidos”, que inclui uma Comissão multidisciplinar envolvendo várias pastas do Governo do Estado de São Paulo.

Ciente da gravidade representada pelos 9 mil casos anuais de desaparecimento de crianças e adolescentes, o Governo do Estado de São Paulo mobilizou as Secretarias e convidou a sociedade civil para juntos coordenarem este Programa com múltiplas ações de prevenção, sensibilização, esclarecimento e busca.

O evento que acontece no dia 24 de maio marca o aniversário de um ano do lançamento do Decreto e apresenta um panorama geral sobre as crianças e adolescentes desaparecidos, bem como as ações desenvolvidas ao longo do último ano pela Comissão. Na ocasião, será apresentado o sistema de digitalização de imagem em escolas.

A foto ainda é a melhor e mais rápida forma de localização de uma pessoa desaparecida. Entretanto, crianças mudam de fisionomia rapidamente, sendo necessário o arquivo periódico dessas imagens. A foto atualizada, disponível nessas instituições, será acessada também pela Polícia assim que a família registrar o Boletim de Ocorrência do desaparecimento. A foto possibilita também que sejam realizados processos de progressão da imagem para estimar a fisionomia atual da criança, mesmo que o desaparecimento tenha ocorrido há vários anos.

A polícia de São Paulo já realiza procedimentos de envelhecimento de fotos em 3D e, desde 2012, esse serviço está disponível para a população. No evento do dia 24 de maio, os participantes podem conferir de perto como funcionam a captação de imagem e o processo de envelhecimento das fotos.

Segundo a Delegacia de Pessoas Desaparecidas do Estado de São Paulo, ligada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), uma média de 60 casos dedesaparecimento de pessoas são registrados diariamente.
No estado de São Paulo são registrados, em média, 22 mil desaparecimentos ao ano. Desses, 9 mil são crianças e adolescentes, com faixa etária até 18 anos. Das crianças e adolescentes desaparecidos, mais de 10% apresentam algum tipo de deficiência.
Serviço

São Paulo em Busca das Crianças e Adolescentes Desaparecidos

Data: 24 de maio de 2013, das 9h às 13h
Local: sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, avenida Auro Soares de Moura Andrade, 564, portão 10, ao lado da estação de metrô e trem Barra Funda, São Paulo, SP

Participe!